segunda-feira, 7 de maio de 2007

Uma homenagem feita a uma certa moça...

Tomando a liberdade de publicar aqui um diálogo com uma fada, que encontro em cantos recôndidos de minhas sinapses...

Salve salve minha cara.. tão rara..
E nós nesse saara..
Envoltos por essa coisa amarga..
Me cansa incolor bestialidade dos ordeiros..
São como cinzeiros..
A transbordar a carga..

"Quero deixar as janelas abertas
E deixar o equilíbrio ir embora
Cair como um saxofone na calçada
Amarrar um fio de cobre no pescoço"

Pois saibas minha dama..
NEsses momentos em que me instiga a chama
Da minha face desgovernada e insana
In sana..
Acompanhe bem a trama..

"Ascender o intervalo pelo filtro
Usar um extintor como lençol
Jogar polo aquático na cama
Ficar deslizando pelo teto"

São tantos os iluminados
E tão pouos os descaídos..
Ainda menos os assumidos..
Talvez isso faça desses lados mais bonitos
E nem por isso mais convictos
Oh não..
Pobres descaídos..
Os iluminados ordenam..
Enquanto somos o caos inerente ao sistema..

"Da nossa casa cega e medieval
Cantar canções em línguas estranhas
Retalhar as cortinas desarmadas
Com a faca surda que a fé sujou"

Por sorte há lua
Com esse cheio brilhar
E o sol, que ando a buscar
Pelo alvorecer da manhã
Hoje não há de falhar
Um rodopio amigo
De pensamentos contigo
Essas nossas colisões de instigância rara
Sempre inspirador saber de vicissitudes de avatares..
Desses seres alados e asas sangradas
Sagradas
Profanas
Marcadas..

"Desarmar os brinquedos indecentes
E a indecência pura dos retratos no salão
VAmos beber livros e mastigar tapetes
Catar pontas de cigarro nas paredes"

Agradecerei-te sempre pela singela companhia
Nessa caminhada imaginária
Solitária
Do dia a dia
Conhecida, pensada, resistida, mas nunca vencida
Sempre batalhas por travar
"Nunca se vence uma guerra lutando sozinho.. cê sabe que a gente precisa entrar em contato" já diria Don Raulzito
Enfim, és ombro amigo
Que carrego comigo
Digna de sussurros

"Abrir a geladeira e deixar o vento sair
Cuspir um dia qualquer no futuro
De quem já desapareceu
Deus.. Deus.. somos todos ateus"

QUe lhe andem temperados os sabores
E brilhem os depositários de seus olhares
Afortunados de tamanha sorte
Dessa sua magnificência forte
Não só nos cortes
E nos fados
Mas nos bordados
Nas pegadas guardadas..
Nos olhos brilhosos
E nas curtas madeixas..

"Vamos cortar o cabelo do príncipe
E entregá-lo a um Deus plebeu
E depois do começo
O que vier vai começar a ser o fim"

Enfim..
És sempre bem vinda em meu esfumaçado mundo..


Espero que não te importes de fazer de todos, o que era só teu...
Hei sempre de recompensá-la

4 comentários:

tayná. disse...

banhada na brisa do teu carinho, eu sigo. como agradecer tamanha lisonje? eu que vejo o mundo em teus olhos e entrego em tuas mãos meus medos e sorrisos, recebo algo de tamanha sublimidade e siginificação. as palavras por mim escorrem, eu queria agora derreter no teu colo. nossa fúria desprendida. somos dois urros eloquentes, por enquanto. deus meu tão sublime quanto as flores de meu jardim. entrego-te a chave, abro as janelas para que pules. dançaremos até que o sol vire lua e a lua vire sol novamente. abraçar-te até que os braços fiquem dormentes. olhos nos olhos. vista no horizonte. o calor da poesia derretida. nesse teu mundo esfumaçado, eu entro descalça e com aquele sorriso que já é teu. viajaremos no branco da fumaça e no verde dos pensamentos. poderia dizer-te as palavras sagradas. juro que podia.

tayná disse...

não chores, não por mim
guarde o choro para os sãos
por mim, grite.
como eu que aqui fico rouca de tanto gritar
tentando te chamar
para os meus sonhos de fada
para os banhos de mar
para noites enluaradas.

tayná. disse...

o Sol aqui te emana, sobre todos os traços meus. poesia louca, insana. sem medo ou breu. não mais me apetece lamentar a musa diluída. é tão pura e venenosa. prefiro degustar a vida. tu me ensinas a viver. a cada dia mais. mostra-me os caminhos abertos para um sorriso de paz. tu, célebre homem, possuidor de toda a sabedoria. com longas madeixas de entropia. alma que protege nas noites frias. admiro-te até o último pêlo do pé.

tayná. disse...

Lambidas nas asas rubras de amor
Como tuas mãos
Sujo o teu chão
Sou suor e olor

Nas curvas do tempo
Iremos as ondas pular
Como saltos de boa sorte
Movimentando sul e norte
Na rede e no mar

Lá no umbigo abrigado
Estão tu e tua poesia
Mistura louca que me dá a fantasia
Como nariz manchado de olfato

Não te esqueças
Aí estou eu
Entre o sujo das tuas unhas
Trançando teus cabelos
Com olhares vivos e sem medo
Lambendo a tua poesia crua

Eu, despida das culpas
Hei-de entregar-te a chave da minha caixa
Cheia de surpresas e de vida vasta
Para que pingues tua fome de Lua

Descabelados no chão molhado
Rimas fluindo como ar
Cantarolando nas margens do rio
Brota flor, nada boto
Calor pra quem sente frio
Frio pra quem não cansa de suar

Poesia marginal, a nossa
Sem pontos nem vírgulas
As cores tão vívidas
A quem interessar possa

Como um bilhete de bom dia
Um sorriso de Amor
Dentes quebrados pela fome
Línguas comprimidas em horror

Horror delicioso de abraçar
No tempo do tempo das coisas sem tempo
Quando a vida era um breve espreguiçar

Penduro-me nos teus braços abertos
Vou desenrolando
Até num abraço encaixar.