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segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Vale a pena ter um cachorro?

 


Eu sempre quis ter um cachorro.

A vida inteira eu quis ter um cachorro.

Talvez por influência desses filmes americanos sessão da tarde em que um garoto e seu cachorro são parceiros de aventuras. Talvez porque meus pais sempre frisaram como cachorro para eles era apenas um bicho e não iríamos ter um cachorro em um pequeno apartamento. Talvez porque eu goste de bichos de modo geral. Enfim, sempre quis.

Quando meu pai mudou de casa no final de 2006 e ficamos Débora, Guto e eu, imediatamente concordamos que iríamos ter um cachorro.

No começo de 2007, adotamos o Raul que em menos de 2 meses morreu de cinomose. Era um filhote de vira lata na zoonose. Lembro da alegria e da esperteza dele como se fosse ontem. Um mês depois, o PT me deu o Marley.

A Pepita, cachorra dos pais dele, que já tava velha, deu uma cria inesperada. Só o Marley viveu. E como viveu. 14 anos e meio. Cabia na palma da minha mão quando chegou. Não cabe no meu coração de tão grande agora.

O maior cabeça dura que esse universo conheceu. Um companheiro fosse um filhote feliz, fosse um velho rabugento. Entre cirurgias, adaptações, passeios e viagens, um pedaço de uma vida da gente que ele docilmente representava. O mundo passou, as crianças chegaram, tudo de cabeça pra baixo, mas o Marley tava sempre lá feliz com a nossa chegada. Amor num nível perfeito demais para a humanidade conseguir engendrar.

Hoje passeei com a Mel, minha outra cachorra. O primeiro sem o Marley, não teve um passo, nem um olhar que não o procurasse. É como se um pedaço de mim não estivesse mais ao meu alcance. A alegria que resta é a saudade que dói tanto. Eu tenho isso em mim com meu pai todo dia. Agora tenho comigo mesmo. Eu tive o cachorro que eu sempre quis ter e foi melhor do que eu poderia querer, porque ele foi ele sendo eu em mim, na Ana, no João, na Dé, no Guto, na Jônia, nos outros cachorros, em todo mundo que ele latiu quando entrou na minha casa. Mas agora eu não tenho mais o Marley pra me defender. Eu não tenho mais ele pra pegar no colo pra ele parar de latir, pra dizer "Marley, vai pra sua cama". Meu bebê. Meu papai. É realmente um lance muito louco. Muito.

Ou seja, vale a pena demais. 


terça-feira, 1 de junho de 2021

Carta para Hélio Lopes




 Oi pai, como você vai? Desde que você se foi, tanto segue o que dói, quanto se agrava o que já não dava. Tanta batalha por aqui ainda se trava, o fascismo descarado da gente brava, desfizeram tanto daquilo pelo que você lutava. E ainda tem a pandemia. Estamos chegando a 500 mil mortos, pai. Tio Ari se foi. Tá aí né, no amor e na memória. Tanta gente. Nossa sociedade derrapa. Nunca avança, a voracidade egoísta e cruel da elite não cansa, o povo balança e nem tem mais carnaval. E a dor da gente não sai no jornal. O Brasil segue esse imenso canavial, ceifando os boias-frias, queimando a monocultura que já serve pra matar a natureza que havia. Enfim, tá tudo um caos. Nosso país desigual não disfarça mais a própria sede de sangue. Nada de novo, mas com requintes de crueldade, sabe...

Ana e João vão bem. Hoje é aniversário do Gustavo. Seus netos são incríveis, aquelas potencialidades que só na vida cabe. As crianças existem para que os adultos possam lembrar como era sonhar. Por conta da pandemia, sigo nessa rotina de 24 horas por dia todo dia com as crianças. Confesso que cansa. Alfabetizar uma criança é tarefa árdua. Ainda mais com trabalho, cuidando de casa. Fazendo muita vídeo aula, tentando não fazer ecos para as frustrações que gritam. Dé sobrecarregada com a condição de médica nesse armagedom. 

Mas eu tô começando o trabalho aqui na antiga escola classe da 107. Todo mundo da família tá se amarrando. Me passando muita memória e muita história. Tô começando lá mais algumas micro revoluções. Tem sido difícil esse êxodo desde a militarização, esse desterro, essa errância. Levo em mim essa crise que se perturba ainda mais de perceber que a tempestade não assenta, não há perspectiva de olhar. Seguimos sentindo, saudosos de dançar.

