
"O objetivo principal não é descobrir, mas refutar o que somos. (...) Não é libertar o indivíduo do Estado e de suas instituições, mas libertar-nos, nós, do Estado e do tipo de individualização que vai ligada a ele. É preciso promover novas formas de subjetividade..." Foucault
segunda-feira, 2 de março de 2009
Pra terminar ou Melhor post de Novembro

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Melhor post de outubro...
Mesmo em meio à tempestade
No olho do furacão
A vida segue boa aqui na cidade
Do planalto central
Afinal é carnaval
E festejar vira condição
De preferência no Pacotão
E trouxe o melhor post de outubro
Época em que faço aniversário
De boas energias me cubro
E como ando de festejos
Andei saindo com minha hermana
Saborosa criatura insana
A quem não canso de dizer desencana
Vai aproveitar teus desejos
E fazer correr o sangue rubro
Que pelo que vejo
É sempre um ensejo
Do que planejamos
Então vamos que vamos...
Pra minha irmã ou Por ser toda essa alvorada...
Quando Deus não me deu uma irmã
Subi lá no céu
Num incontrolável afã
E mesmo com minha veia pagã
Fiz um imenso escarcéu
Dizendo pro manda-chuva
Que faltava ainda uma luva
Pra caber na minha mão
Que já era mão de irmão
Mas que sentia a falta de uma menina
Pra ter toda minha estima
Uma do tipo que anima
Boa pruma prosa fina
Isso sem falar pruma boa diversão
Compreendendo a situação
Não é que o dito Senhor de Tudo
Mesmo tendo ficado estarrecido e mudo
Fez um sinal de eu te ajudo
E me mandou lá pro finado Estação
Na 109 sul
Onde com uns amigos de estudo
Encontrei uma mocinha toda cool
Que combinava bem com meu azul
E que também caçava um irmão
E foi ali sentados no chão
Escutando People are Strange
Que a gente se reconheceu
A irmandade aconteceu
Em meio à conversação
Ela tanto me apeteceu
Que tá aqui no peito guardada
Minha irmãzinha sagrada
Já depois de tanta estrada
Por ser grandiosa e espivitada
Por ser dançante, musical e tresloucada
Por ser alucinante, cachaceira, especial e animada
Por ser toda essa alvorada
Eu que agradeço
A companhia na jornada
Você não tem preço
E olha que ainda tamos no começo
Ainda há de haver muita mais irmandade a ser celebrada...
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
2o Melhor post de setembro...
E vendavais
Tanto vendem
Quanto mais
Dependem
De se desejar mais paz
Algo mais
Usar o ás
Ser sagaz
Que as coisas rendem...
Convite ou Canção do Refúgio...
Minha terra tem zoeiras,
Onde se bebe pra daná;
E os malucos que aqui festejam,
Sempre aparecem por lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas lombras têm mais flores,
Nossos bosques têm mais bebida,
E na bebida mais amores.
Ao fazer fumaça à noite,
Mais loucura encontro eu lá;
Minha terra tem zoeiras,
Onde se fuma pra daná.
Minha terra tem sabores,
Que tais não encontro eu cá;
Pra me embalar toda à noite–
Mais lissergia encontro eu lá;
Minha terra tem zoeiras,
Onde se dança pra daná.
Não permita Deus que ninguém morra,
Sem que consiga se acabá;
Sem que disfrute os frescores
Que não se permite por cá;
Sem qu'inda participe das zoeiras,
Onde tudo é festejá
Salve salve ilustre pessoa, que mais uma vez eu venho convidar pra vir engrandecer meus festejos de aniversário na famigerada e mais que tradicional chácara do Gordo, na travessa da perdição sem número, no rumo do amanhecer vindouro. Tal celebração dar-se-á no dia 25/10 a partir das 22h horas, bastando levar a mente aberta, as pernas agitadas, uma caixa de cerveja e ânimo pra mais uma empreitada...
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Coisas ou 1o Melhor post de Setembro...
Hoje à tarde eu tomo posse na Fundação Educacional e daí a vida será 40h na Câmara pela manhã e 20h à noite na Fundação.. mas sabe como é né.. sonhos.. o que seria de nós sem eles.. pois esse sonho, eu componho, desde que era um moleque risonho.. sem saber dos moinhos, que azedava o vinho, que tinha tanta barreira pelo caminho.. daí que me apego ao sonho que componho desde moleque risonho para redefinir meu ninho, pra vencer todo e qualquer espinho, pra seguir com meu desalinho.. é nisso que minha vontade ponho.. num sonho...
Falando em sonho.. aí embaixo está o 1o melhor post de Setembro.. pois é.. vai ter mais que um, afinal eu que faço as regras.. pois então.. esse foi em homenagem e celebração da Dona Toop que fez o layout novo do meu blog.. ela sabe da minha gratidão e apreço por todo esse universo, toda essa entropia e todas essas revoluções por minuto que ela é... pois então.. vermelha com uma pintas pretas que nem joaninha...

Pra quem incendeia ou Doce acidez...
Pro meu azul
Tem muito vermelho
Um tanto invertido
Mas ao contrário do espelho
Vento sul
Sempre munido
De fina ironia
E de uma simpática antipatia
Que arroxa minhas cercanias
Com seus olhinhos de caos
Pura entropia
Impura pira
Incandescente
Indolente
E ainda por cima exigente
E põe exigente nisso
Fogueira
Que atiço
Como se fosse a derradeira
Incêndio incontrolável
Devastador
Mas inversamente adorável
Seja num sério labor
Ou falando besteira
Ela faz agradável a vista
De quem se equilibra
Na beira
Do abismo
E dista
Com ímpar fibra
Do autismo
Da maioria
Nem tanto pela fineza da ironia
Ou pela doçura da acidez
Que queima o que vem pelo caminho
Mas pelo talento em ser espinho
Em ser flor
Rubra cor de vinho
Onírica todo o momento Ela é um delírio
Como a morte
Forte
Maior que qualquer corte
Que qualquer martírio
Por isso que tento
E me reinvento
Pra que puxes assento
E assente
Aqui na frente
Pra gente finalmente
Poder encaminhar devidamente
Olho por olho
Dente por dente...
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Coisas passadas ou Melhor post de Agosto..
P.s - Tomei posse como professor da Fundação Educacional hoje (\o/)...
Pedaços ou Um bêbado, Um equilibrista...
- Foi ali.. aquilo? Quer saber daquilo?.. Bem, o que dizer daquilo se não que é um pedaço... não pode esperar que atente para tudo enquanto passo.. se eu me engraço, me embaraço, me amasso.. e convenhamos não sou nenhum devasso.. mas confusão eu raramente caço.. ela é que me caça.. coisa danada de sem graça.. mas é corriqueiro aos dessa praça.. mais achegados a uma cachaça.. servirem de caça pra confusão.. que raramente tem perdão de quem não só anda grudado olhando pro chão...
- Cruzes.. tudo isso pra dizer que era um pedaço? Putz.. tenho medo de perguntar pedaço de que..
- Pedaço.. do meu traço.. um certo erro crasso.. que eu agora rechaço..
- Agora rechaça?
- Sim, que em mim...
- Para, para parapara!!!
- Ora mas...
- Como você se livrou daquela massa amorfa e sonora borbulhando na calçada?
- Entenda, que sou poeta e quando algo me afeta...
- Você precisa fazer essas riminhas chechelentazinhas?
- Se minhas riminhas, lhe parecem chechelentazinhas.. o que quer que isso signifique, não espere que eu abdique, das verbalidades minhas, para que sua percepçãozinha, lhe permita, que confortável fique, estagnado como um dique, enquanto faço um convite, para que transcenda um limite e é isso que evita...
