Rei
Legião
Elegerão
Reunirão
Réus
Entregarão
Ao léu
Seu fel
Seu mel
Seu mal
Por cal
Por quem
Está além
Ou seja, ninguém
Não vem
Não veem
Não vai
Tudo cai
Se de si sai
Entropia
Mas a gente pia
Pia
Cacareja
Enche a igreja
Onde quer que esteja
De gente vazia
Cantoria que Veja
Sinestesia
Para surdos
Absurdos
Absortos
Dos mortos
Dos portos
Dos caminhos tortos
Corto
Certo
In piedade
Aperto
No gesso
Dos olhos
Da divindade...
"O objetivo principal não é descobrir, mas refutar o que somos. (...) Não é libertar o indivíduo do Estado e de suas instituições, mas libertar-nos, nós, do Estado e do tipo de individualização que vai ligada a ele. É preciso promover novas formas de subjetividade..." Foucault
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domingo, 21 de junho de 2015
terça-feira, 24 de abril de 2012
Quatro partes ou leia de trás pra frente...
- Você já foi melhor nisso.
- É verdade. Já fui.. mas ainda sou bom em outras coisas.
- Sim, sim.. claro.. quem foi rei nunca perde a magestade.
- Isso eu não sei.. mas ainda tenho meus méritos.
- Ou desméritos né..
(Risos) - Pode ser.. de qualquer forma, eu faço o que posso.
- Claro, claro.. afinal nessa competição nunca tem vencedor.
- Mas a gente tem nossos momentos né..
- O que seria de nós sem eles.. cigarro?
- Não, obrigado.. você sabe que eu não fumo..
- Não fuma tabaco..
- É.. isso jaz no passado.
- Bom.. eu não perco tempo controlando meus vícios e além do mais..
- Com licença..
- Quem é você?
- Isso mesmo.. quem é você? Isso aqui é um diálogo em um mundo dicotômico..
- Sim, sim.. mas eu sou a terceira parte..
- Terceira parte?
- Como assim terceira parte?
- Terceira parte oras.. um.. dois.. três.. entenderam? Eu achava que vocês fossem mais espertos..
- É difícil.. não estamos acostumados à uma terceira parte..
- É porque vocês vivem nessa velha panelinha.. "nesse romance astral"..
- E pra que serve uma terceira parte?
- Pra mostrar que as coisas não precisam ter uma serventia para serem, por exemplo..
- Muito interessante.. muito interessante.. aceita um cigarro?
- Sim, claro.. vocês tem algo pra beber?
- Não é uma má idéia.. cerveja?
- Nada melhor no meu entender...
- Mas então.. o que você veio fazer aqui?
- Mudar de ares um pouco.. estava muito quente lá do outro lado..
- Ah sim, as coisas são realmente mais frias por aqui.
- Eu diria mais.. frias, certas, estanques, definidas, acertadas, divisadas.
- Pois é.. vocês não me levem a mal, ou a bem, conforme o caso, mas as coisas por aqui parecem meio monótonas, na verdade.
- Diótonas, no mínimo. E a culpa é dele. Fica tolindo os vícios e os prazeres.
- "É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro".. você acha mesmo que não tem seu quinhão de culpa?
- Muito fácil pra você ir chegando e levantando problemas.
- Você não faz idéia dos conflitos que vivemos por aqui.
- Esqueçam.. ele é sempre assim.. cheio de meio-termos...
- Só me faltava essa..
- E você quem é?
- Devíamos é aproveitar e fazer uma festa logo...
- Eu sou uma outra parte qualquer...
- A quarta parte?
- Se você quizer dizer assim... ontem mesmo eu encontrei um grupo de prolegômeros de alicarnassos e eles me chamavam de "elo mais fraco"... ano passado umas concepções escatológicas me taxaram de "letra f".. mas se quiserem me chamar de quarta parte, fiquem à vontade..
- Entendam que as coisas nunca são tão movimentadas por aqui..
- Claro, claro.. aqui é um mundo dicotômico, eu sei como são essas coisas..
- Pois é, a gente tá acostumado com coisas mais harmônicas..
- Tudo tem uma certa harmonia..
- Isso é você quem diz..
- Mas e então, para que você serve?
- Eu já disse que nem tudo tem serventia..
- Mas eu mesmo tenho muitas.. sou pau pra toda obra..
- E qual é o objetivo disso tudo?
- Isso mesmo? Qual é a de você dois aparecendo aqui?
- Eu queria mostrar o interstício que existe entre vocês...
- E eu não queria mostrar nada além de tudo que algumas coisas podem não representar...
- Ãh?
- Que?
- Nada.. tudo.. alguma coisa.. não representar.. ah, e não necessariamente nessa mesma ordem...
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Primeiro dia
Era tudo escuro. Pela ausência de luz. Mas não havendo luz e apenas escuro, era então a luz a ausência do escuro e não o inverso. E estava frio.. pela ausência do calor. Mas não havendo calor para o frio ser a ausência desse, era então o frio material e o calor uma mera abstração semântica. O pequeno ponto, enfim, ocupara o menor espaço de coesão possível e explodiu. Foi aí que luz e calor entraram na história. Assim como o próprio espaço, que acabara de se mostrar mais versátil do que o capitalismo.
Uma profusão de atores e atrizes adentram o cenário, de modo que poderíamos fazer análises micro que representassem o macro, ou mesmo concatenar processos estruturais capazes de abarcar uma quantidade imensurável destes. Nada disso, no entanto, iria garantir a perspectiva a ser vislumbrada. Esqueçamos filosofias para essa história, afinal não há racionalidades intrínsecas à mesma, apenas um expansão pós-explosiva principiando a morrer, já do início de se fazer existir.
Dando o espaço utilidade às noções temporais, logo o entrecruzamento da mesma passa a tornar cabíveis entendimentos como velocidade, expansividade, massa, volume, aceleração e outros protótipos conceituais explicitáveis através de equações lógicas.
O alarde e os movimentos sonoro-ópticos catalizadores de aquarelas caledoscópicas transcendentes de quaisquer fronteiras sensoriais iam introjetando um ritmo imperceptivelmente cada vez menos intenso, ainda que o êxtase paralelo da parábola traçada a tudo ludibriasse, tornando toda e qualquer explanação a esse respeito um simples joguete retórico de caráter arbitrário.
Pontualmente, espasmos estabilizantes marcavam saaras mais ou menos extensos, elipzando ordens espiraladas, mesmo que recortadas, localizadas, provisórias e subjetivas.
Finalmente, o calor e a luz estavam difusos por tantas partes que era como se não estivessem em lugar algum. Lugar algum, no entanto, que não abarcava idéia outra que uma abstração hipotética de uma hermenêutica tortuosa, pois alheia a idealizações de inverossemelhança relativa, todo lugar se configurava como algum.
Foi assim que tudo acabou...
Uma profusão de atores e atrizes adentram o cenário, de modo que poderíamos fazer análises micro que representassem o macro, ou mesmo concatenar processos estruturais capazes de abarcar uma quantidade imensurável destes. Nada disso, no entanto, iria garantir a perspectiva a ser vislumbrada. Esqueçamos filosofias para essa história, afinal não há racionalidades intrínsecas à mesma, apenas um expansão pós-explosiva principiando a morrer, já do início de se fazer existir.
Dando o espaço utilidade às noções temporais, logo o entrecruzamento da mesma passa a tornar cabíveis entendimentos como velocidade, expansividade, massa, volume, aceleração e outros protótipos conceituais explicitáveis através de equações lógicas.
O alarde e os movimentos sonoro-ópticos catalizadores de aquarelas caledoscópicas transcendentes de quaisquer fronteiras sensoriais iam introjetando um ritmo imperceptivelmente cada vez menos intenso, ainda que o êxtase paralelo da parábola traçada a tudo ludibriasse, tornando toda e qualquer explanação a esse respeito um simples joguete retórico de caráter arbitrário.
Pontualmente, espasmos estabilizantes marcavam saaras mais ou menos extensos, elipzando ordens espiraladas, mesmo que recortadas, localizadas, provisórias e subjetivas.
Finalmente, o calor e a luz estavam difusos por tantas partes que era como se não estivessem em lugar algum. Lugar algum, no entanto, que não abarcava idéia outra que uma abstração hipotética de uma hermenêutica tortuosa, pois alheia a idealizações de inverossemelhança relativa, todo lugar se configurava como algum.
Foi assim que tudo acabou...
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Crise ou Encruzilhada...
- Nada mais é possível.
- Nada? Impossível!
- Não é!.. Acabou..
- Todo fim é uma infindade de começos.
- Se fosse não era fim.
- Só é fim porque alguém diz que ali se interrompe essa continuidade ininterrupta de rupturas.
- Pois eu sou essa pessoa e digo.. findou.
- Se você dá fim, o resto dá de ombros.
- Sendo resto, não me importa.
- Só é resto porque o seu centro não olha as periferias.
- Estou num momento de crise.
- Que bom..
- Bom porque não é sua crise..
- Se fosse minha eu ia saborear cada casquinha dela. Cada pedaço que cai.. cada fagulha que se apaga.. até aqueles últimos lampejos de prazer que só no final pode existir. O problema das pessoas é abraçarem esse conceitozinho romântico e barato de eternidade.. nada é eterno PORRA!!! Nem a vida, nem o amor, nem as filosofias.. PORRA NENHUMA É. Tudo que nasce, morre! Os relacionamentos, os encontros, os filmes, as músicas, os movimentos, as vontades, os desejos, os trabalhos, os alimentos, as companhias.. tu-do!!! Até os Deuses morrem, meu bem. E levam seus fins. Pode-se acreditar nessa teoria geolítica e monográfica de que se sobe e desce.. se segue.. se gira.. espirais desconexas.. então aproveita esse ponto.. que não é reta.. não é seta.. nem é ponto.. só é coisa tua e tudo que é teu devia ter o privilégio de ser saboreado.
- Mas não era o que eu queria...
- Você ouviu o que eu disse. És como um bêbado que se recusa a vomitar.. ou um suicida que desiste no meio da queda e resolve que seria melhor voar. Não prefira a inércia de sua estática ao privilégio dessa vertigem.. pense que o impacto é só um apoteótico instante...
- Difícil pensar isso com tanta dor..
- Toda dor, tem sua cor.. e masoquismo não é gostar de sofrer.. é ter novas perspectivas das sensações.. eles ainda sentem dor.. só que o que é dor pra você, pra eles é prazer.. o que dói neles tem outra penetração..
- Nada disso me importa nem um pouco. Eu não queria me sentir esse aborto de mim mesmo. Queria aquela satisfação de antes.. de que tudo estava no rumo certo e.. e..
- Bom.. o rumo foi o que te trouxe até aqui. Até essa encruzilhada..
- Pois é.. achei que aqui eu poderia fazer um pacto com o diabo e me tornar um grande nome do blues..
- Não faço mais essas coisas. Está fora de moda.
- E o que você faz agora?
- Pago um bom preço por tudo que Ela não quer..
- Ela?
- É.. você não viu Dogma? Achou que era só mais um filminho de segunda né..
- Nada? Impossível!
- Não é!.. Acabou..
- Todo fim é uma infindade de começos.
- Se fosse não era fim.
- Só é fim porque alguém diz que ali se interrompe essa continuidade ininterrupta de rupturas.
- Pois eu sou essa pessoa e digo.. findou.
- Se você dá fim, o resto dá de ombros.
- Sendo resto, não me importa.
- Só é resto porque o seu centro não olha as periferias.
- Estou num momento de crise.
- Que bom..
- Bom porque não é sua crise..
- Se fosse minha eu ia saborear cada casquinha dela. Cada pedaço que cai.. cada fagulha que se apaga.. até aqueles últimos lampejos de prazer que só no final pode existir. O problema das pessoas é abraçarem esse conceitozinho romântico e barato de eternidade.. nada é eterno PORRA!!! Nem a vida, nem o amor, nem as filosofias.. PORRA NENHUMA É. Tudo que nasce, morre! Os relacionamentos, os encontros, os filmes, as músicas, os movimentos, as vontades, os desejos, os trabalhos, os alimentos, as companhias.. tu-do!!! Até os Deuses morrem, meu bem. E levam seus fins. Pode-se acreditar nessa teoria geolítica e monográfica de que se sobe e desce.. se segue.. se gira.. espirais desconexas.. então aproveita esse ponto.. que não é reta.. não é seta.. nem é ponto.. só é coisa tua e tudo que é teu devia ter o privilégio de ser saboreado.
- Mas não era o que eu queria...
- Você ouviu o que eu disse. És como um bêbado que se recusa a vomitar.. ou um suicida que desiste no meio da queda e resolve que seria melhor voar. Não prefira a inércia de sua estática ao privilégio dessa vertigem.. pense que o impacto é só um apoteótico instante...
- Difícil pensar isso com tanta dor..
- Toda dor, tem sua cor.. e masoquismo não é gostar de sofrer.. é ter novas perspectivas das sensações.. eles ainda sentem dor.. só que o que é dor pra você, pra eles é prazer.. o que dói neles tem outra penetração..
- Nada disso me importa nem um pouco. Eu não queria me sentir esse aborto de mim mesmo. Queria aquela satisfação de antes.. de que tudo estava no rumo certo e.. e..
- Bom.. o rumo foi o que te trouxe até aqui. Até essa encruzilhada..
- Pois é.. achei que aqui eu poderia fazer um pacto com o diabo e me tornar um grande nome do blues..
- Não faço mais essas coisas. Está fora de moda.
- E o que você faz agora?
- Pago um bom preço por tudo que Ela não quer..
- Ela?
- É.. você não viu Dogma? Achou que era só mais um filminho de segunda né..
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Pedaços ou Um bêbado, Um equilibrista...
- Foi ali.. aquilo? Quer saber daquilo?.. Bem, o que dizer daquilo se não que é um pedaço... não pode esperar que atente para tudo enquanto passo.. se eu me engraço, me embaraço, me amasso.. e convenhamos não sou nenhum devasso.. mas confusão eu raramente caço.. ela é que me caça.. coisa danada de sem graça.. mas é corriqueiro aos dessa praça.. mais achegados a uma cachaça.. servirem de caça pra confusão.. que raramente tem perdão de quem não só anda grudado olhando pro chão...
- Cruzes.. tudo isso pra dizer que era um pedaço? Putz.. tenho medo de perguntar pedaço de que..
- Pedaço.. do meu traço.. um certo erro crasso.. que eu agora rechaço..
