quinta-feira, 17 de maio de 2018

Sobre o amor...



Há 15 anos atrás
Eu encontrei minha paz
E tanto mais
Encontrei o meu jazz
O meu cais
Aos teus pés
Ao teu lado
Alguém que me traz
Que me leva
Leve
Até se não deve
O meu reggae
O meu trance
O meu rock
Alguém que me dá os toques
Às vezes, uns choques
Só ela se atreve
Mais encantadora que a neve
Tudo ela faz
E isso é o amor
Esse andor
Esse cuidado
O suspiro trocado
O cansaço compartilhado
Até aceitar postergar algo planejado
Por um simples papo furado
Cruzar o rio a nado
Mesmo frio
Tanto desvario
Até se tá curto o pavio
Damos risada
Tomamos uma cerveja gelada
Compartilhamos as crias cheias de energias
As viagens esperadas
As asas sangradas
As vivências sagradas
Ninguém mais poderia
Mesmo lendo
Mesmo sendo
Nem com remendo
Saber amar esse nosso amor infindável

terça-feira, 13 de março de 2018

Eu

Me divirto nos extremos. E não creio em nada "por natureza". Teimoso por minha própria parte, embora todas as minhas partes já tenham vindo partidas previamente. Tenho dois pulsos que me impulsionam além do previsto. Sempre contraditório e até nisto. Mas generoso por forte egoísmo. Choro e amo em um descompasso independente do valseio. Vivo a lilberdade mesmo preso e me prendo mesmo livre, e me livro mesmo liberto e me liberto mesmo.. mesmo. Escrevo.. verborragia pura impura adjetivando colisões.
Meu mundo é azul na maior parte. Mas as paisagens são inconstantes e verdes. Não sou de brigas, mas sou de passar dos limites. Mudo a cada estação, falante. Tiro a alma para desabotoar as idéias. Gosto de animais. Gatos, cachorros e cavalos.. tigres e pandas. Tenho pena dos insetos. Odeio baratas. Odeio pombos. Adoro água. Água me falta mesmo sendo 75% feito dela. Faço natação, tomo banho de chuva, de mar, de rio, de cachoeira e onde mais ela te molhar. Eu sopro brisas nos cabelos. Tenho a cabeça no ar, asas no ar, pés no lar e fogo no par. Detesto som de buzina (devia ter limite: cada pessoa pode dar 3 por dia, daí não se gastava à toa), caos urbano, gente chata, gente reclamona.. mas adoro gente. Sou de muitos amigos. Abrigos que levo comigo quando persigo o perigo.
Ostento minhas cicatrizes. Troco o dia pela noite sempre que posso. Quase nunca fico sem comer. Adoro comer, dormir e amar.. não necessariamente nessa mesma ordem. Gosto do silêncio.. mas gosto quando o ar vibra. Falo mais que demais. Adoro morder.. desde idéias até pescoços. Fumo maconha e quase nunca estou careta. Nunca tentei suicídio. Gosto de não morrer.. mas a morte é uma das minhas personagens predileta. Dou valor ao que pousa diante dos meus olhos. Brasília não tem esquina.
Me envolvo até quando não quero. Amo Chico, Rita Lee. Mas sou tributário maior de Raul, Bob, Floyd e outros mutantes. Sou descansado segundo meu pai. Adoro abraços. Conservo meus medos e os mantenho acesos. Não gosto de mulheres de porcelana. Sou dependente de mulheres e homens. Troco pneu e velo sonhos nas noites frias e lambo suor nas noites quentes. Sou feminista. Sou amável, amante, amado e amigo. Tenho um lado sagrado, mas prefiro o profano. Adoro errar.

A lisonje é toda minha...

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Eu e minhas páginas em branco ou Vermelho

Eram realmente muitas páginas, ele pensou olhando aquela brancura vasta e imaculada. Lembrou-se de quando rolou nas colinas cobertas de neve nos vinhedos de Assis. Lembrou-se da igreja que fora destruída pelo terremoto. Ele era sempre isso.. páginas em branco e memórias desbotando. Olhou as horas no relógio, mais para desviar o olhar da brancura do que por se preocupar efetivamente com a passagem do tempo. Suspirou, enquanto ela entrava fazendo o ar parar.
- E então?
- Nada...
- Quer um cigarro?
- Já fumei oito.
- Sabe o que dizem...
- Nove pra dar sorte?
- Noves fora zero.
- Quem diz isso?
- Meu avô.
Ele resignou-se, pois se vinha de um avô, alguma sabedoria devia ter aquilo. - Certo. E seu avô fumava muitos cigarros e escrevia muitos livros, eu suponho.
- Não. Mas assim como você, ele contava histórias.
- Mas é muito mais fácil quando se está só entretendo uma criança e não ganhando o pão nosso de cada dia.