Saudades do seu abraço, pai. Saudade de ser filho e achar que tudo vai ficar tranquilo porque seu pai tá ali pra te salvar.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Tudo que você precisa

Tudo que você precisa
Não é a atenção
De uma multidão
Ou mesmo a badalação
A marejada brisa
Independente de onde pisa
Com quem sua a camisa
Que faz diferença
Aquela gente que compensa
Que tem a alma imensa
Pega tudo aquilo que te prensa
E em um rodopio
No abraço
No incomensurável desvario desse laço
O mundo de aço
Inoxidável
Fica amável
Fica leve
Por mais que seja breve
Um sopro
Nunca mais eu vou dormir
Pero no tropo
A vida vai vir
Nunca deixa de seguir
Te envolver até subsumir
Lutar, conter o mar e emergir
Daí que a gente se atreve
E veve
Volve
Dissolve
Dissipa
Um ano
Uma década
Uma vida
Tanta lida
Pranto lido
Parcos tidos
Barcos todos
Palcos bobos
Abraços bons
Bençãos
Abrigos que levo comigo quando persigo o perigo
São
Tudo que eu preciso

domingo, 15 de dezembro de 2019

Cruzados

O teu verso
O teu inverso
O teu transverso
O teu disperso
Isso tudo que não meço
Atravesso
Numa travessa
Sem pressa
A gente começa
Nunca termina
Rima fina
Riso fácil
Lábios
Lá
Brios
Desatina
Embaraça
Abraça
A alma...

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Sobre ser pai 6 ou 2 anos de Ana

São dois anos de Ana
É tanta energia que ela emana
Que papai desencana
E se joga na pixxxta...

O segundo ano é um processo entre o bebê e a criança. Basta andar e tá lá, eles são do mundo. Também vem o falar, também feito de tropeçar. O fazer birra. O não.
- Sim.
- Não.
- Sim.
- Sim?
- Não.
Vieram as aulinhas, a escola, as coleguinhas, as festas de criança. Mais uma festa da Ana. Ela tá melhor que eu de festa.
E agora ela é uma criança.
Já vinha sendo, mas vai sendo cada vez mais. E eu sinto falta do meu bebê. Daí vou vendo em mim essa tristeza satisfeita dos pais, que anseiam por si, mas sentem cada milímetro do espaço do mundo entre eles e a cria.
E aprendo com isso. Ser pai como ser professor é um ininterrupto aprender. Coisa de quem quer estar, mais que ser. Mas a Ana não é uma mestra paciente. As boas que tive nunca o foram...
Ainda assim, a gente brinca. Sofremos juntos, cada qual no seu papel, nas gripes e resfriados.
Sou feliz que ela dança. Não posso desejar nada mais lindo a alguém do que dançar.
Na hora de dormir, ela me obriga a cantar uma música incontáveis vezes. Estamos numa fase Nana neném, que me cansa porque é pequena e repetitiva. Eu prefiro Se essa rua fosse minha. Mas o 
- NÃO!!! - ...é retumbante como um trovão...
Ana ama dinossauros. Papai da Ana ama dragões. Estamos trabalhando nisso.
Ela já identifica o escudo do Flamengo e beija. A alegria de ser rubro-negra.
Ela tem 63 livros. Quantos livros você leu esse ano?
Às vezes, eu me perco na casa da Ana...
E já já vem a Lia...









terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Sobre ser pai 5

Domingo chegamos de viagem. Já era noite, Ana não dormiu no voo e estava bem cansada. Mas eis que chegando em casa, ela reconheceu o lar. Foi aos brinquedos da sala e esparramou todos, pegando um por um. Depois foram os livros. Pegava, trazia até mim e pedia que eu mostrasse.
- Esse! - Ela gritava com entusiasmo.
Depois foi a vez de tudo que estava no quarto.
Eu adoro viajar, mas assim como minha filha, adoro voltar pra casa...

