sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Azares provisórios ou Expandindo repertórios

Os tempos andam cinzentos
Arduamente atribulados
É como se charfundar no cimento
Afundando a cada passo dado
Mas daí me reinvento
E ostento um brado
Pelo prado
Que aqui no cerrado
Ou você grita
Ou se mistura
À gente aflita
Que se acha tão bonita
Mas se farta na usura
Prefiro ser da gente impura
Mutante na compostura
Que cantarola uma poesia
E não exita em mudar de freguesia..

E nessa de ser errante
Vou expandindo meus repertórios
Deixando os achismos simplórios
E me entendendo com o discrepante
Porque no fim é tudo subjetivo
E meu novo objetivo
Não é mais saber de Aqueus, Jônios e Dórios
Ou dos anos da Revolução
Muito mais é expandir a percepção
E contar algumas histórias
Para que se assenhore de suas memórias
E saiba dar a ler o sabor de suas vitórias
Mesmo no caos deteriorante dos instantes
Vamos avante e errantes
Que cedo ou tarde virão as glórias..

Mas permita-me explicitar
O que vim explanar
Sobre os percauços dos dias
Os engarrafamentos nas vias
Que convergem ao meu caminhar
Porque pode ser só um computador quebrado
Que levou tudo que eu tinha fotografado
Nos últimos quatro anos de andança
Fosse um ENEH cheio de bonança
Ou algum dia fulgaz capturado
Mas teve coisa pior
Aqui pelo meu lado
De dimensão muito maior
O câncer do meu pai
Que derrubá-lo não vai
Já que é bem inicial
E dia 13 ele já arranca o mal
Que anda a crescer na próstata
Logo será um dodói apostata
Que nem lembraremos no carnaval
Tem ainda a Dé lá em Paracatu
Ralando pra ganhar tutu
Mas distante toda a semana
Duzentos km do planalto central
E do amor que de mim emana
Minha distante dama
Dona da minha chama..

Mas eu assovio e chupo cana
Que até sendo difícil
Viver é sensacional
E esses azares provisórios
Vão virar poeira nos meus passos
Poesia nos meus traços
Parâmetros comprobatórios
Afirmadores da firmeza de meu abraço
Da certeza incerta de cada pegada
Na vã aspiração que essa estrada
Mesmo que finde
Siga profanamente sagrada...

26 comentários:

Diva disse...

Cheguei aqui seguindo o sopro da tua imaginacao...sublime!!! Estou feliz que me tenhas conduzido ate este cantinho... Salve Jorge!!! Um lindo fim de semana para ti, naveguei na tua ecrita, atravessei oceanos...da Africa ao Brasil...caminho a seculos comecado... continuarei seguindo os passos das tuas palavras. Voltarei.
Bjs meus

Lara disse...

Não gosto muito de rimas...mas seu poema me prendeu. Gostei!
Bom final de semana

Professorinha disse...

Ando há demasiado tempo à espera de tempos mais cor-de-rosa... E as nuvens no horizonte não desaparecem...

Fica bem

pedro disse...

gostei

CatWorld disse...

bom fimde semana!
beijoca!

R@Ser disse...

Passando pra te desejar um ótimo Fim de Semana!
Bjinhos

_E se eu fosse puta...Tu lias?_ disse...

Ai ai...

cinzentos os dias???

Olha melhor.... e repararás nas cores por detrás do arco-íris;)

**************

Gabriele Fidalgo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabriele Fidalgo disse...

Seu blog é maravilhoso!!
As suas palavras fortes prenderam a minha atenção, e eu até me identifiquei com algumas coisas que escreveu.

Vim agradecer também pelos comentário lá no Versos de Falópio e no meu blog. Eu estou um pouco 'ausente', ajeitando umas coisas por aqui mas logo estarei de volta. E pode ter certeza que voltarei mais vezes ao seu blog.

Beijos.

Camilla disse...

quero que aquela quebre, e não tu meu querido, com teu dragão...

Borboleta Endiabrada disse...

Já tinha saudades de te ler e visitar...

beijinhos endiabrados e boa semana

MARTA disse...