- Não sei se entendi bem.. mas se você puder ser menos.. confuso.. enfim.. aquela coisa gemendo e sangrando e borbulhando na calçada não é do tipo que a gente vê todo dia...
- Entendo sua agonia, sois do centro e eu da periferia.. daí tua falta de simpatia ante a minha prosa vadia.. mas no teu jogo não entro, que eu muito mais descentro.. continuidades arrebento.. sigo com o vento.. e as borbulhidades ficam pelo caminho..
- Borbulhidades? É assim que você chama aquil...
- Chamei agora, mas em outra hora, chamarei diferente, pois tanto me passa pela mente, que pode ser que outra expressão eu invente, afinal por mais que tente...
- Certo... certo.. bem eu preciso ir indo e.. foi um prazer.. um prazer bizarro, mas interessante.. eu acho...
- Eu sorrio, que pro teu pio, tem muito canto.. se te assuta o encanto, não está preparado praquilo que janto.. pros volteios do meu assovio.. vou ver o céu que se abre no estio após mais parto, que dessa obliquidade estou farto.
- Ei, ei.. pera aí.. parto? Você pariu aquilo? Puta que pariu, não acredito, tenho que contar isso pra...
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Melhoras ou Melhor post de Julho
Aproveitando vai aí o melhor post de julho...
Por um punhado de suspiros a mais ou Par...
Era preciso.
Era precipício.
Eras eram
Errar perdido
Era impreciso
Seu vício
Ela.
Cinderela
Sem frufrus
A muito não era donzela
Mas era dama
Era drama
Era copo
Com seu corpo
Cálice sagrado
Era em si uma festa
E pra ele uma fresta
Um caminho profano
De tão perfumado
Alguém que tudo lhe empresta
Sem nada em troca esperar
Tudo de bom grado
Dado
Pra ele que era tão errado
E mesmo assim abençoado
Com aquele sorriso de deusa
Com aquele pranto de menina
E com sua perfeição
Que o alucina
O cala
O embala
Porque amá-la
Virou sua profissão
Iria doravante
Se fazer inigualável amante
Consagraria a ela toda a criação
Desde a mais cálida rosa
Até o sushi de salmão
Cada dia quente de verão
Roupas espalhadas pelo chão
E no frio do inverno
O carinho terno
De algo que parece eterno
A cada instante-turbilhão
Dividindo o pão
Ou brigando pela manteiga
Pra perceber que pra ambos
Tem requeijão
São perpétuos escambos
Entre duas partes leigas
Das formas mais meigas
E das menos
Dos equilíbrios desestruturantes
No fim, eternos infantes
Como antes
Quando pequenos
Ainda errantes
Ainda inebriantes
Mas agora
No avançado da hora
Acompanhados nos rompantes
E serenamente mais plenos...
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Coisas passadas e novas ou Melhor post de Junho...
Boas energias procês.. beijos.. e inté...
Desentendimento ou De saida...
(Ele a olhou entrar com aquela arrogância de quem não deve nada a ninguém..)
- Boa noite.. (ele disse em tom de ofendido, vendo-a trazer os sapatos nos dedos da mão direita, um cigarro equilibrado nos lábios, a bolsa pendendo pra frente e as chaves na outra mão ainda junto à porta...)
- Ah.. oi.. você não devia fazer essas coisas.. eu posso me assustar algum dia.. parece um fantasma com essa cara pálida no meio do escuro.. (ela disse sorrindo desajeitadamente, tentando parecer ereta e equilibrada e fechando a porta. Isso, no entanto, provocou a queda de um dos sapatos.. ela sorriu mais largamente e se abaixou despudoradamente para pegá-lo.. ele olhou pras coxas dela e imaginou grandes roxos sob a meia-calça na penumbra.. imaginou o cheiro do suor misturado ao dela, ao tabaco e ao alcool..)
- Acho que não vai haver um dia! (ele disse tentando ser ríspido, mas sendo apenas seco..)
- Ãhn?! Ah.. bem.. (ela disse ficando ereta mais uma vez, sentindo uma tontura que pareceu mais importante que tudo até ali e tendo a impressão de sentir um cheiro..)
- Não está nada bem.
- Sim.. sim.. eu sei.. é que.. (ela apagou o cigarro contra as costas da porta numa quadratura já repleta de marcas negras pontuais..) .. desculpe.. eu limpo amanhã..
- Não precisa. (ele se levantou..) Eu tô indo embora..
- E pra onde você vai? (ela largou os sapatos no chão e tirou a bolsa com a outra mão..)
- Vou voltar pra casa.. de certo modo...
(Ela riu por dentro..) - Pra SUA casa? (mas seus lábios apenas tremeram..)
- De certo modo.. eu vou.. tenho de ir.. não posso mais ficar nesse lugar com você...
- Claro, claro.. (ela disse se permitindo sorrir, dando de ombros, enquanto ia para o banheiro..) Pobre de você.. tão puro e imaculado antes de ser estuprado pelos meus maus modos... (ela baixou a calcinha, deixando a porta aberta e sentou-se no vaso...)
- Você podia ter tido alguma consideração por..
- Pela sua imaculada perfeição? Pelo seu cabelo bem penteado? Pela porra do teu carro zero? Ou quem sabe, pelos filhas da puta dos seus papais... (as palavras dela mesclavam-se ao som da urina encontrando a água parada no fundo do vaso.. seguiu-se o som da descarga e o do rolo de papel higiênico que é puxado..)
- Pelo meu amor.. (ele murmurou indo em direção à porta antes de puxá-la..)
- Mas eu tive.. (ela disse vindo do banheiro..) Eu comi o seu amor.. mastiguei cada pedacinho.. me enfastiei dele.. dormi perguiçosamente a cesta.. depois vomitei como cachorra apenas para comê-lo de novo.. e depois o expeli nas minhas fezes, na minha urina e no meu suor.. (ela alcançou a bolsa e tirou dela o isqueiro e a carteira de cigarro..)
- Mas eu prefiria ser saboreado.. curtido.. (ele disse deixando correr uma lágrima solitária..) Eu queria que você me amasse e não que me devorasse..
- Ora, meu bem, pois vá tomar no cú você e seu amor de principezinho acastelado.. aqui é o mundo de verdade.. amor movido a combustível batizado e altamente poluente.. (ela soprou a fumaça satisfatória da primeira tragada..)
- Você precisa dessas metáforas ridículas.. (foi o rancor que falou por ele..)
- Por que não? Não tenho medo de fazer comparações..
- Claro.. você e sua sábia experiência.. suas podres experiências..
- Pois é.. mas você bem que gostou.. (ela disse sorrindo com malicia, batendo a cinza no chão e voltando a tragar com um brilho felino nos olhos..)
- Eu.. eu.. eu estava.. intoxicado..
- Claro.. claro.. "é sempre mais fácil achar que a culpa é do outro..".. ou melhor.. é sempre mais fácil achar que a culpa não é nossa...
- Eu fiz tudo que eu podia.. enquanto você..
- Não, queridinho. Eu SEMPRE faço tudo que posso.. você, por outro lado, começou a parar de fazer por só se preocupar com o que eu faço..
(Ele preferiu virar-se mudo, xingando-a apenas com os olhos, enquanto passava pela porta.. mas à frente ele viu a moça a quem tinha pedido que aguardasse. Ela era quase imperceptível nas sombras.. parecia fazer parte delas.. ela sorriu pra ele..) - Pronto?
- Sim.. (ele disse tentando esquecer o que se passara.. pensou com otimismo no que o aguardava.. Em outra direção, alguns passos para trás, uma mulher entrava no próprio quarto e encontrava o cadáver com uma bala nas idéias e os miolos vermelhos de forma impressionista estampados na parede...)