Há alguns anos eu já não tinha entusiasmo pelo mar. Praia pra mim era cerveja, sombra, petiscos e um livro (ou trance... rs). Esse ano eu entrei no mar praticamente todo dia. Algumas vezes, cinco vezes no mesmo dia. Sentei na beirinha. Medi o ritmo das ondas com os passos da Ana. Tomei onda na cara pra ela passar por cima. Pedi desculpas a Iemanjá para apresentar minha criança.

Já são 1 ano e 8 meses de encantamento, 1 ano de parceria entre nós dois desde o fim da licença da Dé. Em fevereiro, ela começa na creche e eu tenho que terminar minha tese, mas o maior projeto da minha vida segue a pleno vapor...

segunda-feira, 9 de maio de 2016

1 ano de Ana ou sobre ser pai 3...


Há quem diga que o tempo voa...
Eu te diria hoje, pessoa amiga
Que ele engatinha e já ensaia libertar-se bípede por aí
Ainda carece de apoio
E de apoio carecerá por muito tempo ainda...
Não carecemos todos nós?

Mas minha pequenina forma do tempo está cheia de graça
Há mais magia por onde ela passa
Em tudo que ela faça
Precisas ver como gira o mundo quando um bebê te abraça
Pousa a cabeça no teu ombro
É como se virasse castelo a ruína
Nuvem, o escombro
Tudo que faz minha menina
Me fascina
Me desatina
Me causa assombro

Se ela concatena dois sons
Se ela vacila no ar tentando se equilibrar
Ou simplesmente consegue se virar
E os pés pousar
No piso marrom
Para ela é tudo bom
E eu a admirar
Essa vida ainda sem tom
Para ela é magnífica qualquer melodia
Seja uma cantiga do dia-a-dia
Ou a repetida galinha pintadinha
Sei que se em mim ela se aninha
Até essa tormenta que nos envolve
E o pior que se avizinha
Se dissolve
Se dissipa
E eu só penso em ensiná-la a soltar pipa
A nadar, ler e sonhar
Em fazer dela uma pessoa ímpar
Mas é ela que vai me fazendo seu par
Seu pai
Algo em mim mudando vai
Aprendendo
Florescendo
Nas minhas fissuras
Criando remendos
Pois pra tantas aprendizagens duras de outrora
Essa aurora
Trás novas juras
Novas curas
Tantas canduras
Que o mundo afora se admira com meu encantamento...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Mudar ou a última


É preciso mudar
Mudo
É impreciso mudar
Mundo
Precioso mudar
Imundo
Imperioso mudar
Tudo
Peso de mudar
Afundo
Até o fundo
Se penso
Propenso
Prenso
Infindo fastio se mudo
Surdo
Cego
E louco
Sempre fiquei muito
E ao ficar pouco
Saudoso de quando estava rouco
De tanto cantar
De tantos cantos a abraçar
O pequeno
A fada
O outro
A musa
E tantos mais
Amar o êxtase fraterno coletivo
Mas o mar espalhou-os do meu crivo
Daí que derivo
Essa metamorfose ambulante
Medo de perder o inebriante
Que já veio se perdendo em cada passo
Pontilhando o traço
Esgarço
Mas rasgou-se a costura
Fiz juras
E nada dura
Nessa vida dura
Mais do que permite a social usura
Então guardarei a última cura
Para a explosão do impacto
O derradeiro ato
Enquanto remendo o pato
E coço as mãos buscando aquele arrepiar no tato
É fato
Foi o melhor de tudo
Um suspiro
Dois
Fecho os olhos
Mudo...