Olá, venho agradecer a visita que fez o meu blog.
Ainda não li tudo, mas prometo voltar com mais tempo.
Obrigada
Beijos e abraços
Marta

R@Ser disse...

Salve Jorge meu poeta lindo!
Bjim

Arte de Amar disse...

hummmm prazer no ar....


Nossos corpos
se cruzam e descruzam
como serpentes
cálidas
se enroscam
e se apertam
atarracham
num crescendo
sem limite.

Boa Semana
Beijo gande
Arte de Amar
www.intimomisterio.blogs.sapo.pt

SAMANTHA ABREU disse...

Muito bom! Muito Bom!


tem coisa nova hoje no Falópio:
Eu e um crime passional
VERSOS DE FALÓPIO
http://versosdefalopio.blogspot.com/

Apareça!

um beijo!

vanda disse...

"Os tempos andam cinzentos
Arduamente atribulados"

por isso que me perco entre as descidas e me procuro nas subidas
mas nem sempre -me acho

como dizia a Florbela Espanca
"E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar..."

Paulo Fernando disse...

Astuto, intrigante, quase leviano. Ótima poesia, meu caro.

Abraços

Lara disse...

Só vc para fazer um comentário mais valoroso que muitas postagens.
Boa tarde moço!
:)

Paula disse...

Sumi, sumi, sumi, sumi... Voltei, voltei, voltei, voltei! Cá estou outra vez... Depois de muuuuitos causos que outra hora te conto, voltei pro meu mundinho. ;)


Saudade meu mestre.

[P] disse...

Contar histórias você sabe fazer com maestria, homem...

Camilla disse...

ora, ora, ora, que encantador!
não encantou-me.
só cantou-me.
valssa.

por onde deixei minha canção de ninar...?

M.C. disse...

........


Tenho certeza que todos esses problemas irão virar poeira.
A certeza de que ao encontrá-lo numa próxima vez já tenhas passado a limpo esses capítulos da sua história.

Salve Jorge!

SAÚDE para seu pai!


(a)braços sempre:)

M.C

Dhyana disse...

Interessante, penetrante, assim a modos que sagaz.
beijos...

R@Ser disse...

Olá querido amigo....Bom estou aqui de volta para te perguntar uma coisa..
Li,(re)li ,e voltei a ler teu texto...e eu gostaria de saber se esses dias cinzentos se deve a teu pai ter cancer ou é apenas mais um de teus brilhantes poemas.?

Bjim

Arte de Amar disse...

Os olhos são o espelho da alma.
E se isso, verdade é,
deixe-os serem a janela,
e veja por um instante
minha alma de mulher.

Vê a borboleta
que em doces volteios
acaricia suave, seus cabelos?

São meus dedos.

Feche os olhos e sinta.
Ao som suave da brisa,
minhas carícias que
vão lhe envolvendo.

Sinta o toque na pele,
que traçando seu rosto
vai descendo mansinho
em direção ao seu peito.

São meus beijos.

Sente o roçar pela cintura,
como asas de libélula voejando?
É minha língua.
Vou adentrando.

Das vestes, já liberto,
sinta o tempo de agosto
que vai molhando seu corpo.

Estou provando seu gosto.

Segure de leve, pressionando,
minhas ancas
transformadas em rédeas,
enquanto vou cavalgando.

Fica assim...
Parado a sentir
o veludo húmido lhe envolvendo.

Você está dentro de mim.

Rápido...
Vem comigo!
Vamos chegar ao fim...

Agora abra lentamente seus olhos.
Sinta a vida transformada
em seiva que de seu corpo flui.

Não me procure.
Como a tarde dessa primavera

Eu já fui...


Beijinhos na boxexa
Bom Fim de Semana
Arte de Amar
www.intimomisterio.blogs.sapo.pt

R@Ser disse...

Todo dia ...é dia de Jorge
Todo dia....é dia de Jorge(hehehehe).
Olá meu querido amigo...venho só para uma visita rápida.


Bjinhos doces e bom domingo.