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Coisas passadas ou Melhor post de Maio...
Depois ou Sobre porque é preciso navegar...
Depois
Pois.. ora pois...
Nós dois
Ah, nós dois...
Quem foi que depôs?..
Não importa
É essa vida torta
Essa gente morta
Os pulsares da aorta
A navalha da vontade que tão bem corta
A gente...
Nunca é diferente
Por mais que se tente
Pode-se preferir quem mente
Mas é que de repente
A toada do repente
Fica dormente
Cada qual mais exigente
A tolerância cada vez mais rente
É sempre um tal de daqui pra frente
Tudo vai ser incrivelmente diferente
De nada vale o arroz
Os sóis que sois
O antes
Aqueles amantes
Que tal qual infantes
Simplesmente inebriantes
Com seus peitos tão arfantes
E suas artes de gozarem instantes
Aprendendo a ser atentos errantes
Incansáveis e deslumbrados viajantes
De um micro-universo
Reunindo o disperso
Compondo um verso
Ignorando o controverso
Tão aéreos
Que submersos
No etéreo
Saboreando cada despautério
E erguendo seu império
Que como todo império
Depois
Perecerá...
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Fim de ano, começo de ano, mundo mundano, mudando e valsando.. e o melhor post de Março
Boas energias aí pra tod@s.. e vamo que vamo que esse 2009 vai dar trabalho, mas trabalho cheio de frutos...
Estou perdido ou A vida é a arte do encontro...
"A vida é a arte do encontro
Embora haja tanto desencontro..."
- Estou perdido...
- Perdido?
- Perdido...
- Você?
- Sim.. eu!.. Perdido..
- Estranho...
- Eu sei... mas na verdade já não o é tanta assim...
- Ia dizer que você parece bem aí pra mim.
- Mas não estou...
- Como não está? Eu posso pegar em você.. veja...
- Mas isso que você pega não me é de todo...
- Ah é? E o que te seria que não isso? Seu espírito?
- Não.. meu espírito eu penhorei a tempo demais pra fazer qualquer diferença...
- Claro, claro.. posso fazer só um parenteses rapidinho.. valeu.. hoje você tá muuuito estranho... continuando.. e onde você está então?
- Não sei.. como comecei a dizer.. estou perdido..
- Perdido de você mesmo?
- Ora se não é só de mim que poderia sê-lo...
- Precisa de ajuda para procurar?
- Seria um tanto inútil a bem da verdade...
- Faz tempo?
- O que?
- Que está perdido..
- Não.. nem tanto.. eu poderia lhe dizer que uma década, mas seria leviano.. poderia dizer que a 3680000 trilhões de gerações de bactérias A5V7 mas seria rebuscado e barroco...
- Você está realmente estranho hoje... mas e então vamos procurar?
- Já lhe disse que é uma busca sem sentido...
- Ouvi dizer que estas são as melhores.. aquelas que duram uma vida inteira..
- Ou mais...
- Pois é...
- Das que pra aguentar só com boa companhia...
- Era o que dizia aquele sambinha...
- Não.. ele dizia que sem um cigarro, uma cachaça e um carinho ninguém segura esse rojão...
- É mesmo... bom, aceita a companhia sr. Perdido?
- De muito bom grado.. é por cá o caminho da perdição... além da cúpula do trovão nas imediações de Pasárgada... mas aviso que vai ser eterna errância..
- Então nós teremos muito o que conversar....
"Não sei onde eu tô indo
Mas sei que eu tô no meu caminho..."
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Coisas passadas ou Melhor post de março...
Além disso, tive o privilégio de ter uma das minha rimas publicada no blog da Camila.. fico deveras lisonjeado viu minha cara e aproveito pra deixar o link dela aqui pra quem não conhece esses róseos caminhos... http://caminhosdecamila.blogspot.com/
Fantasias de um delírio inexato ou Mais hidromel...
(Era uma padaria. Dessas de tinta descascada na parede, muitos cartazes de mulheres graficamente tratadas pelo computador anunciando cervejas em posições apelativas, banheiros desagradáveis, alguns ovos esverdeados atrás de um vidro de higiênie duvidosa.. ou seja uma padaria, que podia ser um bar, podia ser um mercadinho.. mas se denominava padaria. Enfim, lá deu-se o encontro.. eles se viram, sorriram simpaticamente e sentaram.. os olhares tentavam falar, mas ainda não tinham achado o idioma certo...)
- Salve salve.. (ele disse como se fosse naturalmente a primeira coisa a ser dita..)
- Olá.. (ela disse meio sem jeito..)
- O que vai ser? (disse o homem da padaria)
- Uma cerveja.. dois copos..
- Mais alguma coisa?
- Por enquanto só isso.. (e ele voltou a olhar para ela, sorrindo da felicidade genuína que o encontro produzia. Se conheciam a tanto tempo que o próprio tempo não fazia qualquer sentido. E eles sempre tinham habitado as periferias dos próprios sentidos, escorregando em beiras de abismos, suspirando na intermitência de certas janelas.. debruçados sobre o beiral, um contato imbricado na poética do delírio puro... e assim se viam de novo pela primeira vez...) Pra mim é como se todo o mar explodisse numa míriade de gotículas flutuantes desdenhosas da gravidade, satisfeitas em refratar a realidade num turbilhão de possibilidades...
- Ai.. eu não sei como você consegue.. assim.. aqui.. entre o saleiro e o copo de cerveja... desculpa, eu sei que.. mas é tudo tão estranho... eu não consigo com a Juliana Paes rindo pra mim..
- Sempre teve esse sabor profano o nosso verbo, daí que não consigo navegar num céu sem as penas dos descaídos... é como se eu cuspice lírios porque plantaste tantas tulipas no meu estômago.. (Ela sorriu e baixou os olhos..)
- Ah, eu queria tanto cantar com você até os muros arrebentarem, as asas sangrarem e nossos desejos alçarem vôo até o mar, nosso mar.. mas é que agora parece tão.. inapropriado.. você aí.. eu aqui.. assim, não era.. na boa..
- É que eu não me vesti.. (e os olhos dela se levantaram passando para a camiseta mundana toda azul da hering, um tanto desbotada das lavagens..) Meu pudor me impediu de vestir qualquer coisa.. achei que nada ficaria bem diante dos seus recortes.. as asas presas não permitiriam um conforto significativo.. e você teve o pudor de não se despir, aqui na padaria sua nudez seria explícita demais.. (ele bebeu todo o copo de café com cerveja em um só gole..) Mas descascá-la sempre foi uma massagem pro torpor de existir..
- Já são camadas demais desde que a primeira erodiu sobre as terras gregas..
- Eu sei, a poeira da estátua cuspiu mármore demais pelo jardim.. e medusa preferiu convidar medéia para um chá do que a nós se juntar..
- Só você sabe pintar o vermelho com esse tom de delírio que eu tanto gosto (ela disse esquecendo a parede de tinta descascada ao lado..)
- E só você rasgou as prosopopéias ínfimas dos transeuntes permitindo o vôo mais impactante..
- Eu vim porque aqui foi sempre o estar cujo escapar era mais doce...
- Eu estive aqui sempre sabendo que esse mundo dimensionado entre nós dois produzia os relâmpagos mais cortantes, os trovões mais retumbantes e os desvios mais excitantes...
- Você e suas rimas.. fazendo do diálogo uma esgrima...