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Sobre ser pai 2



Já são 6 meses de Ana. Quanta Ana. Não há mais sem Ana. Todo dia, toda semana. Enquanto ela cresce veloz, alarga-se a foz do rio de minha vida. Há cores novas antes indefinidas. Há partituras novas, que antes eu via, mas não podiam ser lidas.
Me encanta. Toda essa vida que há em Ana. Que há em nós. A vida não é plana. Não é plano. É mundana. É infinita nas possibilidades. Nas ciladas da cidade. No desembestar da mocidade. Da mocinha que dorme, não quer comer, adora árvores e ri com as alturas.
Árduos são os percalços. Nada é natural. Tudo é experiência. De se equilibrar uma cabeça a engolir um alimento. Mas saborosas e entusiasmantes são as vitórias. Os sorrisos. Nem todo mundo arranca os sisos. Nem todos estão indecisos. Alguns apenas sorriem antes que o mundo leve isso.
Tais glórias não lembramos na fábula, apenas no gesto. Daí que me empresto, me envolvo, me entrego, me apego, pormenores resolvo. É como ter oito braços de polvo. Havendo tempo para o encanto, para saborear, é sabor ímpar. Brincar no banho até a pele enrugar.
É tanto que parece nosso o pranto. Antes fosse. Pudesse fazer tudo ser doce, racionalmente não faria, pois se a vida desvaria, precisa de tropeço. E eles estão por aí desde o começo. É o preço. Da vida. Mas Ana a deixa mais colorida. Cor de cenoura, beterraba, feijão, arroz, espinafre e frango, tudo batido no processador. Papa.
Papai.
Sou...

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Soneto da festividade

De tudo, ao meu festejo serei atento
Antes, e levarei gelo, cerveja mais um tanto
Que a esmo com doideras me encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada ímpar momento
E em louvor hei de multiplicar meu canto
E rir meu riso esquecido de ser santo
Irei desembestar até clarear o firmamento.
E assim, que tal êxtase me cure
Quem sabe a lissergia, libertação de quem vive
Quem sabe a embriaguez, fim de quem na pista inflama
Eu possa lhes dizer do festejo (que tive):
Que não seja sem final, posto que a vida clama
Mas que seja infinito enquanto dure.

sábado, 12 de setembro de 2015

Ainda eu...

Me divirto nos meandros. Continuo sem crer em nada "por natureza". Teimoso por minha própria parte, embora todas as minhas partes já tenham vindo partidas previamente, sou partícipe como posso do quebra-cabeça da partitura ímpar particular. Tenho duas pulsações que me impressionam além do impressionismo impresso na carne. Sigo sempre contraditório e até nisto invisto se insisto que disto disso dito mesmo se não cito. Mas generoso por forte egoísmo. Choro e amo quando tramo, declamo ou conclamo as semânticas a uma revoada qualquer. Admiro a liberdade por seu peso, que prende quem não se rende e aprende que o que pende expande enquanto acende. Ainda escrevo..
Meu mundo segue azul na maior parte, mas as nuances elaboram suas próprias categorias. Mas as paisagens ganham em caledoscopia. Vão se as brigas vãs se as obriga a se abrigar nas vãs ou nos vãos dos limites. Torço as almas para arrepiar as carnes. Gosto ainda mais dos animais do que da gente intransigente, dormente, presa bastante ao batente, mas ainda desgosto de pombos. Necessito de água. Água me falta mesmo sendo 75% feito dela. Sou só ar e fogo. Faço natação, tomo banho de chuva, de mar, de rio, de cachoeira, de chuveiro, de gozo e onde mais ela te molhar. Mas sou sopro leve no rosto suado. Tenho a cabeça no ar, asas no escolar, pés no lar e fogo no par. Luto contra o trânsito, transito de bicicleta, detesto som de buzina (devia ter limite: cada pessoa pode dar 3 por dia, daí não se gastava à toa). Cacos urbanos, melhor era o caos, que a gente chata, achatada, arrastada, gente reclamona.. mas ainda adoro gente. Sou dos meus muitos amigos. Poucos. Tento não perdê-los de vista, pois os novos não apreendem os peitos abertos. Não encaixam no levar comigo quando persigo o perigo.
Ostento minhas cicatrizes e faço delas tigres. Sou como o sol que ama a lua. Me embriago de comer. Desnecessariamente refaço nessa mesma ordem. Prezo o silêncio.. mas ainda prefiro quando o ar vibra. Falo mais que demais, mas escuto com atenção. Sei os meandros de um bom morder.. desde idéias até pescoços. Esfumaço os alicerces do real criando o que representa possibilidades de contato. Nunca tentei suicídio. Ainda gosto de não morrer.. e a morte segue uma das minhas personagens prediletas. Sábia. Dou valor ao que pousa diante dos meus olhos e canto. Brasília não tem esquina, mas tem cada vez menos Brasília.
Me envolvo até quando não quero se sou chamado. Canto Raul, Bob, Floyd e outros mutantes. Sigo descansado como dizia meu saudoso pai. Me perco em abraços. É o que consigo. Conservo meus medos e os mantenho acesos. Torço para que as mulheres libertem o mundo dos homens. Sou dependente de mulheres e homens. Sou feminista. Sou de boa na revolução. Sou defensor de abacateiros oprimidos. Sou professor do que professo do avesso do avesso do avesso. Ou nem isso.Sou um erro. Sou vários erros. Sou um aprendiz atento, mas sou também um doidão errante. Sou pai, sou um parto, sou um aperto, um peito aberto, sou inebriante.
A lisonje é toda minha...