- Se você diz.. - ela disse parando para acender o cigarro, protegendo a chama com a mão em concha e mudando a perspectiva do assunto. - Eu sempre adorei as histórias dele. - soprou a fumaça como se isso fosse um argumento. - Elas sempre me faziam pensar que tinha mais coisa que eu queria saber.
- As boas hstórias são assim.. - ele disse aquilo sem se importar nem um pouco, enquanto tilintava o indicador na tecla tão indiferente quanto ele. - Eu queria ter uma boa história pra contar...
- Por que você não conta sobre a vez em que matou o dragão? - soprou a fumaça que formava uma densa névoa ao redor dela, como se o ar fosse a página daquela personagem.
- Eu não mato dragões... - ele disse abanando a fumaça.
- Bom.. então você pode falar sobre quando fez a lua descer no lago só pra me provar que ela não era de queijo.. e que não tem nenhum coelho estampado nela.. - ela soprou a fumaça pelas narinas, enquanto apoiava o cotovelo fumante numa palma de mão, de forma aristocraticamente ereta, tornando a névoa rebuscadamente vermelha, como um manto ou um par de asas cor de sangue.
Ele riu achando uma graça boba dela.. - Ninguém quer saber das nossas intimidades.. isso só tem graça pra nós dois...
- E não é um bom começo?
- Sou horrível com começos..
- Querido. Não importa o que você conta.. é como você conta, que conta. - a brasa incadecente quebrou o silêncio fumegando possibilidades, alaranjada no mundo vermelho-neon como um bordel de beira de estrada.
O dedo dele apertou um "S".. depois um "e".. - Mas falta a matéria prima... - "espaço"...
- Ela nunca falta. Ela só sobra. Ela afoga. Ela queima. Ela teima. Ela assoma. Ela roga. Ela droga. Entorpece. Agora.. - e tomou o indicador dele colocando no umbigo dela.. - Faltam olhares e explosões incandecentes de lava... - ela sentou no colo dele recolhendo as asas e deixando o mundo dele abafado sob sua cascata flamejante. O dedo subira do umbigo para os despautérios dela. - Tenho uma matéria prima pra você... - e riu diabolicamente...
- Eu conheço essa história - ele sorriu com ironia esquecendo de ser gaivota num céu azul, como se isso pudesse defendê-lo.
- Ah... mas eu nunca te contei ela desse jeito...

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Sobre ser pai 7 ou Chegou o João

O que falar de João?
Tranquilão
Glutão
Dorme de cansar o colchão
Vermelho como um pimentão
Chegou para alargar o coração
Da mãe e do pai bobão
Que se admira com a situação
De aprender com a própria criação
De ser o que pode ser enquanto faz serão
É doce a tal da ralação
O mundo é bão João
Mesmo com tanta confusão
Mesmo tendo de lutar pelo pão
Mesmo parecendo tudo à beira do apertar de um botão
Explosão
Por hora, só de conservadores sem noção
É que sem um carinho ninguém segura esse rojão
E saiba logo, cidadão
É muito chão
Muito vão
Aporrinhação
Circo, pão, leão, multidão
Muita contra-mão
Muito rojão
Mas tem São João
Carnaval, aniversário e feriadão
Só não tem milagre não
(Talvez esse milagrosa conexão)
É você que cria sua condição
Sempre há opção
Respeita as mana, as mina, as mona e qualquer outra variação
Faz com amor e nada é obrigação
Façamos a Revolução
Alguns verão
Outros não
Mas saboreies do inverno ao verão
Tenha sua versão
Tenha seus versos,inversos, amigos e um vinho Canção
Brade cada canção
Entenda a construção
Pratique a desconstrução
E quando cansar a mão
Ame
Ame mais
Ame sempre, João...

sábado, 30 de dezembro de 2017

Poesia

A poesia surge
A poesia urge
A poesia unge
A poesia une
A poesia, né
A poesia é
Pueira é
Pó e cia
É

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Voltas

Voltas
Reviravoltas
Se soltas
Se soltas
Se só
Se estás
Ao pó
Ao cais
À paz
Aos pais
Ao país
Não dá mais
Ao que faz
Não ao que fez
Não mais
Já que jaz
Já que jazz
Já que os pés
E as pás
Sem as fés
Se ao rés
Sem o rei
Sem o sei
Só o que passei
Um caminho
Dois ou três
Um delírio
Algum revés
Mas sem martírio
Mais uma vez...