- É que sempre pontuamos nossos movimentos com esses saborosos ferimentos, que adocicam os lábios.. chocam os sábios.. eu virei vampiro das suas asas, que só a tua franja varre minhas vitrines.. atiça minhas brasas com quaisquer sintaxes que destines... (Ela ergueu a taça até os lábios como as ninfas faziam antes dos homens estuprarem o lirismo dos gestos.. sorveu o hidromel sabor de fantasias indianas oníricas.)
- Foi um privilégio profanar esse seu campo florido.. gosto muito da paisagem daqui das ruínas..
- Pasárgada sempre é mutante.. e para receber tão nobre visitante, que é residente com direitos de presidente, mandei tudo colorir, as arestas retocar e uns desvarios alimentar, tudo para que não pares de vir.. veja, pintei fogos de artifício com as oito constelações mais importantes para te lembrar que as galáxias são seus olhos e o buraco negro do teu umbigo é o princípio...
- Nunca parei.. (ela disse sentindo a brisa cheiro de sândalo..) Apenas ondulo na tua língua...
- Perdoe-me as lágrimas, mas se todas as fabulas tivessem morais tão significativas, uma sinfonia de silêncio nos acompanharia até o precipício do nosso abraço..
- Ainda podemos cantar a tangente de nosso mergulho..
- Mais hidromel? (disse o formoso homem formado por ângulos obtusos, cacos de ônibus espaciais e areia de ampulhetas do Egito Antigo...)
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Coisas passadas ou melhor post de Fevereiro...
Não exatamente o que eu queria ou Prefiro puro mesmo...
(Certo dia, ele resolveu beber a vida. A vida nunca foi sua bebida preferida. Começava doce.. mas sempre amargava no final. Tirou a tampa.. colocou no copo.. rodopiou-a enquanto a olhava e a vida olhou-o de volta.. nissou surgiu alguém.. que já tivera nome.. mas hoje preferia ser alguém qualquer, mais que ninguém e com um não ser que só sabe ser a mulher..)
- O que está bebendo?
- Você poderia dizer "o de sempre.."
- "O de sempre" hoje em dia eu prefiro com gelo.
- Eu sempre prefiro puro..
- Certas coisas nunca mudam.
- Tudo muda o tempo todo..
- Foi o que eu quis dizer. (ela disse antes de sentar ao lado dele ali no balcão..) Posso sentar?
(Ele olhou com seu melhor olhar de você já sentou..) - Claro. O bar não existe mais mesmo..
- Ouvi dizer. Então o que faz aqui?
- Estou bebendo.. sabe como é.. já sei foi o carnaval..
- Mais um. Agora o ano começa.
- Pois é.. mas eu não tenho pressa..
- Você nunca teve. Soube que passou num concurso.
- Passei.. pra professor substituto em Santa Maria..
- Parabens. Eu acho..
- Obrigado. Eu acho.. (Ele voltou a olhar o conteúdo do copo buscando melhor companhia..)
- Não adianta. Eu só vou quando eu quiser ir.
- Eu tinha esquecido..
- A maconha destruiu o seu cérebro. (e ela riu com deboche)
- Sei.. o que você quer afinal?
- Nada. Só resolvi dar uma passada.. ver esse seu corte novo de cabelo.. achei que você não ia cortar nunca.
- As coisas sempre mudam.. eu gostei dele um palmo mais curto..
- Pra mim ficou uma merda. (e ela acendeu um malboro light)
- Obrigado. Eu acho.. (e ele pensou se não era melhor tomar tudo de um só trago..)
- Disponha. (soprou a fumaça espeça como mármore) Você disse que gosta puro. Vai terminar o mestrado?
- Sim.. eventualmente.. em algum momento.. ao menos antes que ele acabe comigo..
- E como foi de viagem?
- Viajar é preciso. Viver..
- "Bem.. isso é uma longa conversa.. deixa eu apertar um enquanto falamos à respeito..." Você podia pelo menos mudar esses seus clichês. (e ela riu com desdém esnobe)
- Certas coisas nunca mudam.. e a viagem foi renovadora, algumas novas perspectivas, alguns redemoinhos de lama inescapáveis.. essas coisas..
- Claro, claro. Foi bom ver você.
- Gostaria de dizer o mesmo..
- Ah, mais uma coisa.
- Sim? (disse ele caindo na armadilha)
- Você sabe que eu acho essa história de metáforas vazias sobre a vida num blog.. ridículo né?
- Eu imaginei.. aliás estou imaginando..
- Pronto. Era isso. (ela levantou-se..) Até qualquer dia.
(Ele assistiu ela ir-se pelas ruínas do bar. Olhou mais uma vez para o copo onde a vida jazia sem gelo.. ao seu redor circulavam as quimeras de sempre, algumas novas e umas poucas ainda sem identificação.. daí tomouo tudo num gole só, limpou os lábios no antebraço, sentiu a queimação inicial no estômago e deixou-se embriagar, os sentidos se dobrarem ao entorpecimento e ver se pensava em algo mais sensual da próxima vez...)
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Coisas passadas ou O melhor post de Janeiro...
E foi assim... ou um começo de ano em um Universo Paralelo...
(E assim ele chegou, chegou como quem chega do nada, não trouxe nada e nada perguntou.. puxou uma cadeira com certo molejo, que a fez dançar sobre as pernas de madeira antes de interromper o movimento com espectância em frente a ele. Desfez-se do chapéu em movimento de certa elegância, a brasa dos lábios deixou descansar no canto num falso equilíbrio.. só então ergueu os olhos..)
- Muitas boas noites.. desculpe a demora.. mas é que lá fora tem tanto chão, tem tanta estrada.. e eu vou na contra-mão e minha passada é larga, que voltar demora, delonga minha hora, mas faz valer a ralação. Um ano é muita história, que ressoa na memória, 2007 foi embora e 2008 mal começou..
(Os olhos dele brilhavam com aquela chama de quem viu, se despiu e se curvou. Nos pés trazia lama.. não havia interlocutora que não lhe conhecesse a fama.. o precedia, mas isso ele nunca evitou. Tinha seu próprio passo.. um tempo seu, que fazia simulacro e camafeu do léu, do véu e de tudo aquilo que mesmo perdido, ainda era seu. Levou a chama aos lábios e deixou a impressão pirotécnica da fumaça falar por ele.)
- Ando sempre em companhia alada, gente amada, da qual sou cheio de precisão.. à vossa excelência, já agradeço a paciência e a atenção. Nessa vida saber saborear uma companhia é coisa de rara sabedoria e não é todo dia que podemos dar, porque quem dá mesmo não diz. Teria vindo antes, mas como o agora é nosso único instante, doravante lá fora há de parar tudo, ficar mudo o mundo.. nada mais justo.. pois agora, nesse instante, essa apoteóse do nosso contato, irei lhe confessar um relato..
(Equilibrou o fogo dos lábios. Chamou-a para dançar..)
"Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar.. Quero assistir ao sol nascer, ver as águas dos rios correr, ouvir os pássaros cantar.. eu quero nascer, quero viver.."
- Sim, minha dama, assim começa a trama, venha se enveredar. Toda boa história, todo relato, precisa duma chama, algo que se assanha, que eu chamo de musa, pra facilitar. Não é invenção minha, nem dos gregos, nem de qualquer leigo, que eu possa me lembrar. As musas tão por aí, por toda parte, em cada arte, até mesmo em Pratigí.. é só saber espiar. Eu fiz o translado, já ia deslumbrado, que doido que é bom nisso, bem sabe se deslumbrar.
(Ele baixou o tom de todas as cores, pois elas lhe deviam favores e era hora de impressionar a parceria, fazer além de prosa, poesia e bem sabia o que lhe agradaria e só então, de fumaça, dança e versos à mão, começou a suspirar..)