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Ciclos

São como círculos
Os ciclos
Daí que cíclicos
Tantos vales do silício
Que parecem um vício
De não sair do lugar
Mas já de início
Não há dois ciclos
Que passem no mesmo lugar
É só observar
Na minúcia do desenrolar
E verás que o passar
Forma uma elipse
Cada ciclo
Faz-se contornar
Tal qual um eclipse
Que antes do ápice
Sem antever-se tríplice
Normatiza a sinapse
Ao que de costumeiro se disse
Para cair no final
Num novo ciclo
Sempre a recomeçar
Mesmo que só pormenores novos abrisse
Ou mormente jovial
Uma pegada mais sensual
Quase igual
Um tanto banal
Mas bem ou mal
Diferente ciclo
Mais um a chegar
Que do antigo se vestisse
Para parecer normal
Mas no quinto já nos entendemos
O sincrônico e diacrônico não tememos
Não somos plenos
Mas já não somos pequenos
E até onde lemos
Escolhemos o que lembramos... ou esquecemos...



quinta-feira, 14 de maio de 2015

Ana



Ana de que?
Só Ana
Mesmo que tanta Ana
Haja em você
Ana pé de cana
A mãe não gostou
Insana
Mundana
Interplanar Ana
Não encana
Minha filha
Que a altura do voo
Depende só da sua pilha
Você que faz a trilha
A gente só assiste
Enquanto você se dana
Torna a vida menos plana
Os parafusos espana
Ama beltranos e ciclanas
Viveres afana
Mas agora você só nana
Chora com gana
E seu pai bestamente se apaixona...

sexta-feira, 10 de abril de 2015

O peso

O peso
Que penso
Penso
No equilíbrio
Não é de libra
Não é do livro
Não tem quem leve
Nada haver com livre
É o peso
Que peço
Em que tropeço
Conforme me meço
No tanto que começo
E imerso
Não vivo
Não passo
Não me espaço
E o meu traço
Não trago
Perdido
Adormece...

quarta-feira, 14 de maio de 2014

À minha filha que não vai nascer

Hoje, dois irmãos, uma menina de 13 e um menino de 9 morreram queimados na Ceilândia por conta de um sujeito que alega uma dívida do irmão mais velho delas.
Uma mãe e a filha pequena morreram por conta de um bêbado no trânsito. Tá na capa do Correio embaixo da Monstra no banheiro dos fundos.
Aquele médico que esquartejou a amante em 2003 vai ser julgado de novo. Ele tava em liberdade.
Mataram uma mulher por um pacote de biscoito.
Linxaram uma mãe por ser uma "bruxa" que sacrifica crianças.
Bárbaros, meu filho?
Não... humanos.. como você seria, minha filha. Damasiadamente humanos.
A vida é violenta. Um pega pra capar sem fim.
Um aluno morto.
Um pai de alunas assassinado.
A antiga vizinha que definha.
O Leitão.
O Jair Rodrigues, que era só alegria.
O amigo da mãe subitamente em um festival.
A vida tem o compasso da morte, Joana.
Desde o início.
A morte é minha personagem predileta.
Não por ser doce, nem por ser bala.
Por ser inevitável...
Mas a vida não é bem durável
É um sopro
Um suspiro
Um assobio
Um delírio.
Que vale a pena
Mesmo se não plena
Helena
A passagem terrena
Compensa
Por mais curta que seja
Obrigado, querida
Pois a vida se dá enfrentando a morte.