- Agora rechaça?
- Sim, que em mim...
- Para, para parapara!!!
- Ora mas...
- Como você se livrou daquela massa amorfa e sonora borbulhando na calçada?
- Entenda, que sou poeta e quando algo me afeta...
- Você precisa fazer essas riminhas chechelentazinhas?
- Se minhas riminhas, lhe parecem chechelentazinhas.. o que quer que isso signifique, não espere que eu abdique, das verbalidades minhas, para que sua percepçãozinha, lhe permita, que confortável fique, estagnado como um dique, enquanto faço um convite, para que transcenda um limite e é isso que evita...
- Não sei se entendi bem.. mas se você puder ser menos.. confuso.. enfim.. aquela coisa gemendo e sangrando e borbulhando na calçada não é do tipo que a gente vê todo dia...
- Entendo sua agonia, sois do centro e eu da periferia.. daí tua falta de simpatia ante a minha prosa vadia.. mas no teu jogo não entro, que eu muito mais descentro.. continuidades arrebento.. sigo com o vento.. e as borbulhidades ficam pelo caminho..
- Borbulhidades? É assim que você chama aquil...
- Chamei agora, mas em outra hora, chamarei diferente, pois tanto me passa pela mente, que pode ser que outra expressão eu invente, afinal por mais que tente...
- Certo... certo.. bem eu preciso ir indo e.. foi um prazer.. um prazer bizarro, mas interessante.. eu acho...
- Eu sorrio, que pro teu pio, tem muito canto.. se te assuta o encanto, não está preparado praquilo que janto.. pros volteios do meu assovio.. vou ver o céu que sabre no estio após mais parto, que dessa obliquidade estou farto.
- Ei, ei.. pera aí.. parto? Você pariu aquilo? Puta que pariu, não acredito, tenho que contar isso pra...
- Cruzes.. tudo isso pra dizer que era um pedaço? Putz.. tenho medo de perguntar pedaço de que..
- Pedaço.. do meu traço.. um certo erro crasso.. que eu agora rechaço..
- Agora rechaça?
- Sim, que em mim...
- Para, para parapara!!!
- Ora mas...
- Como você se livrou daquela massa amorfa e sonora borbulhando na calçada?
- Entenda, que sou poeta e quando algo me afeta...
- Você precisa fazer essas riminhas chechelentazinhas?
- Se minhas riminhas, lhe parecem chechelentazinhas.. o que quer que isso signifique, não espere que eu abdique, das verbalidades minhas, para que sua percepçãozinha, lhe permita, que confortável fique, estagnado como um dique, enquanto faço um convite, para que transcenda um limite e é isso que evita...
- Não sei se entendi bem.. mas se você puder ser menos.. confuso.. enfim.. aquela coisa gemendo e sangrando e borbulhando na calçada não é do tipo que a gente vê todo dia...
- Entendo sua agonia, sois do centro e eu da periferia.. daí tua falta de simpatia ante a minha prosa vadia.. mas no teu jogo não entro, que eu muito mais descentro.. continuidades arrebento.. sigo com o vento.. e as borbulhidades ficam pelo caminho..
- Borbulhidades? É assim que você chama aquil...
- Chamei agora, mas em outra hora, chamarei diferente, pois tanto me passa pela mente, que pode ser que outra expressão eu invente, afinal por mais que tente...
- Certo... certo.. bem eu preciso ir indo e.. foi um prazer.. um prazer bizarro, mas interessante.. eu acho...
- Eu sorrio, que pro teu pio, tem muito canto.. se te assuta o encanto, não está preparado praquilo que janto.. pros volteios do meu assovio.. vou ver o céu que sabre no estio após mais parto, que dessa obliquidade estou farto.
- Ei, ei.. pera aí.. parto? Você pariu aquilo? Puta que pariu, não acredito, tenho que contar isso pra...
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Possibilidades ou Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos...
Verso
Ou prosa
Com ou sem rima
Disperso
Coisa grandiosa
Me anima
Palavras
Silêncios
E algo mais
Nos intertícios
Do que lavras
Construtos
Reproduções
Ímpares
Bebendo em tradições
Fazendo de universos seus frutos
Díspares
Indissocialmente equilibrando-se nesse imponderável inabarcável do imaginário subjetivo de cada tímpano vibrante
Que vibra
Desequilibra
Sou de libra
Mas fiz tambor dos pratos
Curto baratos
E sonoridades
Alardes
Coisas que ardem
Que invadem
Devassam
Desembaraçam
E me permitem ver grandes corpos gasosos queimando a incomensurável distância de mim como um singelo presente do acaso às minhas possibilidades
Deixei de verdades
Entendo agora as parcialidades
E mesmo indo a mocidade
Reverbero tudo o que recebi
Poetizo tudo o que vi
E o que não vi
Mas poderia ter visto
Ou não
Eu apenas insisto
Que nessas metáforas que listo
Tudo não passa de um mero valseio
Uma sequências de palavras que entremeio
Um modo de sinuosamente trazer seus sentidos a esteio
E só então
Quando atentei para a questão
De estar conduzindo a sua percepção
Irás perceber que tudo isso que eu disse
Foi para que essa sonoridade ao lado você ouvisse
Agradecido pela passagem
Desejo-lhe boa viagem
De bela paisagem
Que isso tudo
É só miragem...
Ou prosa
Com ou sem rima
Disperso
Coisa grandiosa
Me anima
Palavras
Silêncios
E algo mais
Nos intertícios
Do que lavras
Construtos
Reproduções
Ímpares
Bebendo em tradições
Fazendo de universos seus frutos
Díspares
Indissocialmente equilibrando-se nesse imponderável inabarcável do imaginário subjetivo de cada tímpano vibrante
Que vibra
Desequilibra
Sou de libra
Mas fiz tambor dos pratos
Curto baratos
E sonoridades
Alardes
Coisas que ardem
Que invadem
Devassam
Desembaraçam
E me permitem ver grandes corpos gasosos queimando a incomensurável distância de mim como um singelo presente do acaso às minhas possibilidades
Deixei de verdades
Entendo agora as parcialidades
E mesmo indo a mocidade
Reverbero tudo o que recebi
Poetizo tudo o que vi
E o que não vi
Mas poderia ter visto
Ou não
Eu apenas insisto
Que nessas metáforas que listo
Tudo não passa de um mero valseio
Uma sequências de palavras que entremeio
Um modo de sinuosamente trazer seus sentidos a esteio
E só então
Quando atentei para a questão
De estar conduzindo a sua percepção
Irás perceber que tudo isso que eu disse
Foi para que essa sonoridade ao lado você ouvisse
Agradecido pela passagem
Desejo-lhe boa viagem
De bela paisagem
Que isso tudo
É só miragem...
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Os Sucos del Valle vão dominar o mundo ou Uma minha teoria da conspiração





(3a parte) http://salvesalvejorge.blogspot.com/2008/06/os-sucos-del-valle-vo-dominar-o-mundo_10.html
Salve salve pessoas atentas às tentativas de subsumir o livre arbítrio... cá estou de novo, e como já dito anteriormente, revelando como o caldo vai engrossar. Aqui desnudo a última página de minhas revelações, devendo agradecer a uma certa nutricionista que descobriu o próximo passo dos nefastos sucos, assim como minha sempre companheira amiga Sininho que me encaminhou a revelação.. (além de ser a mais fiel perpetuadora da minha teoria..)
No dia 9 de maio do presente ano, recebi da minha já citada amiga Sininho, vulgo Monique, um email relatando a descoberta. Estava bastante relaxado.. ou descansado como costuma dizer meu pai.. quanto aos sucos, uma vez que todas as suas investidas em assimilar a Coca cola tinham poucos frutos. A capacidade desentupidora de pia da coca parecia inibir o elemento controlador de mentes del Valle à base de chuchu, atrasando consideravelmente as investidas dos mesmos. No entanto, eles estavam apenas a me ludibriar, enquanto escamoteavam suas reais intenções.
Como poderá ser visto nas fotos em anexo, os del Valle davam um passo muito mais significativo do que simplesmente controlar mentes humanas.. (modelo ideal que pode ser bem apreendido assistindo-se o clássico filme: "A coisa", baseado na obra do não menos clássico, mas muito mais grandioso Stephen King..). A investida era mais séria do que eu sempre pensei.
O intuito primordial dos Sucos del Valle não era simplesmente dominar mentes humanas. Eles desejavam preparar invólucros para receber suas "crianças". Isso mesmo, invólucros para suas crianças. Mas que crianças?.. você deve estar de se perguntando.. você pode vê-la no detalhe, já desenvolvida, tendo consumido boa parte do suco que a envolvia. Ou você achava que eram humanos que comandavam o esquema e queriam dominar o mundo?.. Não, não.. infelizmente o caso é muito pior...
Inserindo embriões no suco, estes poderiam se desenvolver de forma parasitária em seus hospedeiros, dominados pelo suco e sem perceber, fazendo todo o necessário para auxiliar no desenvolvimento da criatura dentro de si mesmo. Estas, passado o devido tempo, vestiriam o corpo de seus hospedeiros, tomando seu lugar em nossa sociedade e paulatinamente criando os meios para a ascenção total do suco... líderes mundiais, mega empresários, figuras de destaque na mídia global.. paulatinamente sendo assimilados e tornando cada vez mais "natural o processo.."
À baixo segue o relato da nutricionista que casualmente encontrou o hospedeiro no suco na integra, sem alterações..
Espero que meus esforços tenham sido suficientes.. precisarei me manter ausente por certo tempo a partir daqui.. espero ter plantado a semente da esperança em seus inconscientes... pelo livre pensar.. pela liberdade de expressão.. e pelo Dunga fora da seleção...
"A GENTE ACHA QUE NÃO ACONTECE COM A GENTE: OLHA O QUE EU ACHEI NA CAIXA DO SUCO VALLE DE SOJA SABOR LARANJA; SEXTA FEIRA PASSADA, DIA 03/04/08, MINHA TIAS FORAM TOMAR O SUCO (1L) E PERCEBERAM QUE A CAIXA ESTAVA ESTUFADA; CAUSOU-LHES ESTRANHEZA, POIS NÃO A COMPRARAM ASSIM; LOGO, ABRIRAM-NA REMOVENDO O LACRE DA TAMPA; MAS AO DESPEJAR O SUCO NO COPO O MESMO NÃO SAÍA DA CAIXA, ENTÃO PERCEBERAM QUE ALGUMA COISA ESTAVA ERRADA; EU MORO NO MESMO PRÉDIO QUE ELAS, SENDO ASSIM ME CHAMARAM PORQUE SABEM QUE, COMO NUTRICIONISTA, ADORARIA VER AQUILO!!!; RESOLVEMOS ENTÃO ABRIR A CAIXA COM UMA TESOURA; TIVEMOS UMA GRANDE SURPRESA! NOS DEPARAMOS COM ESTE 'SER' NÃO IDENTIFICADO DENTRO DA CAIXA (COMO PODEM VER NAS FOTOS - PARECE UMA LAGARTIXA OU UM COURO DE COBRA EM PEDAÇOS, MUITO NOJENTO!); IMEDIATAMENTE FIZ CONTATO COM O SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO CONSUMIDOR DA EMPRESA DEL VALLE QUE PEDIU DESCULPAS E FALOU QUE EM 3 DIAS UTEIS RECOLHERIA O PRODUTO PARA VERIFICAR O QUE ERA; COMO DE PRAXE OFERECERAM UM SUCO DE REPOSIÇÃO, MAS FALEI QUE INDEPENDENTE DA SUBSTITUIÇÃO GOSTARIA DE SABER O QUE ERA AQUILO QUE COMPREI??? HOJE É DIA 10/04/08 E ATÉ O MOMENTO NENHUMA EMPRESA HAVIA ME LIGADO OU BUSCADO A CAIXA COM O TAL 'BICHO' E A MESMA SE ENCONTRA NA MINHA GELADEIRA HÁ QUASE 7 DIAS. LIGUEI PARA EMPRESA DEL VALLE NOVAMENTE (REVOLTADA É CLARO!) E FALEI QUE DIVULGARIA ESTAS FOTOS PARA TODO MUNDO QUE CONHEÇO: PACIENTES, ALUNOS, AMIGOS, FAMÍLIA E PEÇO QUE TODOS AS DIVULGUEM PARA OUTRAS PESSOAS TBM; ISTO É UM ABSURDO!!!SABEM O QUE A DEL VALLE JUSTIFICOU POR NÃO TER VINDO NINGUÉM AINDA RECOLHER O SUCO EM MINHA CASA? FALARAM QUE NO ESTOQUE NÃO HAVIA SUCO DE SABOR LARANJA PARA FAZER A REPOSIÇÃO. ISSO É REVOLTANTE!!! NÃO ME INTERESSA O SABOR E SIM QUAL CONDUTA TOMARIAM EM RELAÇÃO AO CONTROLE DE QUALIDADE DA EMPRESA; ATUALMENTE TEMOS UMAS 6 CAIXAS DE OUTROS SUCOS NA GELADEIRA MAS NÃO DÁ PARA TOMAR POIS TODA HORA VC LEMRA QUE ENCONTROU UM 'BICHO' NOJENTO EM OUTRA CAIXA; E AÍ ME PERGUNTO: COMO É O SISTEMA DE ENVASE DESSAS EMPRESAS, CONDIÇÕES DE HIGIENE, FISCALIZAÇÃO ETC? CONFESSO QUE JÁ HAVIA RECEBIDO UM EMAIL DE UMA LAGARTA ENORME NA CAIXA DO SUCO MAIS, MAS AGORA QUE ACONTECEU COMIGO NÃO DÁ VONTADE ALGUMA DE TOMAR ESSES SUCOS DE CAIXA; COMO NUTRICIONISTA CONTINUAREI A INSISTIR QUE O NATURAL É A MELHOR OPÇÃO, POIS ALÉM DE MANTER MAIOR VALOR NUTRITIVO NÃO CORRO MAIS O RISCO DE ME DEPARAR COM ALGO DE ESTRANHÍSSIMA NATUREZA!. REPASSEM O EMAIL A QUEM CONHECEM E SUGIRO AOS CONSUMIDORES DE SUCOS DE CAIXINHA A FICAREM ATENTOS AO TOMAR ESTE PRODUTO
O LOTE DO SUCO QUE COMPREI QUE VEIO COM O 'BICHO' É: L5 K2 19:53h (validade: 23 jun 08)"
O LOTE DO SUCO QUE COMPREI QUE VEIO COM O 'BICHO' É: L5 K2 19:53h (validade: 23 jun 08)"
terça-feira, 10 de junho de 2008
Os Sucos del Valle vão dominar o mundo ou uma minha teoria da conspiração...