"One good thing about music, when it hits you, you feel no pain.. Oh, oh, I say, one good thing about music, when it hits you, you feel no pain.. Hit me with music, hit me with music now.. This is Trenchtown rock.."
- Era um mar e areia.. era gente em profusão.. eram incontáveis imensidões a derramar aos borbotões, saindo pelo ladrão. Eu tinha par.. sempre levo em mim minha sereia e quando a noite alteia, a gente sai pra dançar a psicodelia, esse ininterrupta e pós-moderna sonoridade que me invade, causa alarde, além de ter a primazia de me transmutar. Foi tanto, tão intenso, e eu ainda assim não canso.. fiquei etério, fiquei extenso. Eu ia de um nascer do sol até a constelação mais distante, orbitava por uns cometas e colidia com cada amante, cada profeta, cada errante.. cada grito, até na mais leve brisa, no mais fulgaz brilho, enquanto saia do trilho e descobria, mais uma vez, que é sempre primeira, que é tudo uma besteira. Uma piada tão bem contada, que só nos resta dar risada e celebrar a apoteóse da jornada.. a catárse caótica de cada confronto, de cada diálogo, saber boiar sobre o lago pra depois nadar contra a correnteza, porque no fim não há certeza maior que a nossa própria lapidação.
(Ele achou que ficou tudo muito extenso e resolveu deixá-la descansar.. colocou o chapéu na cabeça, reequilibrou o fogo nos lábios, enquanto esperava que ela enlouqueça..)
"Tente me ensinar das tuas coisas, que a vida é séria, e a guerra é dura.. Mas se não puder, cale essa boca, Pedro.. E deixa eu viver minha loucura.."
- O ano vai começando bem, 2008 promete. Temos só de ir para o infinito e além, para o alto e avante, que o resto é confete. E quando tudo estiver delirante, nesse instante, olhe pro lado, que nosso fado estará pronto e renderão esses nossos novos e constantes inícios, saborosos vícios que vem com os ciclos..
(Bateu as asas, sorriu seu melhor sorriso, enquanto os cabelos esvoaçavam..)
"Um grito de estrelas vem do infinito, e um bando de luz repete o grito, todas as cores e outras mais, procriam flores astrais, o verme passeia na lua cheia..."
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Coisas passadas ou melhor post de novembro...
Enfim, próxima postagem coisa nova... aguardem e confiem...
Dano ou Estar...
(Ele correu os dedos pelo papel. A caneta havia caído pesada sobre a materialidade que servia de veículo àquelas palavras.. e isso facilitava sua leitura...)
- Decidi escrever-te porque não mais aguentava pensar em você, precisava expulsar esses pensamentos de mim para o papel, para fora de mim, para algo alheio a nós dois...
(Ele parou. Levantou-se e deu três passos longos. Chegou até o som e ligou-o e apenas deixou tocar o cd que por lá já estava..)
- "The lunatic is on the grass.. the lunatic is on the grass.. remembering games and daisy chains and laughs.. got to keep the loonies on the path..."
(Tomou a taça na mão esquerda e tornou à leitura manual..)
- Muitas, tantas, inúmeras vezes as palavras me assaltam, me corroem, me impelem e dobram minha vontade com todo esse potencial limitante de percepções. Não me entenda mal, o problema não é você.. nunca foi.. nunca será. O problema sou eu.. sempre foi.. sempre será. É essa maldita besta insaciável que vive em meu íntimo, desejosa de banquetes apoteóticos a todo instante e desavergonhada de pedir, ainda assim, um 'teco' de qualquer lanche de outrém que lhe passe pela vista...
"The lunatic is in the hall.. the lunatics are in my hall.. the paper holds theirs folded faces to the floor.. and every day the paper boy brings more..."
(O papel ainda tinha o perfume dela. Era sempre inebriante e instigante aquele perfume, que para ele tinha um certo cheiro de kinder ovo.. ao mesmo tempo que conseguia invadir suas narinas, penetrar escorregadio pelo seu íntimo e atiçar suas partes. Bebeu vinho..)
- Por isso cheguei até você. Por isso preciso seguir o meu caminho. Sei que deve doer muito ler o que estou dizendo, mas tenho de ir para não me perder. Ficar seria dar algo de mim, que uma vez dado, me fará uma falta suprema. Não taxe-me de egoísta.. não que eu não seja.. sou sim, por escolha, inclusive.. mas não uma egoísta qualquer, sou egoísta pelo bem do equilíbrio universal. Posso jurar meu amor, mas não posso trair a mim mesma. Você que bebeu do melhor e do pior de mim, não irá querer ficar para ver o vinho tornar-se vinagre...
"And if the dam breaks open many years too soon.. and if there is no room upon the hill.. and if your head explodes with dark forebodings too.. I'll see you on the dark side of the moon..."
(O vinho já não desceu tão doce. Ele afastou a taça amarga, que agora mais parecia um réles copo de requeijão. Tateou o cinzeiro e retirou de lá uma ponta sobrevivente.. deixou a carta e acendeu-a. Deu uma longa tragada e a prendeu dentro de si, apenas para sentir a fumaça castigar seus pulmões. Não queria sentir nada de bom naquele momento..)
- Houveram tantos antes de você. Haverão muitos ainda.. eu espero.. pelo menos é como sempre tem funcionado. Mas nenhum como você. Como sei que nunca encontrará ninguém como eu. Não por sermos especiais. Simplesmente por sermos humanos. Demasiado humanos. Incomensuravelmente humanos.. mundanos.. fulanos e ciclanos...
"The lunatic is in my head.. the lunatic is in my head.. you raise the blade, you make the change.. you rearrange me untill I'm sane..."
(Soltou a fumaça, que já era quase ar. Seus sentidos inclinaram-se um pouco, mesmo que o mundo permanecesse na escuridão de sempre. Um mundo sem cores, sem curvas, ângulos e entalhes. Um relógio para ele era muito mais um tic-tac constante, do que um círculo numérico e cíclico. Uma carta era pra ele um ato quase sexual de desvendar um corpo com seu arguto tato.. e ela sabia muito bem disso...)
- Eu queria ter o direito de te dizer que sou sua. Mas seria mentira. E não que eu não minta.. minto o tempo todo.. mas seria leviano lhe retribuir dessa forma, seria como cuspir nos seus óculos. Um dia já acreditei que podíamos ter as pessoas.. hoje sei que podemos estar com elas e nada mais. E estar com você foi profanamente divino. Nunca ninguém me tocou como você. Muitos correram a mão pela minha carne, poucos pela minha alma.. nenhum antes, pelos meus medos. E sei que eu vi em você o que me ensinastes a ver de olhos fechados. Nosso retrato sempre ficará aqui guardado, num belo lugar do álbum, com menção honrosa.. entre o meu cão Gumercindo e um coleguinha de 2a série chama Leonardo Matias da Silveira que me roubou o primeiro beijo que tenho lembranças...
"You lock the door.. and throw away the key.. there's someone in my head but it's not me..."
(O baseado findou-se, já quase lhe queimando os dedos. Largou-o de volta no cinzeiro transbordante sobre a mesa de carvalho pintada de tinta acrílica branca.. o branco sempre tinha uma textura diferenciada das demais. Largou novamente a maldita carta da maldita dama com suas malditas palavras. Levantou-se e foi até a janela. Eram cinco passos médios. Parou esticou os braços e o batente estava lá como devia. Abriu-a. Sentiu a brisa da noite, desejoso de que ela trouxesse um perfume menos embriagante. Veio apenas o cheiro da fumaça suja da cidade.. da urina feita nas junções entre o prédio e a calçada.. o excremento de pombos que recobriam o telhado.. as damas da noite, que no parque ao longe, ondulavam ao sabor do vento.. pensou por onde estaria o mar...)