sábado, 26 de abril de 2014

Sobre ser pai


Pelo sol que me guia
Do grego, Hélio
Vos digo
Tenho comigo
Que é um perigo
Como nenhum outro
Como uma viagem
Da qual muito se ouviu falar
Vistes as fotos
Ouvistes as histórias
Das vitórias nas glórias mais simplórias
O nível é árduo
Mesmo que se narre um padecer doce
Do videogamezês, modo hard
Mas profícuo
Ver na vitória dos mais tolos desafios
A apoteóse singela
Sei disso
Sou professor
Mestre em propor narrativas
E senhor de minhas responsabilidades
Mundanas ou insanas
Tenho agora esta
Intensa como nenhuma outra
Pois trabalhar com potencialidades
Tem um ímpar sabor

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Estradas e Universos



Voltei da Universo
Juntei o disperso
E através do meu verso
Te conto o interno representacional inverso
Paralelo
Faço um elo
Para travar o duelo
Em um dançante castelo
Ladrilhos amarelos
Pro nosso valsar
Começa com um par
Depois é só multiplicar
Pois cada pessoa ressoa 
E o tempo é coisa atoa
Tal a imensidão do mar
Mas o jogo é de pés na areia
Um mundo colorido
Digamos uma aldeia
Enquanto a noite alteia
Caímos na teia do indefinido
O cabelo serpenteia
Os sentidos são invertidos
E me dê o embalo
Se sabe do que falo
Do mundo onde tudo pode ter sido
A hecatombe de um abraço
A delícia da apoteóse para qual nasço
Um beijo
Um elogio'
Um delírio
Um mundo mentolado
Um transe
Avance
Não há como ficar parado
De ar vibrante e água gelada
Se faz o oásis dessa enseada
As energias para a jornada
Que a estrada tem buracos
Mas traçamos arcos
Nos rastros das nossas asas


quarta-feira, 31 de julho de 2013

África



Você pensa na terra
Desunida
Na gente
Varrida
Na carne
Flagelada
Na marca
Banida
Mas não esquecida
Por quem lida
Todo dia
Com a vida
Você não sabe de nada
Do alto da montanha
Você vê a enseada
O cabo
Esperança
Não cansa
De se alastrar
Tanto mar
Dois oceanos
Tanto no ar
Balões
Carros
Fumaça
Manadas
Desertos sertões
Um tigre
Um australopithecus sediba
Esquilos
Queijo e vinhos
Amigos e o amor
Caminhos...



sábado, 27 de agosto de 2011

Convite pra minha festa de aniversário...

Certa vez houve um doidão
Que inventou de inventar uma festa
Uma apoteótica celebração
Onde o povo desembesta
O que vale é diversão
Como a própria história atesta
Mesmo se fraqueja a memória
Cada qual tem sua glória
Seja de resgatar a lucidez matinal como vitória
Ou sucumbir a lissergia compulsória
Das vertigens de uma festividade sem fim
Tenho, por isso mesmo, cá pra mim
Que a festa é o conjunto
Desde a frivolidade do assunto
Até o alvorecer no jardim
Cada amigo com sabor de perpetuar
Cada amiga me fazendo dançar
Cada parceria construindo com a doçura do par
Cada doid@ que conheço que me faz atestar
A gente tá aqui pela passagem
Então aproveita a paisagem
Saboreia essa viagem
E bora festajar!!!!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Lá e de volta outra vez...


Viajei
Sabe.. viajei
Mas viajei do mais profundo do verbo viajar
Daquelas que você quase não quer mais voltar
Viagem
Em que sobrou camaradagem
Tudo parecia miragem
E foi só o início
Capaz de virar vício
Curtir a queda e o precipício
Cultura
Pois se lá a vida também pode ser dura
No frio, a vivência pode ser mais escura
Mas tem tanto que compensa
Diferença
Tão imensa
Nas bicicletas
Ninguém precisa ser atleta
Só pedalar
E o sistema pode funcionar
Cada qual no seu lugar
Até eu posso fumar
Ou um cogumelo no Vondelpark tomar
Sem a ninguém incomodar
Parece fácil falar
Mas eu vi
E nessa taça muito bebi
Acho até que um pouco mais os olhos abri
Para as possibilidades
Das cidades
E muito mais na verdade
Tá certo que minha companhia era privilegiada
A cara metade
Os cumpadis camaradas
Não carece de mais nada
Em Amsterdam
Em Berlim
Em Paris
Ou em Barcelona...