(1a parte) http://salvesalvejorge.blogspot.com/2008/05/os-suco-del-valle-vo-dominar-o-mundo-ou.html
(2a parte) http://salvesalvejorge.blogspot.com/2008/06/os-sucos-del-valle-vo-dominar-o-mundo.html
Leia essa pequena introdução:
http://noticias.uol.com.br/economia/ultnot/valor/2006/12/20/ult1913u62233.jhtm
Depois de um silêncio, camuflando suas ações como as rotineiras operações de uma empresa do ramo de sucos, essa companhia "familiar" apenas estava alargando a base de operação e de alcance de seus mecanismos de domínio do livre arbítrio da ignorante humanidade.
Comprada pela Coca-cola? Vamos destrinchar aqui algumas verdades...
Pagar 470 milhões por uma empresa que dá lucro de 1,4 milhão? Pra ter o lucro de volta em 400 anos? Que mega-multinacional alimentícia faz isso?.. Ainda mais a Coca cola que pela primeira vez na história viu a Pepsi Co passá-la em valor de ações na bolsa de valores (a Coca ainda vende mais que a Pepsi, pros cocolatras que protestam.. mas o conjunto da empresa da Pepsi agora vale mais que a da Coca).. temos aqui provavelmente a maior gigante do mercado tendo seu mercado abalado.. eles que criaram o Papai Noel precisavam agora recuperar espaço.. foi quando receberam uma certa oferta de uma singela "empresa familiar"..
Que empresa no mundo apresenta rendimento de 100% em seu papéis ao mês com um irrisório lucro de 1 milhão ao ano?.. Afinal de contas, os lucros não são o x da questão e a matéria prima extra é deveras onerosa..
Pode parecer, assim, aos desavisados, que a Coca cola comprou o Suco del Valle, mas olhos atentos podem desnudar a verdade.. em dezembro de 2006 os Suco del Valle assimilaram a Coca cola "em seu portfólio de produtos bem elaborado".. um prenúncio da investida final a se realizar alguns meses depois, uma vez que a expansão totalizante capaz de abarcar todo o globo acabava de ser realizada.. faltava apenas agora o tempo para "incluir" a tecnologia del Valle nos produtos da Coca Cola Co. e a derrocada da liberdade de pensamento teria início...
No entanto, o caráter desentupidor de pia da coca impediu o pleno desenvolvimento da substância controladora de mente à base de chuchu, o que exigiu um redimensionamento dos planos e uma mudança de abordagem.. o caldo ia engrossar...
(2a parte) http://salvesalvejorge.blogspot.com/2008/06/os-sucos-del-valle-vo-dominar-o-mundo.html
Leia essa pequena introdução:
http://noticias.uol.com.br/economia/ultnot/valor/2006/12/20/ult1913u62233.jhtm
Depois de um silêncio, camuflando suas ações como as rotineiras operações de uma empresa do ramo de sucos, essa companhia "familiar" apenas estava alargando a base de operação e de alcance de seus mecanismos de domínio do livre arbítrio da ignorante humanidade.
Comprada pela Coca-cola? Vamos destrinchar aqui algumas verdades...
Pagar 470 milhões por uma empresa que dá lucro de 1,4 milhão? Pra ter o lucro de volta em 400 anos? Que mega-multinacional alimentícia faz isso?.. Ainda mais a Coca cola que pela primeira vez na história viu a Pepsi Co passá-la em valor de ações na bolsa de valores (a Coca ainda vende mais que a Pepsi, pros cocolatras que protestam.. mas o conjunto da empresa da Pepsi agora vale mais que a da Coca).. temos aqui provavelmente a maior gigante do mercado tendo seu mercado abalado.. eles que criaram o Papai Noel precisavam agora recuperar espaço.. foi quando receberam uma certa oferta de uma singela "empresa familiar"..
Que empresa no mundo apresenta rendimento de 100% em seu papéis ao mês com um irrisório lucro de 1 milhão ao ano?.. Afinal de contas, os lucros não são o x da questão e a matéria prima extra é deveras onerosa..
Pode parecer, assim, aos desavisados, que a Coca cola comprou o Suco del Valle, mas olhos atentos podem desnudar a verdade.. em dezembro de 2006 os Suco del Valle assimilaram a Coca cola "em seu portfólio de produtos bem elaborado".. um prenúncio da investida final a se realizar alguns meses depois, uma vez que a expansão totalizante capaz de abarcar todo o globo acabava de ser realizada.. faltava apenas agora o tempo para "incluir" a tecnologia del Valle nos produtos da Coca Cola Co. e a derrocada da liberdade de pensamento teria início...
No entanto, o caráter desentupidor de pia da coca impediu o pleno desenvolvimento da substância controladora de mente à base de chuchu, o que exigiu um redimensionamento dos planos e uma mudança de abordagem.. o caldo ia engrossar...
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Vigiar e punir ou Pagando persianas...
O momento histórico das disciplinas é o momento em que nasce uma arte do corpo humano, que visa não unicamente o aumento de suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil, e inversamente. Forma-se então uma política das coerções que são um trabalho sobre o corpo, uma manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos. O corpo humano entra numa maquinaria do poder que o esquadrinha, o desarticula e o recompõe. (Foucault, Michel. Vigiar e Punir, p. 119.)
Ele era um sujeito. Só sujeito. Rimava com aceito, mas tinha vez que sentia arder o peito.. daí não tinha jeito.. danava-se o aceito e o tal do sujeito, que ardia o peito, atirava-se no leito, bebia de jeito e caia satisfeito com o ar rarefeito, sorvendo respeito por ele mesmo..
Mas se ia a esmo, o satisfeito sujeito, logo mesmo surgia algum barão com seu ar de mandão taxando-o de ladrão, fanfarrão ou bufão e que se não tinha ocupação, que trata-se de arranjar, pois assim não podia ficar, que sujeito que é sujeito tem que trabalhar, os lucros potencilizar e fazer a terra girar com a força de suas mãos
E até que ele precisava de grana, já que não era do tipo que afana e queria levar Diana pra chupar cana, enquanto ele a abana e declarações derrama.. é que o sujeito ama e queria fazer fama, pra estender boa cama para sua dama, com persiana no quarto e tudo mais.. e então pra conseguir umas posses e pagar umas doses, o trabalho até quebraria o galho, compraria um baralho e trocaria as roupas de espantalho, mas sem o sujeito perceber o "eu tenho, mas encalho" virou a trama
Quanto mais corria, mais apertava, e o sujeito ia, mas quanto mais ia, mais exitava, pensava na lida brava, na labuta que só se agrava, nas lágrimas que derramava e Diana ele quase não mais encontrava, porque ela também ralava e no fim o dinheiro nunca dava, nem ele mais versava.. no máximo um assovio, quase um desvario, pois o céu não se abria no estio, ele não dava mais nenhum pio e logo eles seriam um trio e tudo ia ficar mais complicado
E foi assim que o sujeito tão sujeito sentiu as asas sangradas, mas deixou-as guardadas querendo lembrar de uma alvorada que se apagava de sua mente...
Ele era um sujeito. Só sujeito. Rimava com aceito, mas tinha vez que sentia arder o peito.. daí não tinha jeito.. danava-se o aceito e o tal do sujeito, que ardia o peito, atirava-se no leito, bebia de jeito e caia satisfeito com o ar rarefeito, sorvendo respeito por ele mesmo..
Mas se ia a esmo, o satisfeito sujeito, logo mesmo surgia algum barão com seu ar de mandão taxando-o de ladrão, fanfarrão ou bufão e que se não tinha ocupação, que trata-se de arranjar, pois assim não podia ficar, que sujeito que é sujeito tem que trabalhar, os lucros potencilizar e fazer a terra girar com a força de suas mãos
E até que ele precisava de grana, já que não era do tipo que afana e queria levar Diana pra chupar cana, enquanto ele a abana e declarações derrama.. é que o sujeito ama e queria fazer fama, pra estender boa cama para sua dama, com persiana no quarto e tudo mais.. e então pra conseguir umas posses e pagar umas doses, o trabalho até quebraria o galho, compraria um baralho e trocaria as roupas de espantalho, mas sem o sujeito perceber o "eu tenho, mas encalho" virou a trama
Quanto mais corria, mais apertava, e o sujeito ia, mas quanto mais ia, mais exitava, pensava na lida brava, na labuta que só se agrava, nas lágrimas que derramava e Diana ele quase não mais encontrava, porque ela também ralava e no fim o dinheiro nunca dava, nem ele mais versava.. no máximo um assovio, quase um desvario, pois o céu não se abria no estio, ele não dava mais nenhum pio e logo eles seriam um trio e tudo ia ficar mais complicado
E foi assim que o sujeito tão sujeito sentiu as asas sangradas, mas deixou-as guardadas querendo lembrar de uma alvorada que se apagava de sua mente...
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Os Sucos Del Valle vão dominar o mundo ou uma minha teoria maluca...
O Arquivo X
Não tendo mais nada a perder, devido às diversas tentativas do Suco del Valle de me eliminar, partimos para a ofensiva. Na casa de meu fiel (ainda que arrogante e criado pela Vó) amigo Gordo passamos a tentar nos antecipar às investidas do malévolo maligno do mal suco controlador de mentes... desbravando as poderosas defesas virtuais dos computadores inimigos, adentramos o campo inimigo auxiliados pela arrogância inimiga em acreditar que não seriamos capazes de tanto... firewalls e outra barreiras foram suplantadas pelo arsenal tecnológico de gordinho nerds do meu Sancho Pansa informatizado. Após alguns dias de pesquisa incessante achamos a mais preciosa das informações sobre os Sucos... As projeções a longo prazo previam indíces de crescimento de fazer inveja à China... em alguns anos os sucos del valle consolidariam sua posição de o suco mais consumido do mundo, galgando espaço cada vez mais signifiicativo nos hábitos alimentares da população globalizada... ainda assim isso nem impediria o consumo de outros produtos, mesmo de outros sucos... a partir desse momento, em intricadas operações financeiras, o suco del valle seriam responsáveis por variações cambiais intensas, levando a oscilações nas bolsas de todo mundo, quebras de empresas e um aumento esmagador da concentração e monopólio das produções de soja e laranja mundial, além da desestabilização de uma outra gigante global da industria alimentícia... a Coca-cola...
Aqui cabe mais um parentese, O CHUCHU:
A algum tempo atrás, durante uma profunda conversa com um dos meus amigos mais bem qualificado intelectualmente, o Humberto, acerca das propriedades alimenticias dos diversos produtos existentes no mercado, nos deparamos com uma questão intrigante: o que era o Chuchu? Durante uma longíssima discussão percebemos não haver o consumo do Chuchu pelo chuchu, este estava sempre a acompanahr algum outro alimento... no fim o Chuchu só servia para engrossar a outra substância que acompanhava... isso pela sua total e completa insipidez... Chuchu não tem gosto de nada... é igual a... AGUA... logo o chuchu seria o 4o estado da agua (solido, liquido, gasoso e chuchu)!!! Mas o que isso tem a ver com os Sucos del Valle perguntam voces? Bom...
De posse das produções mundiais de laranja e soja, ambos ricas fontes nutritivas para os seres humanos... os sucos del valle seriam responsáveis pela mais drástica alteração na agricultura desde a sua invenção. Por mais incrivel que pareça o Chuchu é mais do que o 4o estado da água... o chuchu é a base do elemento controlador de mentes dos sucos del valle...
Como?Mascarado facilmente pela sua total insipidez, o Chuchu gerava alterações sistemáticas nas trocas osmóticas das bombas de sódio e potássio no cerébro humano( Na e K )... isso combinado a uma grande dosagem de açucar no organismo tornava todos os cerébros humanos sucetíveis a comandos subliminares leves, quase imperceptiveis, gerando sutis alterações de comportamento...
No entanto, os arquivos X revelavam que a exposição constante a tal combinação geraria não só dependencia, mas a subordinação total da psique da vítima...
Mas isso iria requerer uma produção incomensurável de Chuchu para atingir toda a população mundial... como seria feito isso?
Controlando a produção mundial de soja e laranja, os Sucos del valle planejam utilizar a alta capacidade de adaptação da soja... afinal todo mundo sabe que tem leite de soja, carne de soja, frutas de soja... até camarão de soja... porque não chuchu de soja? Pois este é o plano... uma imensa e extensa produção de sucos del valle de soja transgênica sabor chuchu (em versões normal e light)... mas e a laranja né?A laranja é uma fruta notória por ser misturável com qualquer outro suco... "dá um engrossada"... fazendo isso os Suco del Valle teriam capacidade para fornecer sucos para o mundo todo, afinal a população não para de subir.
Neste ponto do planejamento encerram-se as informações do arquivo... talvez mesmo os malditos sucos não preveem o que acontecerá...
Ainda assim, meus míseros relatos perturbaram a calmaria do Império, e somente agora novas consequências se desenrolam...
(Continua...)
Não tendo mais nada a perder, devido às diversas tentativas do Suco del Valle de me eliminar, partimos para a ofensiva. Na casa de meu fiel (ainda que arrogante e criado pela Vó) amigo Gordo passamos a tentar nos antecipar às investidas do malévolo maligno do mal suco controlador de mentes... desbravando as poderosas defesas virtuais dos computadores inimigos, adentramos o campo inimigo auxiliados pela arrogância inimiga em acreditar que não seriamos capazes de tanto... firewalls e outra barreiras foram suplantadas pelo arsenal tecnológico de gordinho nerds do meu Sancho Pansa informatizado. Após alguns dias de pesquisa incessante achamos a mais preciosa das informações sobre os Sucos... As projeções a longo prazo previam indíces de crescimento de fazer inveja à China... em alguns anos os sucos del valle consolidariam sua posição de o suco mais consumido do mundo, galgando espaço cada vez mais signifiicativo nos hábitos alimentares da população globalizada... ainda assim isso nem impediria o consumo de outros produtos, mesmo de outros sucos... a partir desse momento, em intricadas operações financeiras, o suco del valle seriam responsáveis por variações cambiais intensas, levando a oscilações nas bolsas de todo mundo, quebras de empresas e um aumento esmagador da concentração e monopólio das produções de soja e laranja mundial, além da desestabilização de uma outra gigante global da industria alimentícia... a Coca-cola...