- Sendo assim, meu oráculo.. meu profeta.. meu apóstata.. meu espelho.. tenho de ir e já tendo ido, deixo este pedaço de mim transcrito para que nunca digas que não lhe dei nada. Sei sim que tanto recebi e tão pouco dei.. mas assim é a nossa natureza.. você é de dar, eu sou de receber.. e sou sedenta de muitas fontes.. sou como o mar, que precisa de muitos rios e da chuva e de sabe-se lá mais o que, para seguir em seu movimento de ir e vir. Quando nos encontrarmos novamente, sorria com carinho...
"And if the cloud bursts, thunder in your ear.. you shout and no one seems to hear..."
(Retirou as mãos do batente velho e já cheio de fissuras do tempo e levou-as até o cabideiro, ao lado, sempre ao lado, onde estava seu chapéu. Colocou-o sobre os cabelos longos como faria um gângster em um daqueles filmes antigos que ele nunca vira. Pegou o sobretudo, vestiu-o sentindo desde já o peso do que havia nos inúmeros bolsos.. caminhou os oito passos que o separavam da porta.. passos pequenos...)
- Ainda assim, sei que tens todo o direito de me odiar. Não o recrimino.. talvez ninguém me odeie mais do que eu mesma. Minha mãe sempre me dizia que eu era minha pior inimiga e não que eu devia tomar cuidado. Nunca fui do tipo cuidadosa mesmo. Mas que seja um ódio amável, ódio de querer arrancar-me do mundo e prender-me numa gaiola dourada, com boa água e alpiste da melhor qualidade. Certamente, seria a mais bela gaiola de minha vida. E, ainda assim, contigo lá.. com água.. alpiste.. conforto.. vinho, poesia e boa música.. ainda assim, não seria a liberdade. Perdoe minha vaidade e minha vã idade, mas tenho pés inquietos, asas sangradas e braços abertos para receber muitas flechadas...
"And if the band you're in starts playing different tunes.. I'll see you on the dark side of the moon..."
(Pegou a bengala que sempre ficava junto à porta. Girou a maçaneta. Olhou uma última vez para mesa, onde não mais jazia a carta, que chegara ao chão levada pelo vento que vinha da janela, como se pudesse vê-la. Suspirou uma longa desilusão. O corredor o esperava com a luz que se acendia sozinha. Pensou se deveria chorar. Acabou por sorrir o sorriso de quem já chorou demais. Fechou a porta atrás de si e foi-se adiante pela escuridão...)
- Por isso tenho de ir.. sozinha.. avante pela escuridão. Até qualquer dia, até um dia qualquer, onde talvez eu não parta, onde talvez você não fique, onde talvez eu suplique por estar farta de tanta tolice. Agora só sei que preciso ser tola e nada mais.. até outro dia.. meu amor tão fulgaz...
"I can't think of anything to say except... I think it's marvellous! HaHaHa!"
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Coisas passadas ou melhor post de outubro
Ao 12 de outubro ou Mais um ano que começa...
Mais um ano que começa
E lá vou eu sem muita pressa
Que esses vinte e sete anos
Parecem deveras promissores
Se já sem tantos infalíveis planos
Muito mais assenhorado das dores
Aplainados os maiores danos
E executados os árduos labores
Vou festejando meu janeiro em outubro
E sempre convidando senhoras e senhores
Pra saborear de meu sangue rubro
Temperado pelas vicissitudes de meus amores
De honras vos cubro
Que é momento de festividades
E conto com a vossa assiduidade
Para nessa nova idade
Seguir um fauno insône
Destroçador de amenidades
E entoador do que me consome
À parte a realidade
É loucura que temos imbrincada no nome
O sempre esperado dia doze
Foi cheio de ébrias doses
De entortar as mais firmes poses
E elevar mais altos as vozes
Eram circundantes os queridos e queridas
Meu tipo de gente preferida
Que me agracia com vosso encanto
E quase trás aos olhos um satisfeito pranto
Toda essa gente referida
Que eu bordo no meu manto
Já que o carinho é tanto
Que os arrasto pra tudo quanto é lado
São expressos em cada sutileza do meu fado
Em cada nota retumbante do meu brado
Quase um espanto
Este seguir num incrível crescente
Mas é meu jeito insistente
De marcar o meu canto
Com a grandeza de toda essa gente
Que diáloga comigo
Que se veste de abrigo
E leva um tanto de mim no umbigo
Depois de muito beber
Foi então a vez de dançar
Que noitada pra valer
Tem que ter uma música pra se acabar
E eu sempre hei de gostar
De sonoridade verter
Deixar o corpo com o ar reverberar
Dispersar todo o meu ser
Enquanto deixo minha mente voar
E para tanto nada como uma bala
Uma doçura extasiante
A mais capaz de fazer ressoar
A pala mais inebriante
Capaz de meus sentidos multiplicar
E assim fui avante
Até toda a madrugada desbravar
De alma devidamente lavada
Pude tornar à minha morada
Com altivo semblante
E satisfeito com essa minha estrada
Já que sou sempre um infante
Cuidando de fazer estilosa sua caminhada...
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Coisas passadas ou melhor post de setembro...
Descobri Pasárgada inspirado por uma musa e nunca mais arredei o pé de lá... lugar sem igual..
Quem quiser ler em conjunto com o Bandeira, verá que é um diálogo direto.. risos
Grande abraço e infindáveis energias...
Venha-se embora para Pasárgada ou Convite para minha festa de aniversário de 20/10
Venha, venha-se embora para Pasárgada
Pois cá és amigo do rei
E haverão gloriosas e tamanhas festividades
Pelas quais sempre esperei
Venha, venha-se embora para Pasárgada
Venha, venha-se embora para Pasárgada
Que aqui serás feliz
Aqui, existir será uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que loucura será traquejo
E o delírio será vertente
Tudo fazendo manejo
Da ebriedade mais potente
Irás dançar delirante
Tornar a ser infante
Expandirá suas sinapses
E tropeçará em suas sintaxes
Viverá o prazer do êxtase
Lindos e Suaves Delírios
Numa conjunta catarse
Digna das histórias
Que em seu tempo de menino
Rosa vinha lhe contar
Venha, venha-se embora para Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem processo seguro
De se expandir a percepção
Haverão sons multicoloridos
Haverão beberrâncias à vontade
Damas e senhoritos
Para um bom prosear
E se por ventura entristecer-se
Mas entristecer-se de não ter jeito
Se ao amanhecer der alguma vontade
De ir-se de vez mesmo
- Pois cá és amigo do rei –
Terás a fumaça que queres
Que eu mesmo apertei
Venha, venha-se embora para Pasárgada
A quem interessar possa, a costumeira festa épica dar-se-á na famigerada Chácara do Gordo, no altiplano da perdição. Aguardo as encomendas dos produtos necessários ao divertimento dos participantes e vos lembro, não ser permitido realidades estáticas e descoloridas por lá..
Todos os dragões, fadas, diabretes, seres místicos, poetas, loucos, entre outros, são mais do que bem vindos...
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Coisas passadas ou melhor post de agosto
Fábula ou na contra-mão dos sentidos...
Alice.
Lá estava Alice.
Só Alice.
Alice só.
Ali se via no espelho.
Alice via-se no espelho. Analisava-se os pormenores desajeitamente caprichados. Mudar a cor das mechas? Ou talvez tentar um novo passo? O espelho, por sua vez, seguia frio e reflexivo.
Alice passou os dedos da mão direita sobre a franja, tentando ajeitá-la, apenas para vê-la retornar ao mesmo lugar.. seria o mesmo? Agiu novamente, para obter a mesma reação..
