quarta-feira, 26 de março de 2008

Poesia de um descompasso ou Ecos das diferenças...

(Meio embolado, nada preciso de tanto preciosismo... tudo meio assim caótico e melancólico. Ontem passaram a noite juntos, mas ela estava tão distante, tão longínqua... não menos amável, mas menos envolvida... foi isso, assim que a relação ia desmoronando e ambos assistindo sem qualquer assistência... faziam escoras, reforçavam a estrutura, mas cada vez caía uma lage, um pedaço, abria-se uma fissura... logo desmoronaria por completo e cada um seria vítima desse amor que acabara, pois não podiam correr ou refugiar-se dele.. esse amor que os prendia.. no abismo do qual cada um pendia, para permanecer pousados nalguma companhia.)
- Estou sentindo que nosso amor está se fragmentando. (escaparam as palavras pelos lábios ressecados dele..) Parece estar se desfazendo nas minhas mãos... eu não imaginava isso.. não queria que fosse assim.. se você não confia em mim.. (olhos buscavam olhos que buscavam portais..) se acha que eu não te amo mais, tudo deve terminar..
(Ela concordou) - É o que parece.. e você não sabe como eu queria confiar, simplesmente porque confiar foi tudo que eu sempre fiz. (pontuaram lágrimas fazendo intertícios..) Mesmo quando você desfazia minha confiança em versos.. (iam continuando a conversar sobre eles dois, sobre a dor dessa separação.. cada qual narrando a dor de se dar a ler..)
- Eu te dou tudo. Meus dias, meu tempo, meu amor. Meu cotidiano, meus amigos, minha família, minha casa, meu louvor. Eu sou teu.. todo dia, toda hora, mas você não se sacia.. é como se você tivesse um milhão de moedas e se queixasse porque eu dei uma só a alguém num sinal...
(A cabeça dela expressava a negação, onde cabelos ganhavam ares de escudo e a estática moveria turbinas..) - O que importa é que me magoa e se você me ama não deveria querer me magoar.. dói ver você derramando águas por quem não chove pro seu mar... sua lírica é como uma prostituta de baixa auto-estima, engraçando-se a cada promessa de amor de 30 reais...
- Minha poesia é a minha narrativa de meus embates, meus contrastes, meus mergulhos e minha assepsia.. eu diria as mesmas coisas em verso ou prosa.. não há perniciosidade intrínsica à poesia... enfim... no fim parece ser assim que termina... já que não prometo uma vez mais findar a verborragia. Se te parece que é isso que nos separa.. não é... não ao menos o que me distancia do seu horizonte. O que está nos separando, aos poucos, um pouco mais a cada dia, é essa enorme diferença de pensamentos.. essa minha necessidade vadia, louca de viver todo dia... e a sua de ter família, casar e constituir uma vidinha tranquila... e a gente se ama tanto, tanto... tanto... (o último tanto fora fraco como um pedido de socorro..) Mas nem sei se é possível mais, porque não aguentamos mais os sacrifícios que fazemos um pelo outro... tantos.. embora o outro sempre os valorize ao desvalorizá-los na poeira dos próprios passos...
- Isso não me importa mais.. (ela disse expressando o quanto importava.. o quanto doía..) Você faz o que quiser com a sua vida... eu não quero mais ela... dá trabalho demais limpar a lama que você faz pra voar... (e fechou os olhos em busca do esquecimento sadio que haviam ensinado num almoço de família..)

12 comentários:

osátiro disse...

Conto bem escrito e cheio de vida...

Bárbara M.P. disse...
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Bárbara M.P. disse...

Olá,

Intensos e persistentes. Seus textos são fascinantes, Jorge..

Gostaria de linká-lo ao meu blog, eu poderia?

Um ótimo dia..
Bárbara

Gabriele Fidalgo disse...

Fascinante mesmo, Jorge!
Um dos mais emocionantes que eu já li. Você anda inspirado, hein?

Gostei bastante desse trecho:
'... dói ver você derramando águas por quem não chove pro seu mar...'

Lindo lindo!

Beijos.

Bárbara M.P. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bárbara M.P. disse...

Salve Jorge...

Agora faz parte de minha leitura diária, e que prazer em tê-lo por lá!

Fique tranquilo, adorei o trocadilho com meu nome - acompanha-me isso desde o ventre da mamma...
Beijo
Bárbara M.P.

Bárbara M.P. disse...

Jorge,

É que esse vento
Desfaz o assento
E leva os passos
A delinear belos traços
Forjar novos laços
Aroma de macieira
Já suplantadas tantas agruras
Que agora parecem réles besteiras
Não mais tão duras
Nem tão derradeiras
Certamente fostes escolhida
Pra nessa alameda
Pintar tão belamente sua vida
Numa tela de seda...

Voltei só para dizer que o quanto adorei...
Beijo
Bárbara M.P.

Juliana Caribé disse...

Esses términos
sempre despertam
lágrimas
que
com
o tempo
desaparecem
no vento...

A lisonja é toda minha... Minhas madeixas nunca foram tocadas por brisas tão mornas e suaves.
Obrigada.

Beijos.

SAMANTHA ABREU disse...

texto muito bom, baby.
intenso... sentimento puro.

e, olha que coisa... hoje eu tbém falo de separação lá...
Um beijo!

Juliana Caribé disse...
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Juliana Caribé disse...

Sabes que me fizestes chorar?

Marina Mah disse...

Caramba!
Muito bom de ler e muito parecido com histórias não lidas mas vividas e sentidas...

Vou ser atrevida e linkar você na minha lista, meus favoritos...
Aqueles a quem visito e volto preenchida.

Venha me visitar, quando quiser!

Bjo grande!