Aqui cabe mais um parentese, O CHUCHU:
A algum tempo atrás, durante uma profunda conversa com um dos meus amigos mais bem qualificado intelectualmente, o Humberto, acerca das propriedades alimenticias dos diversos produtos existentes no mercado, nos deparamos com uma questão intrigante: o que era o Chuchu? Durante uma longíssima discussão percebemos não haver o consumo do Chuchu pelo chuchu, este estava sempre a acompanahr algum outro alimento... no fim o Chuchu só servia para engrossar a outra substância que acompanhava... isso pela sua total e completa insipidez... Chuchu não tem gosto de nada... é igual a... AGUA... logo o chuchu seria o 4o estado da agua (solido, liquido, gasoso e chuchu)!!! Mas o que isso tem a ver com os Sucos del Valle perguntam voces? Bom...
De posse das produções mundiais de laranja e soja, ambos ricas fontes nutritivas para os seres humanos... os sucos del valle seriam responsáveis pela mais drástica alteração na agricultura desde a sua invenção. Por mais incrivel que pareça o Chuchu é mais do que o 4o estado da água... o chuchu é a base do elemento controlador de mentes dos sucos del valle...
Como?Mascarado facilmente pela sua total insipidez, o Chuchu gerava alterações sistemáticas nas trocas osmóticas das bombas de sódio e potássio no cerébro humano( Na e K )... isso combinado a uma grande dosagem de açucar no organismo tornava todos os cerébros humanos sucetíveis a comandos subliminares leves, quase imperceptiveis, gerando sutis alterações de comportamento...
No entanto, os arquivos X revelavam que a exposição constante a tal combinação geraria não só dependencia, mas a subordinação total da psique da vítima...
Mas isso iria requerer uma produção incomensurável de Chuchu para atingir toda a população mundial... como seria feito isso?
Controlando a produção mundial de soja e laranja, os Sucos del valle planejam utilizar a alta capacidade de adaptação da soja... afinal todo mundo sabe que tem leite de soja, carne de soja, frutas de soja... até camarão de soja... porque não chuchu de soja? Pois este é o plano... uma imensa e extensa produção de sucos del valle de soja transgênica sabor chuchu (em versões normal e light)... mas e a laranja né?A laranja é uma fruta notória por ser misturável com qualquer outro suco... "dá um engrossada"... fazendo isso os Suco del Valle teriam capacidade para fornecer sucos para o mundo todo, afinal a população não para de subir.
Neste ponto do planejamento encerram-se as informações do arquivo... talvez mesmo os malditos sucos não preveem o que acontecerá...
Ainda assim, meus míseros relatos perturbaram a calmaria do Império, e somente agora novas consequências se desenrolam...
(Continua...)
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Amor à primeira vista ou Roubei essas palavras de lábios que nunca as pronunciaram...
(Eu também estava ali, perdido no fim do mundo, da janela, contemplando a procissão de gigantes que seguia pelo céu em um cortejo fúnebre...)
"E a outra... a última... acho que me apaixonei por ela. De leve. Não é bobo? Era como se já a conhecesse. Como se fosse minha amiga mais antiga e querida. O tipo de pessoa a quem se pode contar tudo, até as piores coisas, e ela ainda gostará de você. Porque o conhece. Senti vontade de ir com ela. Queria que ela me notasse.
Então ela parou de caminhar. Parada sob a lua, olhou para nós. Olhou para mim. Talvez estivesse tentando me dizer algo, não sei. Não devia nem saber que eu estava ali. Mas sempre a amarei por toda minha vida." (Gaiman, Neil. Fim dos Mundos. São Paulo: Conrad, 2008, p. 156/7)
(Os olhos dela tinham o pesar de uma lua crescente sangrenta. E o cabelo dela escondia mais mistérios sombrios que a vastidão do universo. Não havia lágrimas correndo pela pele alva como o mármore de um túmulo. E naquele rosto sem linhas se fazia a expressão que tudo diz de tanto que cala. Como não amá-la? Trazia as mãos unidas, à frente do corpo, sobre o ventre. Alguns fios desajeitados cortavam a face. Era bela como a necessidade de uma alma, que no afã da liberdade, morre no beijo da amada.)
"E a outra... a última... acho que me apaixonei por ela. De leve. Não é bobo? Era como se já a conhecesse. Como se fosse minha amiga mais antiga e querida. O tipo de pessoa a quem se pode contar tudo, até as piores coisas, e ela ainda gostará de você. Porque o conhece. Senti vontade de ir com ela. Queria que ela me notasse.
Então ela parou de caminhar. Parada sob a lua, olhou para nós. Olhou para mim. Talvez estivesse tentando me dizer algo, não sei. Não devia nem saber que eu estava ali. Mas sempre a amarei por toda minha vida." (Gaiman, Neil. Fim dos Mundos. São Paulo: Conrad, 2008, p. 156/7)
(Os olhos dela tinham o pesar de uma lua crescente sangrenta. E o cabelo dela escondia mais mistérios sombrios que a vastidão do universo. Não havia lágrimas correndo pela pele alva como o mármore de um túmulo. E naquele rosto sem linhas se fazia a expressão que tudo diz de tanto que cala. Como não amá-la? Trazia as mãos unidas, à frente do corpo, sobre o ventre. Alguns fios desajeitados cortavam a face. Era bela como a necessidade de uma alma, que no afã da liberdade, morre no beijo da amada.)
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Poder ou Quem dera...
Poder
E suas possibilidades...
(Ele girava algumas idéias entre os dedos. Alguns medos entre as narinas. O peito ofegava como só o peito de um fumante fazia. Girou um olhar como uma bailarina que quer impressionar. Bebeu como quem bebe pra esquecer. Não esqueceu. Não impressionou.)
Podre
E suas podridões...
(Escarrou verde musgo. O chão era marrom-amanhã-morreremos e grudento. Havia sujeira que faria as baratas desvalorizarem tal imóvel. Um panfleto amassado ainda tinha vestígios da droga. O cheiro de urina fazia tudo parecer ainda pior. Amarelo-desgraça.)
Pode
E suas posições...
(Estava ereto. Estava convicto. De tão abalado. De tão embalado. De tantos vícios. Estava curvado. De tão ensaguentado, estava vazio. Oco. Era pouco. Nem estava de tanto que era. Ele tinha a fera e nenhum bela, rosa ou maldita maldição.)
Pó
E suas poeiras...
(Sujeira. Cinzas. Cocaína. Sujeira. Café. Riscado. Giz. Sujeira. Cinzas. Sal. Sal. Sal.)
Dê
E suas dicas...
(Quem tropeça levanta. Quem almoça desiste da janta. Quem canta seus males espanta. Pra que um pouco se a vida é tanta. Amassou e jogou tudo no lixo. Prolixo. Prefixo. Dante.)
R
E seus erros...
(Levantou. Deixou o que restava na garrafa. Ninguém viera. Já não é mais primavera. Só o inverno impera. Quem dera.. quem dera. Cheirou o que restava. Fumou a última guimba. Lembrou-se do último amor. Colocou as cadeiras sobre a mesa. Apagou a luz e foi-se. Nem mais, nem menos...)
E suas possibilidades...
(Ele girava algumas idéias entre os dedos. Alguns medos entre as narinas. O peito ofegava como só o peito de um fumante fazia. Girou um olhar como uma bailarina que quer impressionar. Bebeu como quem bebe pra esquecer. Não esqueceu. Não impressionou.)
Podre
E suas podridões...
(Escarrou verde musgo. O chão era marrom-amanhã-morreremos e grudento. Havia sujeira que faria as baratas desvalorizarem tal imóvel. Um panfleto amassado ainda tinha vestígios da droga. O cheiro de urina fazia tudo parecer ainda pior. Amarelo-desgraça.)
Pode
E suas posições...
(Estava ereto. Estava convicto. De tão abalado. De tão embalado. De tantos vícios. Estava curvado. De tão ensaguentado, estava vazio. Oco. Era pouco. Nem estava de tanto que era. Ele tinha a fera e nenhum bela, rosa ou maldita maldição.)
Pó
E suas poeiras...
(Sujeira. Cinzas. Cocaína. Sujeira. Café. Riscado. Giz. Sujeira. Cinzas. Sal. Sal. Sal.)
Dê
E suas dicas...
(Quem tropeça levanta. Quem almoça desiste da janta. Quem canta seus males espanta. Pra que um pouco se a vida é tanta. Amassou e jogou tudo no lixo. Prolixo. Prefixo. Dante.)
R
E seus erros...
(Levantou. Deixou o que restava na garrafa. Ninguém viera. Já não é mais primavera. Só o inverno impera. Quem dera.. quem dera. Cheirou o que restava. Fumou a última guimba. Lembrou-se do último amor. Colocou as cadeiras sobre a mesa. Apagou a luz e foi-se. Nem mais, nem menos...)
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Os Sucos Del Valle vão dominar o mundo ou uma minha teoria maluca...
Num futuro cada vez mais proximo, os Sucos del Valle vão dominar o mundo.
Comecemos do começo...
Há cerca de 8 anos atrás... eu trabalhava no arquivo do Senado como estagiário juntamente om outros amigos do curso de História da UnB...
Curiosamente, eu sou uma pessoa que bebe bastante suco, mas estava a beber refrigerantes numa festinha de amigo oculto quando escutei a conversa:
"Você já bebeu... não? Ah você tem de beber... é muito bom..."
"Mas engraçado, nunca ouvi falar dele..."
"Pois é, é novo, super bom..."
"Nossa é bom mesmo...
Reparei no diálogo, e nos dias consecutivos escutei muitas vezes mais... no trabalho, nas ruas, entre os amigos... até mesmo em casa...
Por toda a parte as pessoas consumiam aquele suco, do qual ninguem ouvira falar...
Nada de propagandas, publicidade...nada... qual era o segredo? o que estava havendo?
Em poucos meses, observando o comportamento dos usuarios (varios amigos e parentes), percebi a irritação que lhes causava o não consumo do suco por minha parte... em pouco tempo descobri o segredo... o SUCO DEL VALLE escondia um componente CONTROLADOR DE MENTES em sua fórmula...
Em pouco tempo, começaram os ataques, amigos meus começaram a tentar me convencer de qualquer forma a ingerir aquele suco, usavam até planos para que eu o fizesse sem saber (tipo igual a turma da mônica tentando dar banho no cascão)...
Devido às constantes falhas nos planos, continuei à salvo, mas muitos passaram a tentar me excluir ou ridicularizar...
Comecei a tentar salvar os dominados e informar aqueles que por sorte ainda não haviam ingerido o suco... MAS EU NÃO ESTAVA PREPARADO PARA O QUE VIRIA A SEGUIR...
Enquanto eu travava minha cruzada contra o consumo daquele suco, que ninguem ouvira falar, mas todo mundo tomava... um evento de grandes proporções aconteceu... Uma noite em rede nacional, no horário nobre... uma propaganda...
A propaganda se inicia com duas pessoas conversando:
- Engraçado, mas eu nunca ouvi falar desse suco...
No que a segunda responde - É ótimo. Eu tomei na casa de uma amiga...
Aparece a casa da amiga...
A segunda pessoa diz - Que delícia... nunca tinha ouvido falar...
A amiga responde - Pois é, eu tomei no escritório, meu estagiário...
Enfim, muitos diálogos ocorriam, mas todos nessa mesma linha... até que ao fim, em uma mesa de família num almoço de domingo a última pessoa diz:
- Nossa que gostoso, nunca vi uma propaganda...
Nesse momento uma singela menininha loira de uns 6 anos balança na sua cadeira e solta a frase - VAI VER QUE NÃO PRECISA NÉ...
Foi então que aturdido, chocado, deixei a frente da televisão... não acreditava no que havia visto... mais do que projetar diretamente sua imagem para milhões de pessoas, os Sucos del Valle estavam dando uma reposta direta ao combate ao seu consumo... não adiantaria, esforço inútil... ele se disseminava em todos os ambientes, em todas as relações o tempo todo...
Conversando com os poucos amigos sensíveis aos meus apelos... resolvi mudar minha estratégia... deixaria o combate direto ao suco dominador, passando a um combate velado, de guerrilha... não mais abertamente, pois minha segurança já estava em perigo...
Então eles partiram para o ataque...
Aqui farei um pequeno parentese em nossa história...
Desde pequeno, logo depois de largar o peito, sempre fui um grande consumidor de chá... como meu pai sempre bebeu muito... e já cheguei a beber uns 3 litros por dia... ainda hoje bebo pelo menos 1 litro por dia... todos os tipos de chá são apreciados pela minha pessoa (com exceção de boldo e alho), mas meu preferido sempre foi o chá mate... apesar de nunca ter me filiado a uma marca específica, o consumo preferencial na minha casa sempre foi do mate Real...
devido a uma pequena alta em seu preço durente uma época, passamos a consumir o mate Leão (de melhor qualidade, mas com preço até então superior)... cerca de 2 semanas após esse irrelevante fato... estava no centro academico da universidade conversando com uma amiga, Fernanda Chuchu:
- "Jorge, você fiou sabendo?
- Do que Chuchu?
- Os Sucos del valle ... risos... compraram o Chá Real... eu vi isso no jornal e lembrei de você... risos... cuidado, agora você não pode mais tomar esse chá também"
Para minha surpresa os Sucos del Valle estavam tentando me encurralar, partiam para o ataque através do meu mais forte hábito de consumo... por um golpe de sorte eles não haviam previsto que a sutil variação economica gerada pela compra da empresa acarretaria o dispertar da pão-durice do meu pai, recharssando assim a compra do mate contaminado... eu escapei por pouco e começava a ter problemas...
A esta altura do campeonato tudo parecia perdido... não só o consumo dos famigerados sucos del valle cresciam cada vez mais por todo território brasileiro, como agora eu encontrava-me acuado, podendo a qualquer momento ser vítima do suco maldito...
Vários amigos próximos redobraram suas investidas no intuito de me fazer ingerir o suco.... cada vez mais lamentava a perda de amigos, vítimas do consumo do suco... mesmo aqueles antes fora de sua alçada eram atingidos (sucos light, novos sabores, chás... )... meu tempo para deter aquilo era cada vez mais curto e o processo já parecia irreversível...
