sexta-feira, 10 de julho de 2009

Pra ser sincero ou Quando desafio titãs...

Houve um tempo
Em que tudo era perfeito
Em que ao seu olhar eu era afeito
Que tudo que eu mais queria
Era tê-la no meu leito
Pra tudo dava-se um jeito
E nada interfiria
Era então, o tempo do aceito

Nesse tempo
O tesão era desenfreado
Todo e qualquer problema
Era facilmente superado
E tinhamos um lema
Vamos viver um amor alado
Tínhamos a paixão como tema
Embalando nosso fado

Bom tempo aquele
Em que agradar era o objetivo
Estavamos aí pra mostrar serviço
Mesmo nas dores
Não havia sumiço
O semblante era altivo
Era um tempo das flores
Perfumando nossos amores

Mas o tempo passa
As coisas costumam perder a graça
Tem dias que a gente nem se abraça
Se deixa ficar ali pela praça
E pensa que tudo podia ser diferente
Em como o mundo é cheio de gente
E no que faríamos daqui pra frente
Mas mesmo assim, a gente rechaça

Pois eu irei falar com Cronos
Mas não pra declarar nenhuma desgraça
Nem pra pedir abonos
Apenas pra lembrá-lo do espaço
Esse intertício físico do tempo
Onde fazemos nosso regaço
Impomos a necessidade de um amasso
E esquecemos de apressar o passo
Porque ainda temos todo o tempo do mundo...

"Pra ser sincero
Não espero de você
Mais do que educação
Beijos sem paixão
Crimes sem castigo
Apertos de mão
Apenas bons amigos...

Pra ser sincero
Não espero que você
Me perdoe
Por ter perdido a calma
Por ter vendido a alma ao diabo..."

11 comentários:

Fernanda disse...

bom tempo, aquele.

mas é preciso também brindar aos novos tempos...


ouvi essa música HOJE.


beijo.

Larissa disse...

'E esquecemos de apressar o passo
Porque ainda temos todo o tempo do mundo...'

Palavras lindas, como sempre. :)

Fi disse...

Eu venho sempre mesmo quando calo
Vejo só
Deixo q suas palavras me toquem
Me embalo nessa cantiga q é sua poesia
E me deixo acontecer
Por momentos só eu e meu querer
Q tudo fosse diferente um instante
E eu pudesse de novo encarar meu semblante
Olhar de frente o espelho e ver-me a mim
E n aquela q me fugiu
Tou assim perdida na estrada
N há palavras pra dizer o q n sei
E fico, lendo vocês e me procurando
Até q a fala me volte
E eu possa dizer o q me envolve
Aí te direi q no meu desatino
Você deu à minha desordem um alinho
De cada vez q me perco no caminho
Venho e leio você
Ganho o tino
E volto a acreditar no destino...

Ego. disse...

é o tempo das flores...
e como a primavera sempre chega depois do inverno, vamos esperar as flores brotarem novamente!
:)

Coisa linda viu meu rey!

Tâmara disse...

Valente, so pra lembrar:

È do passado que construimos o presente!...se nao for assim...não serve!

Xero!

Débora Andrade disse...

"Bom tempo aquele
Em que agradar era o objetivo
Estavamos aí pra mostrar serviço
Mesmo nas dores
Não havia sumiço
O semblante era altivo
Era um tempo das flores
Perfumando nossos amores"

Ah, saudades!
Blog incrível, poesias inspiradoras.

Camila disse...

Um poema universal! Adoro isso, sabia? Conseguir escrever em versos e rimas uma situação que quem não passou ainda vai passar. Porque alguns amores, por maiores que fossem, sofre com barulho do relógio.

Estava com saudade da sua poesia.
Beijos!

E salve Jorge!

tresporquatro disse...

Borges, meu caro, esse post me trouxe à cabeça uma música lindamente interpretada pelo Ney Matogrosso, chamada "Novamente".

"...o tempo que antecipa o fim
também desata os nós"

http://www.mpbnet.com.br/musicos/ney.matogrosso/letras/novamente.htm

Abraços imensos, sempre.

Nathália E. disse...

O tempo passa e arrasta muita coisa consigo.
E o pior é nunca saber o que é que ele vai resolver levar.

Priscila Mondschein disse...

Peça mais tempo a Cronos, Jorge, pra que esses momentos não tenham fim!!!!
Beijos

Maria Muadiê disse...

gostei!