Alice deu-se por vencida.
Suspirou... assim como a Alice do espelho...
Alguém a gritou lá de dentro. Dentro de onde? Da casa.. mas ela ignorou, era experienciada em ignorar. Ignorava os professores.. os locutores.. os pais.. a maior parte dos conhecidos.. até mesmo aquele cão chato que insistia em latir quando entrava em casa... se ignorar era uma arte, Alice era uma artista. Austista. Artista.. sorriu por um segundo tão breve, que mal viu o próprio sorriso no espelho.. Alice não era de sorrir. Guardava os sorrisos para os momentos devidos. Mesmo assim alguns escapavam dos ovários... e ela não se importava muito, desleixada em tantas coisas, negligenciava qualquer preocupação mais profunda...
O grito lá de dentro da casa que diziam ser de Alice, mas a bem da verdade não era, voltou a soar.. como um sino.. como na Igreja, aqui era a casa de um Deus e demônios como Alice tinham dificuldades de ficarem confortáveis, mesmo se fossem sindicalizados...
- Alice??? ALICE??!??! - o barulho que se seguiu foi o dos murros contra a porta que faziam até mesmo o espelho tremer, tornando a imagem de Alice difusa e imprecisa, de contornos indefinidos.. como Alice.. mas lembre-se, Alice era uma artista..
Baixou os olhos para as mãos pequenas, querendo com as próprias mãos acabar com tudo aquilo. Não por não suportar.. suportar não é uma condição, é um estado.. queria-o simplesmente pela possibilidade de fazer tudo diferente. Tudo novo. Não ser Alice. Ser talvez Aline. Ou quem sabe Alícia.. e até mesmo, Bruna... Alice tinha certeza de que seria uma excelente Genoveva.. mas Alice não era artista de certezas e, mal sabia, que não conhecia nenhuma Genoveva...
- A SENHORITA QUER FAZER O FAVOR DE DESTRANCAR A M-E-R-D-A DESSA PORTA?!!!! - retumbou a voz da mão cansada de golpear a porta... Alice só aspirou. Expirou. Estava pálida... era sempre pálida, pele alva com pequeninas sardas esporádicas a perturbar a brancura de sua imensidão. Isso destacava os lábios finos e que não eram vermelhos, como diziam ser vermelhos os lábios.. aliás Alice nunca vira um vermelho que satisfizesse suas espectativas.. e ela tinha tantas espectativas, que esmeradamente esperava. Destacavam-se também os olhos cotidianamente castanhos.. castanhos como o céu cinzento de uma grande metrópole.. sobre eles dois finos riscos chamados sombrancelhas. Quando pequena.. menor que agora ao menos.. Alice gostava de arrancar pêlos das sombrancelhas.. sua mãe sempre a recriminava por isso.. e como tudo que é repreendido, Alice parava para prosseguir na solidão de sua intimidade.
Isso a fez pensar em fumar um cigarro.
Tirou do bolso a carteira de alguma coisa light. Light? Era quase uma piada... fumaça light... ao menos o filtro era branco. Tinha o cigarro mas não tinha fogo.. e não poderia sair ou teria de lutar com a besta-fera que guardava a porta.. tanta vida, tantos desafios.. fitou-se no espelho...
- Tem fogo?
- Não, só cigarros..
- Então estamos na mesma.
- Pois sim..
- E de que me serves nessa prisão?
- Da serventia que me deres..
- Não serve pra acender o cigarro. - ela disse pondo-o entre a ponta de todos os dedos reunidos como se fosse um anel de casamento..
- TEM ALGUÉM AÍ COM VOCÊ?!?? MENINA.. - a voz parecia buscar alguma calma inexistente - Abra a porta, Alice.. prometo que não vou fazer nada..
- Promessas.. - Alice pensou para então falar - E o que tem desse lado aí?
- O mesmo que aí..
- Mais do mesmo?
- Sempre mais do mesmo..
- Não era isso que eu queria ouvir.
- Sinto muito..
- Sente nada.
- O nada tambem o sinto..
- Eu só sinto isso.
- O nada? Não.. não.. sentes mais..
- Não. - E foi tão retumbante aquela negação que findou qualquer possibilidade de diálogo.. Alice virou as costas para o espelho, colocou-se de joelhos e esperou que suas asas começassem a sangrar...
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Coisas passadas ou melhor post de julho...
Meu respeito
É diretamente proporcional
Ao que aprendo
Com quem me deleito
Não tem jeito...
Se não me potencializas
Logo deslizas de minha atenção
Ficas pelo chão
Enquanto ganho os ares
Buscando meus pares
Seres alados
Que anseiam pela imensidão
Podes muito bem ser um rei
Ou, ainda, uma imperatriz
E muito mais terei a dialogar com a meretriz
Que além das pernas
Me adorna as idéias
Mostra-me perspectivas
Além do balanço de seus quadris
Ou, quem sabe, com o bufão
Um bêbado fanfarrão
Recostado num balcão
Conservando a sanidade por um triz
Entenda que não me importa tua cor, seu tamanho ou sua forma
Mas o que te conforma
Teus credos, tua dor e teus medos
E as semânticas que elejes para defendê-los
Bebo muito mais de teus meios
Que de teus fins
Devo a tantos
O suplantar dos prantos
A extensão dos mantos
Que passei a saber
Era meu direito escolher
Assim como as lágrimas que hei de verter
Não mais pelos cantos
Mas assenhorado das escolhas
Cioso de toda a culpa
Sempre minha se me envolvo
Também pelos diálogos fortuitos
Instigadores de minha atenção
Recebidos como uma benção
Fazendo-me atentar para os caminhos infindáveis e múltiplos
E assim, aqui, não caberiam todos
Nem todas
A quem ostento admiração
Inigualável devoção
Incondicional nos modos
Por mostrarem novas modas
A este tolo doidão
Posso tecer imensuráveis honras ao meu pai
Este que ensinou-me a ser
Ou ainda à minha mãe
Que instigou-me a ler
Houveram ainda os amigos de infância
Comigo transpondo a ordem
E sorvendo a bonança
Pit, Robertão, Gordo...
Amigos dignos de minha criança
Vieram então os amigos maiores
Destruindo a ordem a cada gole
A cada tragada
A cada estrada
Camaradamente trilhada
Thiago, Humberto, Artur, Ju, Sinita, Pt, Fred, Kauara...
Hermana, Mirna, Cléia, Jujuba, Patrícia, Zanon, Tiaguera...
Tantos
Tamanhos
Inigualáveis
Não menores foram os amores
Que com seus intensos ardores
Me entortaram os louvores
Fizeram-me aprender a entender
A dor de cada um
O peso de cada escolha
A textura tênue da bolha
De nossos contatos dialógicos em comum
Thaís, Amanda, Débora
Aprendizagem que impera
Nessa criatura que se esmera
Em merecer tal anunciação
Aprendi com os vadios
Os notívagos
Os descrentes e inquietos
Os sem teto
Com Raul, Morrison, Marley e Jimmy
Lenon, Neruda, Vinicius, Renato
Buarques, Foucault, Pesavento, Jenkins e Certeau
Drummond, Pessoa, Cortazar, Saramago
Enfim, como já dito
E repetido
Tantos e tamanhos
E mesmo com pessoas que nunca conheci
Ou até já vi
Mas ainda não pude mergulhar
Não com a devida intensidade
Damas profanas que singram o mar
E oferecem a preciosa atenção
A esse ser que não para de falar..