Foi então que veio a grande investida... dominado pelo suco, meu pai... sim, meu próprio pai tentou através de mecanismos economicos, politicos, socio-culturais me fazer ingerir o suco... fui obrigado a usar toda a minha astucia (alem de uma boa dose de sorte para escapar)... durante a fuga, refugiei-me num dos poucos locais aversos ao suco (a casa do Gordo)...
Lá, através da utilização de avançados computadores, conseguimos colher informações do arquivo X dos Suco del Valle...
O arquivo escancarava o projeto final... o que estava realmente por trás daquela maldita embalagem vermelha (ou prateada no caso dos lights...)
(Continua...)
Comecemos do começo...
Há cerca de 8 anos atrás... eu trabalhava no arquivo do Senado como estagiário juntamente om outros amigos do curso de História da UnB...
Curiosamente, eu sou uma pessoa que bebe bastante suco, mas estava a beber refrigerantes numa festinha de amigo oculto quando escutei a conversa:
"Você já bebeu... não? Ah você tem de beber... é muito bom..."
"Mas engraçado, nunca ouvi falar dele..."
"Pois é, é novo, super bom..."
"Nossa é bom mesmo...
Reparei no diálogo, e nos dias consecutivos escutei muitas vezes mais... no trabalho, nas ruas, entre os amigos... até mesmo em casa...
Por toda a parte as pessoas consumiam aquele suco, do qual ninguem ouvira falar...
Nada de propagandas, publicidade...nada... qual era o segredo? o que estava havendo?
Em poucos meses, observando o comportamento dos usuarios (varios amigos e parentes), percebi a irritação que lhes causava o não consumo do suco por minha parte... em pouco tempo descobri o segredo... o SUCO DEL VALLE escondia um componente CONTROLADOR DE MENTES em sua fórmula...
Em pouco tempo, começaram os ataques, amigos meus começaram a tentar me convencer de qualquer forma a ingerir aquele suco, usavam até planos para que eu o fizesse sem saber (tipo igual a turma da mônica tentando dar banho no cascão)...
Devido às constantes falhas nos planos, continuei à salvo, mas muitos passaram a tentar me excluir ou ridicularizar...
Comecei a tentar salvar os dominados e informar aqueles que por sorte ainda não haviam ingerido o suco... MAS EU NÃO ESTAVA PREPARADO PARA O QUE VIRIA A SEGUIR...
Enquanto eu travava minha cruzada contra o consumo daquele suco, que ninguem ouvira falar, mas todo mundo tomava... um evento de grandes proporções aconteceu... Uma noite em rede nacional, no horário nobre... uma propaganda...
A propaganda se inicia com duas pessoas conversando:
- Engraçado, mas eu nunca ouvi falar desse suco...
No que a segunda responde - É ótimo. Eu tomei na casa de uma amiga...
Aparece a casa da amiga...
A segunda pessoa diz - Que delícia... nunca tinha ouvido falar...
A amiga responde - Pois é, eu tomei no escritório, meu estagiário...
Enfim, muitos diálogos ocorriam, mas todos nessa mesma linha... até que ao fim, em uma mesa de família num almoço de domingo a última pessoa diz:
- Nossa que gostoso, nunca vi uma propaganda...
Nesse momento uma singela menininha loira de uns 6 anos balança na sua cadeira e solta a frase - VAI VER QUE NÃO PRECISA NÉ...
Foi então que aturdido, chocado, deixei a frente da televisão... não acreditava no que havia visto... mais do que projetar diretamente sua imagem para milhões de pessoas, os Sucos del Valle estavam dando uma reposta direta ao combate ao seu consumo... não adiantaria, esforço inútil... ele se disseminava em todos os ambientes, em todas as relações o tempo todo...
Conversando com os poucos amigos sensíveis aos meus apelos... resolvi mudar minha estratégia... deixaria o combate direto ao suco dominador, passando a um combate velado, de guerrilha... não mais abertamente, pois minha segurança já estava em perigo...
Então eles partiram para o ataque...
Aqui farei um pequeno parentese em nossa história...
Desde pequeno, logo depois de largar o peito, sempre fui um grande consumidor de chá... como meu pai sempre bebeu muito... e já cheguei a beber uns 3 litros por dia... ainda hoje bebo pelo menos 1 litro por dia... todos os tipos de chá são apreciados pela minha pessoa (com exceção de boldo e alho), mas meu preferido sempre foi o chá mate... apesar de nunca ter me filiado a uma marca específica, o consumo preferencial na minha casa sempre foi do mate Real...
devido a uma pequena alta em seu preço durente uma época, passamos a consumir o mate Leão (de melhor qualidade, mas com preço até então superior)... cerca de 2 semanas após esse irrelevante fato... estava no centro academico da universidade conversando com uma amiga, Fernanda Chuchu:
- "Jorge, você fiou sabendo?
- Do que Chuchu?
- Os Sucos del valle ... risos... compraram o Chá Real... eu vi isso no jornal e lembrei de você... risos... cuidado, agora você não pode mais tomar esse chá também"
Para minha surpresa os Sucos del Valle estavam tentando me encurralar, partiam para o ataque através do meu mais forte hábito de consumo... por um golpe de sorte eles não haviam previsto que a sutil variação economica gerada pela compra da empresa acarretaria o dispertar da pão-durice do meu pai, recharssando assim a compra do mate contaminado... eu escapei por pouco e começava a ter problemas...
A esta altura do campeonato tudo parecia perdido... não só o consumo dos famigerados sucos del valle cresciam cada vez mais por todo território brasileiro, como agora eu encontrava-me acuado, podendo a qualquer momento ser vítima do suco maldito...
Vários amigos próximos redobraram suas investidas no intuito de me fazer ingerir o suco.... cada vez mais lamentava a perda de amigos, vítimas do consumo do suco... mesmo aqueles antes fora de sua alçada eram atingidos (sucos light, novos sabores, chás... )... meu tempo para deter aquilo era cada vez mais curto e o processo já parecia irreversível...
Foi então que veio a grande investida... dominado pelo suco, meu pai... sim, meu próprio pai tentou através de mecanismos economicos, politicos, socio-culturais me fazer ingerir o suco... fui obrigado a usar toda a minha astucia (alem de uma boa dose de sorte para escapar)... durante a fuga, refugiei-me num dos poucos locais aversos ao suco (a casa do Gordo)...
Lá, através da utilização de avançados computadores, conseguimos colher informações do arquivo X dos Suco del Valle...
O arquivo escancarava o projeto final... o que estava realmente por trás daquela maldita embalagem vermelha (ou prateada no caso dos lights...)
(Continua...)
terça-feira, 8 de abril de 2008
Estou perdido ou A vida é a arte do encontro
"A vida é a arte do encontro
Embora haja tanto desencontro..."
- Estou perdido...
- Perdido?
- Perdido...
- Você?
- Sim.. eu!.. Perdido..
- Estranho...
- Eu sei... mas na verdade já não o é tanta assim...
- Ia dizer que voê parece bem aí pra mim.
- Mas não estou...
- Como não está? Eu posso pegar em você.. veja...
- Mas isso que você pega não me é de todo...
- Ah é? E o que te seria que não isso? Seu espírito?
- Não.. meu espírito eu penhorei a tempo demais pra fazer qualquer diferença...
- Claro, claro.. posso fazer só um parenteses rapidinho.. valeu.. hoje você tá muuuito estranho... continuando.. e onde você está então?
- Não sei.. como comecei a dizer.. estou perdido..
- Perdido de você mesmo?
- Ora se não é só de mim que poderia sê-lo...
- Precisa de ajuda para procurar?
- Seria um tanto inútil a bem da verdade...
- Faz tempo?
- O que?
- Que está perdido..
- Não.. nem tanto.. eu poderia lhe dizer que uma década, mas seria leviano.. poderia dizer que a 3680000 trilhões de gerações de bactérias A5V7 mas seria rebuscado e barroco...
- Você está realmente estranho hoje... mas e então vamos procurar?
- Já lhe disse que é uma busca sem sentido...
- Ouvi dizer que estas são as melhores.. aquelas que duram uma vida inteira..
- Ou mais...
- Pois é...
- Das que pra aguentar só com boa companhia...
- Era o que dizia aquele sambinha...
- Não.. ele dizia que sem um cigarro, uma cachaça e um carinho ninguém segura esse rojão...
- É mesmo... bom, aceita a companhia sr. Perdido?
- De muito bom grado.. é por cá o caminho da perdição... além da cúpula do trovão nas imediações de Pasárgada... mas aviso que vai ser eterna errância..
- Então nós teremos muito o que conversar....
"Não sei onde eu tô indo
Mas sei que eu tô no meu caminho..."
Embora haja tanto desencontro..."
- Estou perdido...
- Perdido?
- Perdido...
- Você?
- Sim.. eu!.. Perdido..
- Estranho...
- Eu sei... mas na verdade já não o é tanta assim...
- Ia dizer que voê parece bem aí pra mim.
- Mas não estou...
- Como não está? Eu posso pegar em você.. veja...
- Mas isso que você pega não me é de todo...
- Ah é? E o que te seria que não isso? Seu espírito?
- Não.. meu espírito eu penhorei a tempo demais pra fazer qualquer diferença...
- Claro, claro.. posso fazer só um parenteses rapidinho.. valeu.. hoje você tá muuuito estranho... continuando.. e onde você está então?
- Não sei.. como comecei a dizer.. estou perdido..
- Perdido de você mesmo?
- Ora se não é só de mim que poderia sê-lo...
- Precisa de ajuda para procurar?
- Seria um tanto inútil a bem da verdade...
- Faz tempo?
- O que?
- Que está perdido..
- Não.. nem tanto.. eu poderia lhe dizer que uma década, mas seria leviano.. poderia dizer que a 3680000 trilhões de gerações de bactérias A5V7 mas seria rebuscado e barroco...
- Você está realmente estranho hoje... mas e então vamos procurar?
- Já lhe disse que é uma busca sem sentido...
- Ouvi dizer que estas são as melhores.. aquelas que duram uma vida inteira..
- Ou mais...
- Pois é...
- Das que pra aguentar só com boa companhia...
- Era o que dizia aquele sambinha...
- Não.. ele dizia que sem um cigarro, uma cachaça e um carinho ninguém segura esse rojão...
- É mesmo... bom, aceita a companhia sr. Perdido?
- De muito bom grado.. é por cá o caminho da perdição... além da cúpula do trovão nas imediações de Pasárgada... mas aviso que vai ser eterna errância..
- Então nós teremos muito o que conversar....
"Não sei onde eu tô indo
Mas sei que eu tô no meu caminho..."
terça-feira, 18 de março de 2008
Fantasia de um delírio inexato ou Mais hidromel...
(Era uma padaria. Dessas de tinta descascada na parede, muitos cartazes de mulheres graficamente tratadas pelo computador anunciando cervejas em posições apelativas, banheiros desagradáveis, alguns ovos esverdeados atrás de um vidro de higiênie duvidosa.. ou seja uma padaria, que podia ser um bar, podia ser um mercadinho.. mas se denominava padaria. Enfim, lá deu-se o encontro.. eles se viram, sorriram simpaticamente e sentaram.. os olhares tentavam falar, mas ainda não tinham achado o idioma certo...)
- Salve salve.. (ele disse como se fosse naturalmente a primeira coisa a ser dita..)
- Olá.. (ela disse meio sem jeito..)
- O que vai ser? (disse o homem da padaria)
- Uma cerveja.. dois copos..
- Mais alguma coisa?
- Por enquanto só isso.. (e ele voltou a olhar para ela, sorrindo da felicidade genuína que o encontro produzia. Se conheciam a tanto tempo que o próprio tempo não fazia qualquer sentido. E eles sempre tinham habitado as periferias dos próprios sentidos, escorregando em beiras de abismos, suspirando na intermitência de certas janelas.. debruçados sobre o beiral, um contato imbricado na poética do delírio puro... e assim se viam de novo pela primeira vez...) Pra mim é como se todo o mar explodisse numa míriade de gotículas flutuantes desdenhosas da gravidade, satisfeitas em refratar a realidade num turbilhão de possibilidades...
- Ai.. eu não sei como você consegue.. assim.. aqui.. entre o saleiro e o copo de cerveja... desculpa, eu sei que.. mas é tudo tão estranho... eu não consigo com a Juliana Paes rindo pra mim..
- Sempre teve esse sabor profano o nosso verbo, daí que não consigo navegar num céu sem as penas dos descaídos... é como se eu cuspice lírios porque plantaste tantas tulipas no meu estômago..
(Ela sorriu e baixou os olhos..) - Ah, eu queria tanto cantar com você até os muros arrebentarem, as asas sangrarem e nossos desejos alçarem vôo até o mar, nosso mar.. mas é que agora parece tão.. inapropriado.. você aí.. eu aqui.. assim, não era.. na boa..
- É que eu não me vesti.. (e os olhos dela se levantaram passando para a camiseta mundana toda azul da hering, um tanto desbotada das lavagens..) Meu pudor me impediu de vestir qualquer coisa.. achei que nada ficaria bem diante dos seus recortes.. as asas presas não permitiriam um conforto significativo.. e você teve o pudor de não se despir, aqui na padaria sua nudez seria explícita demais.. (ele bebeu todo o copo de café com cerveja em um só gole..) Mas descascá-la sempre foi uma massagem pro torpor de existir..
- Já são camadas demais desde que a primeira erodiu sobre as terras gregas..
- Eu sei, a poeira da estátua cuspiu mármore demais pelo jardim.. e medusa preferiu convidar medéia para um chá do que a nós se juntar..
- Só você sabe pintar o vermelho com esse tom de delírio que eu tanto gosto (ela disse esquecendo a parede de tinta descascada ao lado..)
- E só você rasgou as prosopopéias ínfimas dos transeuntes permitindo o vôo mais impactante..
- Eu vim porque aqui foi sempre o estar cujo escapar era mais doce...
- Eu estive aqui sempre sabendo que esse mundo dimensionado entre nós dois produzia os relâmpagos mais cortantes, os trovões mais retumbantes e os desvios mais excitantes...
- Você e suas rimas.. fazendo do diálogo uma esgrima...
- É que sempre pontuamos nossos movimentos com esses saborosos ferimentos, que adocicam os lábios.. chocam os sábios.. eu virei vampiro das suas asas, que só a tua franja varre minhas vitrines.. atiça minhas brasas com quaisquer sintaxes que destines...
(Ela ergueu a taça até os lábios como as ninfas faziam antes dos homens estuprarem o lirismo dos gestos.. sorveu o hidromel sabor de fantasias indianas oníricas.) - Foi um privilégio profanar esse seu campo florido.. gosto muito da paisagem daqui das ruínas..
