sexta-feira, 6 de junho de 2008

Vigiar e punir ou Pagando persianas...

O momento histórico das disciplinas é o momento em que nasce uma arte do corpo humano, que visa não unicamente o aumento de suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil, e inversamente. Forma-se então uma política das coerções que são um trabalho sobre o corpo, uma manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos. O corpo humano entra numa maquinaria do poder que o esquadrinha, o desarticula e o recompõe. (Foucault, Michel. Vigiar e Punir, p. 119.)

Ele era um sujeito. Só sujeito. Rimava com aceito, mas tinha vez que sentia arder o peito.. daí não tinha jeito.. danava-se o aceito e o tal do sujeito, que ardia o peito, atirava-se no leito, bebia de jeito e caia satisfeito com o ar rarefeito, sorvendo respeito por ele mesmo..
Mas se ia a esmo, o satisfeito sujeito, logo mesmo surgia algum barão com seu ar de mandão taxando-o de ladrão, fanfarrão ou bufão e que se não tinha ocupação, que trata-se de arranjar, pois assim não podia ficar, que sujeito que é sujeito tem que trabalhar, os lucros potencilizar e fazer a terra girar com a força de suas mãos
E até que ele precisava de grana, já que não era do tipo que afana e queria levar Diana pra chupar cana, enquanto ele a abana e declarações derrama.. é que o sujeito ama e queria fazer fama, pra estender boa cama para sua dama, com persiana no quarto e tudo mais.. e então pra conseguir umas posses e pagar umas doses, o trabalho até quebraria o galho, compraria um baralho e trocaria as roupas de espantalho, mas sem o sujeito perceber o "eu tenho, mas encalho" virou a trama
Quanto mais corria, mais apertava, e o sujeito ia, mas quanto mais ia, mais exitava, pensava na lida brava, na labuta que só se agrava, nas lágrimas que derramava e Diana ele quase não mais encontrava, porque ela também ralava e no fim o dinheiro nunca dava, nem ele mais versava.. no máximo um assovio, quase um desvario, pois o céu não se abria no estio, ele não dava mais nenhum pio e logo eles seriam um trio e tudo ia ficar mais complicado
E foi assim que o sujeito tão sujeito sentiu as asas sangradas, mas deixou-as guardadas querendo lembrar de uma alvorada que se apagava de sua mente...

18 comentários:

Rejane Oliveira disse...

Olá,

adoro passar por aqui...

hoje estou sem rimas, mas hoje eu posso.... rsrs hoje é o meu aniversário...uhuuuuuuuuu

bjos

Patrícia disse...

Adoro esse lugar e gosto mais ainda da sua maneira de escrever!
Consegue rimar perfeitamente!
Beijos

Peixinha disse...

Era, talvez, melhor ter aberto as asas, para o sangue secar...

Abraços

Sidewinder disse...

Boa tarde! Gostei do teu blog! Muito animadooo! :D

Beijinhos, Mariana

_E se eu fosse puta...Tu lias?_ disse...

Saudades!

E gostei do som;)~

beijos

TOOP disse...

E as asas sangraram...
Mas valeram as memórias.
:D

Bárbara M.P. disse...

Você é incrível, Seu Jorge.


Adoro.

Bel disse...

Seu Jorge e sua criticidade poética. Seus devaneios soltos num tempo de conformidade e individualidade. Seu Jorge e seu mundo todo.
Bel.

Glaucia disse...

Criatividade que salta pela tela do computador e enche todos os espaços...
Surpreendente como sempre.
Ahhh seu mimo já está postado no meu blog, espero que goste
Grande abraço.
Gláucia

Nathália disse...

O trabalho enobrece o homem... Será? Rsrs
Tudo seria mais bonito se tivessemos tempo para fazer o que quiséssemos, mas aí é utopia demais.

Beijo!

Desajustada disse...

Salve Jorge!
adorei...
mas que sujeito... abra as asas a dor sempre passa e logo poderá voar.

beijos

Martinha disse...

Gostei desses momentos passados pelo sujeito.
Beijo *

Maria Flor disse...

Maravilhoso texto...Como sempre surpreendes!

Convido-te a vir até o meu espaço...

Beijinhos...

Mr. Fart disse...

Rapaz, você foi fundo, tão fundo quanto o Michel, mas de maneira bem mais agradável.
É sempre uma alegria vir a este blogue completo.
Um grande abraço!

Marina Mah disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marina Mah disse...

Salve o cara que tem o dom
de encontrar palavras rimadas
e com elas fazer jogadas
de deixar horas paradas
e eu apenas a apreciá-las...

Salve o sujeito imperfeito
com seu tempo insatisfeito
de não conseguir ter feito
certo, daquele jeito
e todas as coisas ter aceito.

Salve salve!

Há tempos estava perdida,
sem tempo, quase sem vida
fora de área ou desligada
êta vida danada...

Mas agora estou de volta
e me deleito em palavras
e a minha clara alma
não consegue dizer mais nada,
pensa, sente, e apenas "Salva"
e volta pra casa lavada!


Um forte abraço!

Leila Saads disse...

Maximizar o lucro também significa transformar o trabalhador em mais um instrumento industrial - em máquina. E só a domesticação é capaz de fazer um homem se submeter a essa condição sub-humana. Mas a docilidade do domesticado não dura pra sempre...

Ótima escolha no trecho inicial, esse livro do foucault é excelente!

Muito bom esse seu texto. Pena desses dois, e de tantos outros, que não têm nem tempo para amar.

Beijos!

Gabriele Fidalgo disse...

Querido, Jorge,
me desculpe pelos comentários que não fiz nesses últimos dias. Ando escrevendo muito, mas apenas coisas íntimas demais. Não tenho comentado por falta de palavras, talvez.
Mas, de qualquer forma, vim agradecer por lembrar meu aniversário e lhe deixar um beijo!

:]