Tens todos e todas
Tantos e tamanhos
Meu respeito
Minha devoção
Avatares de minha atenção
E sujeitos plenos de minha linguagem
De todos os mecanismos de meu ensino
E da expansão de minha aprendizagem
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Coisas passadas ou melhor post de junho
Pelo andor da carruagem tô vendo que só vou terminar isso em janeiro.. risos
Tô viajando amanhã pra Fortaleza pra passar o Natal.. depois ano novo na Universo Paralelo e finalmente mais 15 dias em São Paulo... daí eu volto..
Se sentirem energias caledoscópicas, intensas e entrópicas energias lhe chegando, pode saber que sou eu a mandá-las...
Beijos e inté a tod@s...
Quando eu fico cansado...
Às vezes o tempo
Que segue comigo
Deixa de ser amigo
E vira turbilhão
Consome cada instante
Alheio aos meus desígnios
E me impele a ser frenético
Sem permitir que saboreie a construção
Dos passos, das vivências
Assoma de inclemência
Esse tal portifólio de Cronos
O Deus-titã
E passam trabalhos, provas, planos, seminários, qualificação
Mesmo que eu ache tempo pra almoçar com minha irmã
Que encontre o ponto certo da massagem no pé descalço
De dona Dé se espreguiçando no divã
Ainda assim o tal do tempo
Acha de me escorrer entre os dedos
Tirar-me da cama cedo
Onde havia deitado tarde
Ah engano ledo
O peso do a ser feito na carne arde
Faz os olhos vermelhos
E haja fumaça pra impelir a vida
Que eu não diria sofrida
Diria árdua
Sem querer diminuir as vitórias
Ou esvanecer as conquistas
Sem lamentar os frutos de minhas próprias investidas
E meus passos maiores que as pernas
Não suporto me esconder nas cavernas
Então não me cabe reclamar
Quando fico cansado de correr por tantas cercanias
Habitar tantas dívidas de aprendizagem
Esgotar os impulsos energéticos por toda a parte
Resta-me apenas cair na boemia
Que ao contrário dos reclamões
Alimenta minha vontade
Aumenta a inércia da sequência
Molha a goela e esfumaça as sinapses
E me faz sorver os loucos do meu dia-a-dia
O que seria de mim sem vocês?
Sem você, que não está em nenhuma parte?
Seria só um tronco seco
De esquecível particularidade
Prefiro ser um louco cansado e exaurido
Do que um descansado de boca escancarada
Cheia de dentes, esperando a morte chegar
Eu prefiro dançar com a morte
E aproveitar cada passo
Então vê se dá um tempo, ô tempo danado
E senta pra fumar um aqui comigo
Nessa encruzilhada nesse fim de tarde
Daí viverei de poesia
Cantarei às musas
E terei ainda mais energia
Para aflorar minha majestade...
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Coisas passadas ou melhor post de junho...
Salve salve pessoas.. bom, estou recuperando esse como o primeiro post de junho.. risos.. (isso esmo, junho vai ter ais do que um.. estou quebrando as regras..), porque o nível tava muito alto.. este será o primeiro, porque inclusive tem a ver com o show do Infected que eu fui domingo e o clima Universo Paralelo que ando vivendo..
Trance...
"I´m under your spell
Like a man in a trance.."
Transe
Transo
Danço
E não canso
Ininterrupto vai e vem
Reverbera minhas sinapses
Reverbera e me faz bem
Entrópica concretude que me invade
Com ímpar alarde
Sempre cedo, nunca tarde
Me invade e me convém
Enxergo além das fronteiras
Das morais
Das rotinas
Dos vai-e-vem
Fico insano
Fico instigante
Fico pleno
Fico outrém
Sigo o trem das sete
E o das onze
E se deixar sigo além
Vou errando errante
Para o alto.. e avante
Para o sol
Para o mar
Até achar o big bang
Lá no nascer da realidade
O ponto nodal da entropia
Com toda minha imperiosidade
Cumprimento o artista
Rasgo os pés na pista
E falo nessa nova linguagem
De tempos oitavos
De barras
De compassos
E refaço os traços
Os mais tortos possíveis
Torno então, dizíveis, pulsões
Até então incompreensíveis
Vibro cada infinitezímal partícula
De minhas moléculas comprimidas
Faço parte e me redefino
Transcendendo a concretude insípida
Visto-me de gala
Com meus pés cheios de poeira
Ostento a cabeleira
Banhada pelo suor
Gozo para a brisa que me serpenteia
E morro no beijo mais doce
Que um explosão de dopanima pode oferecer
Daí vejo que o mundo é perfeito
Do seu jeito
Junto ao que trago no peito
E me deito
Suspirando satisfeito, enfim...
Em mim...
Assim...
Perfeito...
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Coisas passadas ou Melhor post de Maio...
Uma homenagem feita a uma certa moça...
Tomando a liberdade de publicar aqui um diálogo com uma fada, que encontro em cantos recôndidos de minhas sinapses...
Salve salve minha cara.. tão rara..
E nós nesse saara..
Envoltos por essa coisa amarga..
Me cansa incolor bestialidade dos ordeiros..
São como cinzeiros..
A transbordar a carga..
"Quero deixar as janelas abertas
E deixar o equilíbrio ir embora
Cair como um saxofone na calçada
Amarrar um fio de cobre no pescoço"
Pois saibas minha dama..
Nesses momentos em que me instiga a chama
Da minha face desgovernada e insana
In sana..
Acompanhe bem a trama..
"Ascender o intervalo pelo filtro
Usar um extintor como lençol
Jogar polo aquático na cama
Ficar deslizando pelo teto"
São tantos os iluminados
E tão pouos os descaídos..
Ainda menos os assumidos..
Talvez isso faça desses lados mais bonitos
E nem por isso mais convictos
Oh não..
Pobres descaídos..
Os iluminados ordenam..
Enquanto somos o caos inerente ao sistema..
"Da nossa casa cega e medieval
Cantar canções em línguas estranhas
Retalhar as cortinas desarmadas
Com a faca surda que a fé sujou"
Por sorte há lua
Com esse cheio brilhar
E o sol, que ando a buscar
Pelo alvorecer da manhã
Hoje não há de falhar
Um rodopio amigo
De pensamentos contigo
Essas nossas colisões de instigância rara
Sempre inspirador saber de vicissitudes de avatares..
Desses seres alados e asas sangradas
Sagradas
Profanas
Marcadas..
"Desarmar os brinquedos indecentes
E a indecência pura dos retratos no salão
Vamos beber livros e mastigar tapetes
Catar pontas de cigarro nas paredes"
Agradecerei-te sempre pela singela companhia
Nessa caminhada imaginária
Solitária
Do dia a dia
Conhecida, pensada, resistida, mas nunca vencida
Sempre batalhas por travar
"Nunca se vence uma guerra lutando sozinho.. cê sabe que a gente precisa entrar em contato" já diria Don Raulzito
Enfim, és ombro amigo
Que carrego comigo
Digna de sussurros
"Abrir a geladeira e deixar o vento sair
Cuspir um dia qualquer no futuro
De quem já desapareceu
Deus.. Deus.. somos todos ateus"
Que lhe andem temperados os sabores
E brilhem os depositários de seus olhares
Afortunados de tamanha sorte
Dessa sua magnificência forte
Não só nos cortes
E nos fados
Mas nos bordados
Nas pegadas guardadas..
Nos olhos brilhosos
E nas curtas madeixas..
"Vamos cortar o cabelo do príncipe
E entregá-lo a um Deus plebeu
E depois do começo
O que vier vai começar a ser o fim"
Enfim..
És sempre bem vinda em meu esfumaçado mundo..
Espero que não te importes de fazer de todos, o que era só teu...
Hei sempre de recompensá-la