- Pasárgada sempre é mutante.. e para receber tão nobre visitante, que é residente com direitos de presidente, mandei tudo colorir, as arestas retocar e uns desvarios alimentar, tudo para que não pares de vir.. veja, pintei fogos de artifício com as oito constelações mais importantes para te lembrar que as galáxias são seus olhos e o buraco negro do teu umbigo é o princípio...
- Nunca parei.. (ela disse sentindo a brisa cheiro de sândalo..) Apenas ondulo na tua língua...
- Perdoe-me as lágrimas, mas se todas as fabulas tivessem morais tão significativas, uma sinfonia de silêncio nos acompanharia até o precipício do nosso abraço..
- Ainda podemos cantar a tangente de nosso mergulho..
- Mais hidromel? (disse o formoso homem formado por ângulos obtusos, cacos de ônibus espaciais e areia de ampulhetas do Egito Antigo...)
- Salve salve.. (ele disse como se fosse naturalmente a primeira coisa a ser dita..)
- Olá.. (ela disse meio sem jeito..)
- O que vai ser? (disse o homem da padaria)
- Uma cerveja.. dois copos..
- Mais alguma coisa?
- Por enquanto só isso.. (e ele voltou a olhar para ela, sorrindo da felicidade genuína que o encontro produzia. Se conheciam a tanto tempo que o próprio tempo não fazia qualquer sentido. E eles sempre tinham habitado as periferias dos próprios sentidos, escorregando em beiras de abismos, suspirando na intermitência de certas janelas.. debruçados sobre o beiral, um contato imbricado na poética do delírio puro... e assim se viam de novo pela primeira vez...) Pra mim é como se todo o mar explodisse numa míriade de gotículas flutuantes desdenhosas da gravidade, satisfeitas em refratar a realidade num turbilhão de possibilidades...
- Ai.. eu não sei como você consegue.. assim.. aqui.. entre o saleiro e o copo de cerveja... desculpa, eu sei que.. mas é tudo tão estranho... eu não consigo com a Juliana Paes rindo pra mim..
- Sempre teve esse sabor profano o nosso verbo, daí que não consigo navegar num céu sem as penas dos descaídos... é como se eu cuspice lírios porque plantaste tantas tulipas no meu estômago..
(Ela sorriu e baixou os olhos..) - Ah, eu queria tanto cantar com você até os muros arrebentarem, as asas sangrarem e nossos desejos alçarem vôo até o mar, nosso mar.. mas é que agora parece tão.. inapropriado.. você aí.. eu aqui.. assim, não era.. na boa..
- É que eu não me vesti.. (e os olhos dela se levantaram passando para a camiseta mundana toda azul da hering, um tanto desbotada das lavagens..) Meu pudor me impediu de vestir qualquer coisa.. achei que nada ficaria bem diante dos seus recortes.. as asas presas não permitiriam um conforto significativo.. e você teve o pudor de não se despir, aqui na padaria sua nudez seria explícita demais.. (ele bebeu todo o copo de café com cerveja em um só gole..) Mas descascá-la sempre foi uma massagem pro torpor de existir..
- Já são camadas demais desde que a primeira erodiu sobre as terras gregas..
- Eu sei, a poeira da estátua cuspiu mármore demais pelo jardim.. e medusa preferiu convidar medéia para um chá do que a nós se juntar..
- Só você sabe pintar o vermelho com esse tom de delírio que eu tanto gosto (ela disse esquecendo a parede de tinta descascada ao lado..)
- E só você rasgou as prosopopéias ínfimas dos transeuntes permitindo o vôo mais impactante..
- Eu vim porque aqui foi sempre o estar cujo escapar era mais doce...
- Eu estive aqui sempre sabendo que esse mundo dimensionado entre nós dois produzia os relâmpagos mais cortantes, os trovões mais retumbantes e os desvios mais excitantes...
- Você e suas rimas.. fazendo do diálogo uma esgrima...
- É que sempre pontuamos nossos movimentos com esses saborosos ferimentos, que adocicam os lábios.. chocam os sábios.. eu virei vampiro das suas asas, que só a tua franja varre minhas vitrines.. atiça minhas brasas com quaisquer sintaxes que destines...
(Ela ergueu a taça até os lábios como as ninfas faziam antes dos homens estuprarem o lirismo dos gestos.. sorveu o hidromel sabor de fantasias indianas oníricas.) - Foi um privilégio profanar esse seu campo florido.. gosto muito da paisagem daqui das ruínas..
- Pasárgada sempre é mutante.. e para receber tão nobre visitante, que é residente com direitos de presidente, mandei tudo colorir, as arestas retocar e uns desvarios alimentar, tudo para que não pares de vir.. veja, pintei fogos de artifício com as oito constelações mais importantes para te lembrar que as galáxias são seus olhos e o buraco negro do teu umbigo é o princípio...
- Nunca parei.. (ela disse sentindo a brisa cheiro de sândalo..) Apenas ondulo na tua língua...
- Perdoe-me as lágrimas, mas se todas as fabulas tivessem morais tão significativas, uma sinfonia de silêncio nos acompanharia até o precipício do nosso abraço..
- Ainda podemos cantar a tangente de nosso mergulho..
- Mais hidromel? (disse o formoso homem formado por ângulos obtusos, cacos de ônibus espaciais e areia de ampulhetas do Egito Antigo...)
terça-feira, 4 de março de 2008
Feeling like Alice ou No fio da navalha...
Morpheus: I imagine that right now you're feeling a bit like Alice. Tumbling down the rabbit hole?
Neo: You could say that.
Morpheus: I can see it in your eyes. You have the look of a man who accepts what he sees because he's expecting to wake up. Ironically, this is not far from the truth. Do you believe in fate, Neo?
Neo: No.
Morpheus: Why not?
Neo: 'Cause I don't like the idea that I'm not in control of my life.
Morpheus: I know exactly what you mean. Let me tell you why you're here. You're here because you know something. What you know, you can't explain. But you feel it. You felt it your entire life. That there's something wrong with the world. You don't know what it is, but it's there. Like a splinter in your mind -- driving you mad. It is this feeling that has brought you to me. Do you know what I'm talking about?
Neo: The Matrix?
Morpheus: Do you want to know what it is?(Neo nods his head.)
Morpheus: The Matrix is everywhere, it is all around us. Even now, in this very room. You can see it when you look out your window, or when you turn on your television. You can feel it when you go to work, or when go to church or when you pay your taxes. It is the world that has been pulled over your eyes to blind you from the truth.
Neo: What truth?
Morpheus: That you are a slave, Neo. Like everyone else, you were born into bondage, born inside a prison that you cannot smell, taste, or touch. A prison for your mind. Unfortunately, no one can be told what the Matrix is. You have to see it for yourself. This is your last chance. After this, there is no turning back.
You take the blue pill and the story ends. You wake in your bed and believe whatever you want to believe. You take the red pill and you stay in Wonderland and I show you how deep the rabbit-hole goes. Remember - all I am offering is the truth, nothing more...
Eu tomei algumas pílulas
Umas eram azuis
Outras eram vermelhas
Algumas até multicoloridas
Me revelaram algumas verdades
Algumas mentiras
Alguns discursos maiores que essa vã dicotomia
A profundidade do buraco
Só recongnossível em perspectiva
Eu medi
E abandonei as convenções de medida
Sempre quis permanecer na Terra das Maravilhas
Suplantar essas amarras
Deixar de ser títere
Expandir a percepção
Mas vitimei meu discurso
Desgastei minha visão
Moí minha lingua
E assassinei Alice
Desejoso de voar nas costas do dragão
Cortei um pulso
Dancei com a morte
Me fiz de forte
Pra ter asas amplas
Cabelos compridos
Versos sábios
E um canto confortável
Encontrei foi o mato crescido
As árvores desfolhadas
Uma romaria de profanos ídolos
Um reino de banguelas
Clamando por um Deus que fosse surdo
Carregando a carcaça já podre de Alice...
Neo: You could say that.
Morpheus: I can see it in your eyes. You have the look of a man who accepts what he sees because he's expecting to wake up. Ironically, this is not far from the truth. Do you believe in fate, Neo?
Neo: No.
Morpheus: Why not?
Neo: 'Cause I don't like the idea that I'm not in control of my life.
Morpheus: I know exactly what you mean. Let me tell you why you're here. You're here because you know something. What you know, you can't explain. But you feel it. You felt it your entire life. That there's something wrong with the world. You don't know what it is, but it's there. Like a splinter in your mind -- driving you mad. It is this feeling that has brought you to me. Do you know what I'm talking about?
Neo: The Matrix?
Morpheus: Do you want to know what it is?(Neo nods his head.)
Morpheus: The Matrix is everywhere, it is all around us. Even now, in this very room. You can see it when you look out your window, or when you turn on your television. You can feel it when you go to work, or when go to church or when you pay your taxes. It is the world that has been pulled over your eyes to blind you from the truth.
Neo: What truth?
Morpheus: That you are a slave, Neo. Like everyone else, you were born into bondage, born inside a prison that you cannot smell, taste, or touch. A prison for your mind. Unfortunately, no one can be told what the Matrix is. You have to see it for yourself. This is your last chance. After this, there is no turning back.
You take the blue pill and the story ends. You wake in your bed and believe whatever you want to believe. You take the red pill and you stay in Wonderland and I show you how deep the rabbit-hole goes. Remember - all I am offering is the truth, nothing more...
Eu tomei algumas pílulas
Umas eram azuis
Outras eram vermelhas
Algumas até multicoloridas
Me revelaram algumas verdades
Algumas mentiras
Alguns discursos maiores que essa vã dicotomia
A profundidade do buraco
Só recongnossível em perspectiva
Eu medi
E abandonei as convenções de medida
Sempre quis permanecer na Terra das Maravilhas
Suplantar essas amarras
Deixar de ser títere
Expandir a percepção
Mas vitimei meu discurso
Desgastei minha visão
Moí minha lingua
E assassinei Alice
Desejoso de voar nas costas do dragão
Cortei um pulso
Dancei com a morte
Me fiz de forte
Pra ter asas amplas
Cabelos compridos
Versos sábios
E um canto confortável
Encontrei foi o mato crescido
As árvores desfolhadas
Uma romaria de profanos ídolos
Um reino de banguelas
Clamando por um Deus que fosse surdo
Carregando a carcaça já podre de Alice...
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Quatro partes ou leia de trás pra frente...
- Você já foi melhor nisso.
- É verdade. Já fui.. mas ainda sou bom em outras coisas.
- Sim, sim.. claro.. quem foi rei nunca perde a magestade.
- Isso eu não sei.. mas ainda tenho meus méritos.
- Ou desméritos né..
(Risos) - Pode ser.. de qualquer forma, eu faço o que posso.
- Claro, claro.. afinal nessa competição nunca tem vencedor.
- Mas a gente tem nossos momentos né..
- O que seria de nós sem eles.. cigarro?
- Não, obrigado.. você sabe que eu não fumo..
- Não fuma tabaco..
- É.. isso jaz no passado.
- Bom.. eu não perco tempo controlando meus vícios e além do mais..
- Com licença..
- Quem é você?
- Isso mesmo.. quem é você? Isso aqui é um diálogo em um mundo dicotômico..
- Sim, sim.. mas eu sou a terceira parte..
- Terceira parte?
- Como assim terceira parte?
- Terceira parte oras.. um.. dois.. três.. entenderam? Eu achava que vocês fossem mais espertos..
- É difícil.. não estamos acostumados à uma terceira parte..
- É porque vocês vivem nessa velha panelinha.. "nesse romance astral"..
- E pra que serve uma terceira parte?
- Pra mostrar que as coisas não precisam ter uma serventia para serem, por exemplo..
- Muito interessante.. muito interessante.. aceita um cigarro?
- Sim, claro.. vocês tem algo pra beber?
- Não é uma má idéia.. cerveja?
- Nada melhor no meu entender...
- Mas então.. o que você veio fazer aqui?
- Mudar de ares um pouco.. estava muito quente lá do outro lado..
- Ah sim, as coisas são realmente mais frias por aqui.
- Eu diria mais.. frias, certas, estanques, definidas, acertadas, divisadas.
- Pois é.. vocês não me levem a mal, ou a bem, conforme o caso, mas as coisas por aqui parecem meio monótonas, na verdade.
- Diótonas, no mínimo. E a culpa é dele. Fica tolindo os vícios e os prazeres.
- "É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro".. você acha mesmo que não tem seu quinhão de culpa?
- Muito fácil pra você ir chegando e levantando problemas.
- Você não faz idéia dos conflitos que vivemos por aqui.
- Esqueçam.. ele é sempre assim.. cheio de meio-termos...
- Só me faltava essa..
- E você quem é?
- Devíamos é aproveitar e fazer uma festa logo...
- Eu sou uma outra parte qualquer...
- A quarta parte?
- Se você quizer dizer assim... ontem mesmo eu encontrei um grupo de prolegômeros de alicarnassos e eles me chamavam de "elo mais fraco"... ano passado umas concepções escatológicas me taxaram de "letra f".. mas se quiserem me chamar de quarta parte, fiquem à vontade..
- Entendam que as coisas nunca são tão movimentadas por aqui..
- Claro, claro.. aqui é um mundo dicotômico, eu sei como são essas coisas..
- Pois é, a gente tá acostumado com coisas mais harmônicas..
- Tudo tem uma certa harmonia..
- Isso é você quem diz..
- Mas e então, para que você serve?
- Eu já disse que nem tudo tem serventia..
- Mas eu mesmo tenho muitas.. sou pau pra toda obra..
- E qual é o objetivo disso tudo?
- Isso mesmo? Qual é a de você dois aparecendo aqui?
- Eu queria mostrar o interstício que existe entre vocês...
- E eu não queria mostrar nada além de tudo que algumas coisas podem não representar...
- Ãh?
- Que?
- Nada.. tudo.. alguma coisa.. não representar.. ah, e não necessariamente nessa mesma ordem...
- É verdade. Já fui.. mas ainda sou bom em outras coisas.
- Sim, sim.. claro.. quem foi rei nunca perde a magestade.
- Isso eu não sei.. mas ainda tenho meus méritos.
- Ou desméritos né..
(Risos) - Pode ser.. de qualquer forma, eu faço o que posso.
- Claro, claro.. afinal nessa competição nunca tem vencedor.
- Mas a gente tem nossos momentos né..