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Perdidos e achados


- Já passamos por aqui...
- Tem certeza?
- Nunca dá pra ter certeza.
- Melhor voltar então...
- Voltar nunca é a melhor opção.
- Tem certeza?
- Vamos seguir mais um pouco.
- Mas já não está mais sendo divertido...
- Isso não é motivo pra desistir... Lembra da música "tente outra veeez"...
- Que horrível isso. Ficou parecendo coisa do tipo "sou brasileiro e não desisto nunca".
- Porra, é Raul.
- Eu sei... Mas o seu uso foi brega e clichê.
- Estou tentando achar um caminho...
- O caminho não precisa ser achado. O caminho está dado.
- Os caminhos somos nós que construímos. Por isso mesmo que não dá pra voltar... Voltar seria um novo caminho. Ou um ramo do mesmo caminho...
- Você e suas semânticas, sintaxes e prolegômeros...
- Prolegômeros?
- Essa sua enrolação com as palavras. Você entendeu o que eu quis dizer.
- Entendi. Sempre entendo até se não entendo, faz parte, né?
- Parece que sim. E essa pedra aqui?
- Não lembro dela.
- Parece familiar.
- Para os antigos tudo é familiar de alguma forma...
- Nós somos os antigos?
- Somos, ué.
- Fale por você, eu sou jovem.
- Jovem das antigas, só se for.
- Aham. "Senta lá, Claúdia".
- Bem, eu continuo não lembrando da pedra, creio que podemos evitá-la e deixá-la perdida em algum programa infantil dos anos 80. Talvez seja melhor esperar a noite e nos orientarmos pelas estrelas e pela...
- Lá vem você com a noite e as estrelas. Eu sei bem o que você quer.
- E a lua...
- Com lua, menos estrelas.
- As estrelas são sonhos longínquos, mortas em um passado de possibilidades distantes que nunca chegam a ser. São apenas quimeras pra desenhar nossos mitos. Como uma criança colorindo o box do banheiro a cada banho. A lua comanda nossas marés, cuida do nosso cabelo, regula nossos ciclos, acalenta nossos sentidos quando menos enxergamos. Sempre prefiro me orientar pela lua. A lua atrai e embala.
(Suspiros) - Tá bom. Vamos esperar a lua, pelo menos ficamos no mesmo lugar. E esperamos como?
- Veja, um barranco. Creio que podemos encostar ali...
- Ou rolar, seu velho ranzinza...
- O que vocnkdjnjfbhadjfbçddf....

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Carta para Hélio Lopes

Oi pai.
Como vai?
Como vamos?
Seguem passando os anos... seguem. Aqui na terra tão jogando futebol, tem muito samba, muito choro e rock´n roll... Uns dias chovem, outros dias bate sol... Mas o que eu quero te dizer é que a coisa aqui ta preta...
Me faltaria caneta
Pra contar
Melhor enfatizar
Como a Ana tá grande
Como o mundo dela se expande
E como eu mudo me espanto
Como pode ser tanto?
Pena não ter você ao lado
Vê-lo vovô abobado
Também mais um sonhador da vida insana de Ana
A vida insana de Jorge escapa ao alforge                                                            (única rima possível)
Tive que deixar a defesa do doutorado pra março
Queria voltar pra escola tendo concluído o processo
Bem sabe que não sou do tipo que as coisas apresso
O tempo esgarço
E por onde passo
Sou de demorar
Descansado você dizia
Como quem sabia
Como só pai sabe
Sabe
A saudade não cabe
Ela sempre transboda
Da hora que se acorda
Até a hora que acaba
Viver é saudade...

O novo bebê chega em dezembro
Dia 25 se bem lembro
Ainda não tem nome
O debate ainda nos consome
Eu queria Hélio porque é grego
Débora queria João
Caminhamos pra outra opção
Artur, Caio, Tales estão à mão
Mas não nego meu apego
Ao sol do meu sossego
Seja como for
É mais um flamenguista com fervor
Todo trabalhado no amor
Que vai ouvir falar do avô
O cara mais fantástico que pode existir...

Abraços e beijos negão...

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Ela ou poeta de merda

Ela cansou
Por tanto passou
Por tanto passado
Um tanto apressado
Ao preço dado
Às vezes, sorriso
Noutras rebolado
Em muitos o que era preciso
Pra não a deixarem de lado
Pro avançar indeciso
Não houve avisos
Nem pro papo furado
Pra todos os babacas tarados
Ou pros amores erodidos
Em mais babacas tarados
Ou só em bobocas perfumados
Não importa
Estamos fodidos
Estou fodida
Torta
Semi-morta
E roubei a narrativa
Que sua atenção corta
Isso denota mais uma separação
Estou sempre à deriva
Isso por vezes me faz nociva
Pra mim mesma
Não é opção
Mais exemplos que uma resma
É minha condição
Mas sigo viva
Debochando da canção
E desse poeta de merda que estende a mão
Sei ser incisiva
Da minha forma imprecisa
Com ares de diva
Sem sua poesia de brisa
Então me esquece
Esquece essa prece
Que pra peito que padece
Só, vida...

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Ninguém

Veja bem
Veja além
Esqueça o amém
Somos todos ninguém
Ninguém
Entre tantos alguém
Tantos aquém
Seguindo os trilhos do trem
A tão pouco se atém
Esses alguém
E chamam isso de bem
Muito melhor ficar sem
Desviar para onde não veem
Dançar na bordas de onde vem
A melodia da pilhagem
Nós ninguém
Buscamos o auspício de querer bem
Buscamos a maçã do desejo de outrem
Até que deem
Um sorriso como ninguém
Um suspiro de miragem
Um imaginário de esperançosa paisagem
Um gemido de tremer a bagagem
O delírio quimérico sem roupagem
O fervilhar do sangue com a passagem
Mesmo se logo parece bobagem
Acaba a viagem
E torna-se ao alguém...