- O que seria de nós sem eles.. cigarro?
- Não, obrigado.. você sabe que eu não fumo..
- Não fuma tabaco..
- É.. isso jaz no passado.
- Bom.. eu não perco tempo controlando meus vícios e além do mais..
- Com licença..
- Quem é você?
- Isso mesmo.. quem é você? Isso aqui é um diálogo em um mundo dicotômico..
- Sim, sim.. mas eu sou a terceira parte..
- Terceira parte?
- Como assim terceira parte?
- Terceira parte oras.. um.. dois.. três.. entenderam? Eu achava que vocês fossem mais espertos..
- É difícil.. não estamos acostumados à uma terceira parte..
- É porque vocês vivem nessa velha panelinha.. "nesse romance astral"..
- E pra que serve uma terceira parte?
- Pra mostrar que as coisas não precisam ter uma serventia para serem, por exemplo..
- Muito interessante.. muito interessante.. aceita um cigarro?
- Sim, claro.. vocês tem algo pra beber?
- Não é uma má idéia.. cerveja?
- Nada melhor no meu entender...
- Mas então.. o que você veio fazer aqui?
- Mudar de ares um pouco.. estava muito quente lá do outro lado..
- Ah sim, as coisas são realmente mais frias por aqui.
- Eu diria mais.. frias, certas, estanques, definidas, acertadas, divisadas.
- Pois é.. vocês não me levem a mal, ou a bem, conforme o caso, mas as coisas por aqui parecem meio monótonas, na verdade.
- Diótonas, no mínimo. E a culpa é dele. Fica tolindo os vícios e os prazeres.
- "É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro".. você acha mesmo que não tem seu quinhão de culpa?
- Muito fácil pra você ir chegando e levantando problemas.
- Você não faz idéia dos conflitos que vivemos por aqui.
- Esqueçam.. ele é sempre assim.. cheio de meio-termos...
- Só me faltava essa..
- E você quem é?
- Devíamos é aproveitar e fazer uma festa logo...
- Eu sou uma outra parte qualquer...
- A quarta parte?
- Se você quizer dizer assim... ontem mesmo eu encontrei um grupo de prolegômeros de alicarnassos e eles me chamavam de "elo mais fraco"... ano passado umas concepções escatológicas me taxaram de "letra f".. mas se quiserem me chamar de quarta parte, fiquem à vontade..
- Entendam que as coisas nunca são tão movimentadas por aqui..
- Claro, claro.. aqui é um mundo dicotômico, eu sei como são essas coisas..
- Pois é, a gente tá acostumado com coisas mais harmônicas..
- Tudo tem uma certa harmonia..
- Isso é você quem diz..
- Mas e então, para que você serve?
- Eu já disse que nem tudo tem serventia..
- Mas eu mesmo tenho muitas.. sou pau pra toda obra..
- E qual é o objetivo disso tudo?
- Isso mesmo? Qual é a de você dois aparecendo aqui?
- Eu queria mostrar o interstício que existe entre vocês...
- E eu não queria mostrar nada além de tudo que algumas coisas podem não representar...
- Ãh?
- Que?
- Nada.. tudo.. alguma coisa.. não representar.. ah, e não necessariamente nessa mesma ordem...
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Voltas, revoltas e reviravoltas ou Interstícios da matéria
(Primeiro ele pousou. Depois escondeu as asas, porque sempre chamavam atenção demais. Prendeu os cabelos, afinal o vento soprava forte. Expremeu-se entre a multidão que acotovelava-se sobre o chão enlameado. Não gostava das pessoas.. não gostava do lugar.. mas gostava da música e veio crendo que isso bastaria.
Logo na entrada um segurança apalpou as periferias de seu corpo. Sorriu o sorriso de quem pode abusar falando..) - Esvazie os bolsos...
(O tal segurança de olhos amarelos abriu um sorriso branco quando viu dali sair alguns papelotes.. restos de papiro de uma cópia em aramaico do antigo testamento, um par de pederneiras, um sachê aromatizado e pequenos pacotes de ambrosia...) - O que é isso aqui? Não pode entrar com papel não...
- Ah não? Oras, que coisa.. pode ficar então, eu tenho algumas outras cópias...
- Ceeerto.. (disse o segurança em tom desconfiado, enquanto quase mesclava-se àquela escuridão bruxulenta..) Posso ver seus documentos?
- Eu não tenho documentos.
- Como não tem? Sem documentos não entra...
- Mas eu já paguei pela entrada... (ele mentiu como quem diz a verdade..)
- Sem documentos nada de entrada. (disse convicto e vitorioso com um certo brilho nos olhos amarelos..)
- Entendo.. isso serve? (e ele estendeu para o rapaz dois pequenos bastonetes que cheiravam à canela indiana..)
- Que porra é essa? Tá de sacanagem com a minha cara?
- Não creio que eu me dispusesse a tal feito. (ele disse enquanto o segurança cheirava os bastonetes..)
- Ei William olha só esse figura aqui... (e aproximou-se o supervisor tão mal-encarado, quanto o segurança de olhos amarelos, mas muito maior..)
- Qual o problema aí?
- Ele não tem documentos e ainda trouxe essa merda aqui.. (o brutamontes tomou os bastonetes e também os cheirou..)
- Isso é maconha gringo?
- Não.
- Bem, isso não pode entrar e nem você sem documentos. (William sorriu como sorrira o primeiro segurança..)
- Talvez exista algum substituto.. (ele disse em seu íntimo começando a se impacientar com aqueles tolos humanos..)
- Leia meus lábios, gringo. D O C U M E N T O C O M F O T O!!! (disse William abaixando-se e falando próximo o suficiente para que ele sentisse o cheiro desagradável de suor..)
- Oh sim.. vocês desejam um documento com foto. É claro. Aqui está... (e abrindo a mão esquerda deixou ver um pequeno prisma..)
- Tu tá maluco, doidão? (disse William enquanto o primeiro segurança ria..)
- Ainda não. (ele sorriu, enquanto as almas dos dois esvaiam para o pequeno recepiente, deixando-os estáticos.. invólucros de carne vazios...) Com sua licença.. (e passou por eles, enquanto a pessoa seguinte na fila caminhava feliz por finalmente poder entrar, já levantando os braços para ser revistada... dentro do prisma, antes translúcido, agora levemente fumê, as almas gritavam sem que ninguém as escutasse... ele colocou o prisma no bolso, junto ao sachê e à ambrosia...
Deu uns passos em frente, caminhando em direção à música barulhenta e reverberante... assoviava uma canção de um show de antigamente.. não se faz mais shows como antigamente...)
"Nem de vitória
Nem de derrota eu falei
Tudo o que eu quero é ouvir o povo a cantar
Pra consciência é que eu não posso mentir
Pois meu travesseiro não me deixa dormir..."
Logo na entrada um segurança apalpou as periferias de seu corpo. Sorriu o sorriso de quem pode abusar falando..) - Esvazie os bolsos...
(O tal segurança de olhos amarelos abriu um sorriso branco quando viu dali sair alguns papelotes.. restos de papiro de uma cópia em aramaico do antigo testamento, um par de pederneiras, um sachê aromatizado e pequenos pacotes de ambrosia...) - O que é isso aqui? Não pode entrar com papel não...
- Ah não? Oras, que coisa.. pode ficar então, eu tenho algumas outras cópias...
- Ceeerto.. (disse o segurança em tom desconfiado, enquanto quase mesclava-se àquela escuridão bruxulenta..) Posso ver seus documentos?
- Eu não tenho documentos.
- Como não tem? Sem documentos não entra...
- Mas eu já paguei pela entrada... (ele mentiu como quem diz a verdade..)
- Sem documentos nada de entrada. (disse convicto e vitorioso com um certo brilho nos olhos amarelos..)
- Entendo.. isso serve? (e ele estendeu para o rapaz dois pequenos bastonetes que cheiravam à canela indiana..)
- Que porra é essa? Tá de sacanagem com a minha cara?
- Não creio que eu me dispusesse a tal feito. (ele disse enquanto o segurança cheirava os bastonetes..)
- Ei William olha só esse figura aqui... (e aproximou-se o supervisor tão mal-encarado, quanto o segurança de olhos amarelos, mas muito maior..)
- Qual o problema aí?
- Ele não tem documentos e ainda trouxe essa merda aqui.. (o brutamontes tomou os bastonetes e também os cheirou..)
- Isso é maconha gringo?
- Não.
- Bem, isso não pode entrar e nem você sem documentos. (William sorriu como sorrira o primeiro segurança..)
- Talvez exista algum substituto.. (ele disse em seu íntimo começando a se impacientar com aqueles tolos humanos..)
- Leia meus lábios, gringo. D O C U M E N T O C O M F O T O!!! (disse William abaixando-se e falando próximo o suficiente para que ele sentisse o cheiro desagradável de suor..)
- Oh sim.. vocês desejam um documento com foto. É claro. Aqui está... (e abrindo a mão esquerda deixou ver um pequeno prisma..)
- Tu tá maluco, doidão? (disse William enquanto o primeiro segurança ria..)
- Ainda não. (ele sorriu, enquanto as almas dos dois esvaiam para o pequeno recepiente, deixando-os estáticos.. invólucros de carne vazios...) Com sua licença.. (e passou por eles, enquanto a pessoa seguinte na fila caminhava feliz por finalmente poder entrar, já levantando os braços para ser revistada... dentro do prisma, antes translúcido, agora levemente fumê, as almas gritavam sem que ninguém as escutasse... ele colocou o prisma no bolso, junto ao sachê e à ambrosia...
Deu uns passos em frente, caminhando em direção à música barulhenta e reverberante... assoviava uma canção de um show de antigamente.. não se faz mais shows como antigamente...)
"Nem de vitória
Nem de derrota eu falei
Tudo o que eu quero é ouvir o povo a cantar
Pra consciência é que eu não posso mentir
Pois meu travesseiro não me deixa dormir..."
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Coisas passadas ou melhor post de agosto
Agosto foi difícil. Eram pelo menos umas quatro postagens dignas de figurar aqui. Mas escolhi essa, porque acho que foi o melhor conto que já escrevi...
Fábula ou na contra-mão dos sentidos...
Alice.
Lá estava Alice.
Só Alice.
Alice só.
Ali se via no espelho.
Alice via-se no espelho. Analisava-se os pormenores desajeitamente caprichados. Mudar a cor das mechas? Ou talvez tentar um novo passo? O espelho, por sua vez, seguia frio e reflexivo.
Alice passou os dedos da mão direita sobre a franja, tentando ajeitá-la, apenas para vê-la retornar ao mesmo lugar.. seria o mesmo? Agiu novamente, para obter a mesma reação..
Alice deu-se por vencida.
Suspirou... assim como a Alice do espelho...
Alguém a gritou lá de dentro. Dentro de onde? Da casa.. mas ela ignorou, era experienciada em ignorar. Ignorava os professores.. os locutores.. os pais.. a maior parte dos conhecidos.. até mesmo aquele cão chato que insistia em latir quando entrava em casa... se ignorar era uma arte, Alice era uma artista. Austista. Artista.. sorriu por um segundo tão breve, que mal viu o próprio sorriso no espelho.. Alice não era de sorrir. Guardava os sorrisos para os momentos devidos. Mesmo assim alguns escapavam dos ovários... e ela não se importava muito, desleixada em tantas coisas, negligenciava qualquer preocupação mais profunda...
O grito lá de dentro da casa que diziam ser de Alice, mas a bem da verdade não era, voltou a soar.. como um sino.. como na Igreja, aqui era a casa de um Deus e demônios como Alice tinham dificuldades de ficarem confortáveis, mesmo se fossem sindicalizados...
- Alice??? ALICE??!??! - o barulho que se seguiu foi o dos murros contra a porta que faziam até mesmo o espelho tremer, tornando a imagem de Alice difusa e imprecisa, de contornos indefinidos.. como Alice.. mas lembre-se, Alice era uma artista..
Baixou os olhos para as mãos pequenas, querendo com as próprias mãos acabar com tudo aquilo. Não por não suportar.. suportar não é uma condição, é um estado.. queria-o simplesmente pela possibilidade de fazer tudo diferente. Tudo novo. Não ser Alice. Ser talvez Aline. Ou quem sabe Alícia.. e até mesmo, Bruna... Alice tinha certeza de que seria uma excelente Genoveva.. mas Alice não era artista de certezas e, mal sabia, que não conhecia nenhuma Genoveva...
- A SENHORITA QUER FAZER O FAVOR DE DESTRANCAR A M-E-R-D-A DESSA PORTA?!!!! - retumbou a voz da mão cansada de golpear a porta... Alice só aspirou. Expirou. Estava pálida... era sempre pálida, pele alva com pequeninas sardas esporádicas a perturbar a brancura de sua imensidão. Isso destacava os lábios finos e que não eram vermelhos, como diziam ser vermelhos os lábios.. aliás Alice nunca vira um vermelho que satisfizesse suas espectativas.. e ela tinha tantas espectativas, que esmeradamente esperava. Destacavam-se também os olhos cotidianamente castanhos.. castanhos como o céu cinzento de uma grande metrópole.. sobre eles dois finos riscos chamados sombrancelhas. Quando pequena.. menor que agora ao menos.. Alice gostava de arrancar pêlos das sombrancelhas.. sua mãe sempre a recriminava por isso.. e como tudo que é repreendido, Alice parava para prosseguir na solidão de sua intimidade.
Isso a fez pensar em fumar um cigarro.
Tirou do bolso a carteira de alguma coisa light. Light? Era quase uma piada... fumaça light... ao menos o filtro era branco. Tinha o cigarro mas não tinha fogo.. e não poderia sair ou teria de lutar com a besta-fera que guardava a porta.. tanta vida, tantos desafios.. fitou-se no espelho...
- Tem fogo?
- Não, só cigarros..
- Então estamos na mesma.
- Pois sim..
- E de que me serves nessa prisão?
- Da serventia que me deres..
- Não serve pra acender o cigarro. - ela disse pondo-o entre a ponta de todos os dedos reunidos como se fosse um anel de casamento..
- TEM ALGUÉM AÍ COM VOCÊ?!?? MENINA.. - a voz parecia buscar alguma calma inexistente - Abra a porta, Alice.. prometo que não vou fazer nada..
- Promessas.. - Alice pensou para então falar - E o que tem desse lado aí?
- O mesmo que aí..
- Mais do mesmo?
- Sempre mais do mesmo..
- Não era isso que eu queria ouvir.
- Sinto muito..
- Sente nada.
- O nada tambem o sinto..
- Eu só sinto isso.
- O nada? Não.. não.. sentes mais..
- Não. - E foi tão retumbante aquela negação que findou qualquer possibilidade de diálogo.. Alice virou as costas para o espelho, colocou-se de joelhos e esperou que suas asas começassem a sangrar...
Fábula ou na contra-mão dos sentidos...
Alice.
Lá estava Alice.
Só Alice.
Alice só.
Ali se via no espelho.
Alice via-se no espelho. Analisava-se os pormenores desajeitamente caprichados. Mudar a cor das mechas? Ou talvez tentar um novo passo? O espelho, por sua vez, seguia frio e reflexivo.
Alice passou os dedos da mão direita sobre a franja, tentando ajeitá-la, apenas para vê-la retornar ao mesmo lugar.. seria o mesmo? Agiu novamente, para obter a mesma reação..
Alice deu-se por vencida.
Suspirou... assim como a Alice do espelho...
Alguém a gritou lá de dentro. Dentro de onde? Da casa.. mas ela ignorou, era experienciada em ignorar. Ignorava os professores.. os locutores.. os pais.. a maior parte dos conhecidos.. até mesmo aquele cão chato que insistia em latir quando entrava em casa... se ignorar era uma arte, Alice era uma artista. Austista. Artista.. sorriu por um segundo tão breve, que mal viu o próprio sorriso no espelho.. Alice não era de sorrir. Guardava os sorrisos para os momentos devidos. Mesmo assim alguns escapavam dos ovários... e ela não se importava muito, desleixada em tantas coisas, negligenciava qualquer preocupação mais profunda...
O grito lá de dentro da casa que diziam ser de Alice, mas a bem da verdade não era, voltou a soar.. como um sino.. como na Igreja, aqui era a casa de um Deus e demônios como Alice tinham dificuldades de ficarem confortáveis, mesmo se fossem sindicalizados...
- Alice??? ALICE??!??! - o barulho que se seguiu foi o dos murros contra a porta que faziam até mesmo o espelho tremer, tornando a imagem de Alice difusa e imprecisa, de contornos indefinidos.. como Alice.. mas lembre-se, Alice era uma artista..
Baixou os olhos para as mãos pequenas, querendo com as próprias mãos acabar com tudo aquilo. Não por não suportar.. suportar não é uma condição, é um estado.. queria-o simplesmente pela possibilidade de fazer tudo diferente. Tudo novo. Não ser Alice. Ser talvez Aline. Ou quem sabe Alícia.. e até mesmo, Bruna... Alice tinha certeza de que seria uma excelente Genoveva.. mas Alice não era artista de certezas e, mal sabia, que não conhecia nenhuma Genoveva...
- A SENHORITA QUER FAZER O FAVOR DE DESTRANCAR A M-E-R-D-A DESSA PORTA?!!!! - retumbou a voz da mão cansada de golpear a porta... Alice só aspirou. Expirou. Estava pálida... era sempre pálida, pele alva com pequeninas sardas esporádicas a perturbar a brancura de sua imensidão. Isso destacava os lábios finos e que não eram vermelhos, como diziam ser vermelhos os lábios.. aliás Alice nunca vira um vermelho que satisfizesse suas espectativas.. e ela tinha tantas espectativas, que esmeradamente esperava. Destacavam-se também os olhos cotidianamente castanhos.. castanhos como o céu cinzento de uma grande metrópole.. sobre eles dois finos riscos chamados sombrancelhas. Quando pequena.. menor que agora ao menos.. Alice gostava de arrancar pêlos das sombrancelhas.. sua mãe sempre a recriminava por isso.. e como tudo que é repreendido, Alice parava para prosseguir na solidão de sua intimidade.
Isso a fez pensar em fumar um cigarro.
Tirou do bolso a carteira de alguma coisa light. Light? Era quase uma piada... fumaça light... ao menos o filtro era branco. Tinha o cigarro mas não tinha fogo.. e não poderia sair ou teria de lutar com a besta-fera que guardava a porta.. tanta vida, tantos desafios.. fitou-se no espelho...
- Tem fogo?
- Não, só cigarros..
- Então estamos na mesma.
- Pois sim..
- E de que me serves nessa prisão?
- Da serventia que me deres..
- Não serve pra acender o cigarro. - ela disse pondo-o entre a ponta de todos os dedos reunidos como se fosse um anel de casamento..
- TEM ALGUÉM AÍ COM VOCÊ?!?? MENINA.. - a voz parecia buscar alguma calma inexistente - Abra a porta, Alice.. prometo que não vou fazer nada..
- Promessas.. - Alice pensou para então falar - E o que tem desse lado aí?
- O mesmo que aí..
- Mais do mesmo?
- Sempre mais do mesmo..
- Não era isso que eu queria ouvir.
- Sinto muito..
- Sente nada.
- O nada tambem o sinto..
- Eu só sinto isso.
- O nada? Não.. não.. sentes mais..
- Não. - E foi tão retumbante aquela negação que findou qualquer possibilidade de diálogo.. Alice virou as costas para o espelho, colocou-se de joelhos e esperou que suas asas começassem a sangrar...
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
E foi assim... ou um começo de ano em um Universo Paralelo...
(E assim ele chegou, chegou como quem chega do nada, não trouxe nada e nada perguntou.. puxou uma cadeira com certo molejo, que a fez dançar sobre as pernas de madeira antes de interromper o movimento com espectância em frente a ele. Desfez-se do chapéu em movimento de certa elegância, a brasa dos lábios deixou descansar no canto num falso equilíbrio.. só então ergueu os olhos..)
- Muitas boas noites.. desculpe a demora.. mas é que lá fora tem tanto chão, tem tanta estrada.. e eu vou na contra-mão e minha passada é larga, que voltar demora, delonga minha hora, mas faz valer a ralação. Um ano é muita história, que ressoa na memória, 2007 foi embora e 2008 mal começou..
(Os olhos dele brilhavam com aquela chama de quem viu, se despiu e se curvou. Nos pés trazia lama.. não havia interlocutora que não lhe conhecesse a fama.. o precedia, mas isso ele nunca evitou. Tinha seu próprio passo.. um tempo seu, que fazia simulacro e camafeu do léu, do véu e de tudo aquilo que mesmo perdido, ainda era seu. Levou a chama aos lábios e deixou a impressão pirotécnica da fumaça falar por ele.)
- Ando sempre em companhia alada, gente amada, da qual sou cheio de precisão.. à vossa excelência, já agradeço a paciência e a atenção. Nessa vida saber saborear uma companhia é coisa de rara sabedoria e não é todo dia que podemos dar, porque quem dá mesmo não diz. Teria vindo antes, mas como o agora é nosso único instante, doravante lá fora há de parar tudo, ficar mudo o mundo.. nada mais justo.. pois agora, nesse instante, essa apoteóse do nosso contato, irei lhe confessar um relato..
(Equilibrou o fogo dos lábios. Chamou-a para dançar..)
"Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar..
Quero assistir ao sol nascer, ver as águas dos rios correr, ouvir os pássaros cantar.. eu quero nascer, quero viver.."
- Sim, minha dama, assim começa a trama, venha se enveredar. Toda boa história, todo relato, precisa duma chama, algo que se assanha, que eu chamo de musa, pra facilitar. Não é invenção minha, nem dos gregos, nem de qualquer leigo, que eu possa me lembrar. As musas tão por aí, por toda parte, em cada arte, até mesmo em Pratigí.. é só saber espiar. Eu fiz o translado, já ia deslumbrado, que doido que é bom nisso, bem sabe se deslumbrar.
(Ele baixou o tom de todas as cores, pois elas lhe deviam favores e era hora de impressionar a parceria, fazer além de prosa, poesia e bem sabia o que lhe agradaria e só então, de fumaça, dança e versos à mão, começou a suspirar..)
"One good thing about music, when it hits you, you feel no pain.. Oh, oh, I say, one good thing about music, when it hits you, you feel no pain.. Hit me with music, hit me with music now.. This is Trenchtown rock.."
- Era um mar e areia.. era gente em profusão.. eram incontáveis imensidões a derramar aos borbotões, saindo pelo ladrão. Eu tinha par.. sempre levo em mim minha sereia e quando a noite alteia, a gente sai pra dançar a psicodelia, esse ininterrupta e pós-moderna sonoridade que me invade, causa alarde, além de ter a primazia de me transmutar. Foi tanto, tão intenso, e eu ainda assim não canso.. fiquei etério, fiquei extenso. Eu ia de um nascer do sol até a constelação mais distante, orbitava por uns cometas e colidia com cada amante, cada profeta, cada errante.. cada grito, até na mais leve brisa, no mais fulgaz brilho, enquanto saia do trilho e descobria, mais uma vez, que é sempre primeira, que é tudo uma besteira. Uma piada tão bem contada, que só nos resta dar risada e celebrar a apoteóse da jornada.. a catárse caótica de cada confronto, de cada diálogo, saber boiar sobre o lago pra depois nadar contra a correnteza, porque no fim não há certeza maior que a nossa própria lapidação.
(Ele achou que ficou tudo muito extenso e resolveu deixá-la descansar.. colocou o chapéu na cabeça, reequilibrou o fogo nos lábios, enquanto esperava que ela enlouqueça..)
"Tente me ensinar das tuas coisas, que a vida é séria, e a guerra é dura.. Mas se não puder, cale essa boca, Pedro.. E deixa eu viver minha loucura.."
- O ano vai começando bem, 2008 promete. Temos só de ir para o infinito e além, para o alto e avante, que o resto é confete. E quando tudo estiver delirante, nesse instante, olhe pro lado, que nosso fado estará pronto e renderão esses nossos novos e constantes inícios, saborosos vícios que vem com os ciclos..
(Bateu as asas, sorriu seu melhor sorriso, enquanto os cabelos esvoaçavam..)
"Um grito de estrelas vem do infinito, e um bando de luz repete o grito, todas as cores e outras mais, procriam flores astrais, o verme passeia na lua cheia..."
- Muitas boas noites.. desculpe a demora.. mas é que lá fora tem tanto chão, tem tanta estrada.. e eu vou na contra-mão e minha passada é larga, que voltar demora, delonga minha hora, mas faz valer a ralação. Um ano é muita história, que ressoa na memória, 2007 foi embora e 2008 mal começou..
(Os olhos dele brilhavam com aquela chama de quem viu, se despiu e se curvou. Nos pés trazia lama.. não havia interlocutora que não lhe conhecesse a fama.. o precedia, mas isso ele nunca evitou. Tinha seu próprio passo.. um tempo seu, que fazia simulacro e camafeu do léu, do véu e de tudo aquilo que mesmo perdido, ainda era seu. Levou a chama aos lábios e deixou a impressão pirotécnica da fumaça falar por ele.)
- Ando sempre em companhia alada, gente amada, da qual sou cheio de precisão.. à vossa excelência, já agradeço a paciência e a atenção. Nessa vida saber saborear uma companhia é coisa de rara sabedoria e não é todo dia que podemos dar, porque quem dá mesmo não diz. Teria vindo antes, mas como o agora é nosso único instante, doravante lá fora há de parar tudo, ficar mudo o mundo.. nada mais justo.. pois agora, nesse instante, essa apoteóse do nosso contato, irei lhe confessar um relato..
(Equilibrou o fogo dos lábios. Chamou-a para dançar..)
"Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar..
Quero assistir ao sol nascer, ver as águas dos rios correr, ouvir os pássaros cantar.. eu quero nascer, quero viver.."
- Sim, minha dama, assim começa a trama, venha se enveredar. Toda boa história, todo relato, precisa duma chama, algo que se assanha, que eu chamo de musa, pra facilitar. Não é invenção minha, nem dos gregos, nem de qualquer leigo, que eu possa me lembrar. As musas tão por aí, por toda parte, em cada arte, até mesmo em Pratigí.. é só saber espiar. Eu fiz o translado, já ia deslumbrado, que doido que é bom nisso, bem sabe se deslumbrar.
(Ele baixou o tom de todas as cores, pois elas lhe deviam favores e era hora de impressionar a parceria, fazer além de prosa, poesia e bem sabia o que lhe agradaria e só então, de fumaça, dança e versos à mão, começou a suspirar..)
"One good thing about music, when it hits you, you feel no pain.. Oh, oh, I say, one good thing about music, when it hits you, you feel no pain.. Hit me with music, hit me with music now.. This is Trenchtown rock.."
- Era um mar e areia.. era gente em profusão.. eram incontáveis imensidões a derramar aos borbotões, saindo pelo ladrão. Eu tinha par.. sempre levo em mim minha sereia e quando a noite alteia, a gente sai pra dançar a psicodelia, esse ininterrupta e pós-moderna sonoridade que me invade, causa alarde, além de ter a primazia de me transmutar. Foi tanto, tão intenso, e eu ainda assim não canso.. fiquei etério, fiquei extenso. Eu ia de um nascer do sol até a constelação mais distante, orbitava por uns cometas e colidia com cada amante, cada profeta, cada errante.. cada grito, até na mais leve brisa, no mais fulgaz brilho, enquanto saia do trilho e descobria, mais uma vez, que é sempre primeira, que é tudo uma besteira. Uma piada tão bem contada, que só nos resta dar risada e celebrar a apoteóse da jornada.. a catárse caótica de cada confronto, de cada diálogo, saber boiar sobre o lago pra depois nadar contra a correnteza, porque no fim não há certeza maior que a nossa própria lapidação.
(Ele achou que ficou tudo muito extenso e resolveu deixá-la descansar.. colocou o chapéu na cabeça, reequilibrou o fogo nos lábios, enquanto esperava que ela enlouqueça..)
"Tente me ensinar das tuas coisas, que a vida é séria, e a guerra é dura.. Mas se não puder, cale essa boca, Pedro.. E deixa eu viver minha loucura.."
- O ano vai começando bem, 2008 promete. Temos só de ir para o infinito e além, para o alto e avante, que o resto é confete. E quando tudo estiver delirante, nesse instante, olhe pro lado, que nosso fado estará pronto e renderão esses nossos novos e constantes inícios, saborosos vícios que vem com os ciclos..
(Bateu as asas, sorriu seu melhor sorriso, enquanto os cabelos esvoaçavam..)
"Um grito de estrelas vem do infinito, e um bando de luz repete o grito, todas as cores e outras mais, procriam flores astrais, o verme passeia na lua cheia..."
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