"O objetivo principal não é descobrir, mas refutar o que somos. (...) Não é libertar o indivíduo do Estado e de suas instituições, mas libertar-nos, nós, do Estado e do tipo de individualização que vai ligada a ele. É preciso promover novas formas de subjetividade..." Foucault
(Por ali estava o menino. Ali, o menino e seu desatino. Talvez fosse obra do destino.. talvez não. Mas estando ele ali ao nível do chão, seguiu com a procissão até ter uma ímpar visão. Viu, o tal menino, em meio ao turbilhão, um sábio, consultando o astrolábio, lendo os astros e decifrando os meandros da criação...)
- Oi...
- Pois não? Diga logo menino, o que queres saber, ó pequenino.. pois meu tempo é curto e posso ter um surto se me demorar com o que tens a perguntar..
- Ah bom.. bem.. tá bom.. eu nem ia perguntar.. mas já que o senhor falou assim tão bonitinho.. bem.. o que é a felicidade?
- A felicidade é um estado!
- Que nem Minas Gerais?
- Não, não, pequeno órfão.. a felicidade é um estado, como quando quero dizer uma situação.. e por isso mesmo ela nunca é, ela só está!
- Ah tá.. que nem quando a professora fala pra mim.. "sua situação não tá nada boa.."?
- Bem.. mais ou menos.. talvez o entendimento não tenha sido pleno.. façamos assim.. felicidade é um estar sereno como quem caminha num jardim.. e tendo passado o último jasmim, já não mais é.. apenas estava.. restou fé e saudade, mas isso não é nem a metade sequer...
- Então a gente só pode ser feliz quando já passou?
- Assim é pra maioria.. presos no frenesi do dia-a-dia.. pensando sempre no que deveria, enquanto sente o estômago queimar de azia.. mas há quem curta o passeio e a companhia.. mesmo sem saber a que veio, não segue a esteio e para ter paz, faz...
- E como faz?
- Só se se sabe fazendo.. não tem remendo.. conforme vai vivendo, há que crescer o querer desse viver.. ou simplesmente é como os demais que vão esmorecendo.
- Eu vou crescer bastante e ser bastante feliz.. estar bastante feliz.. sei lá... (disse o menino sem nada entender, vendo que o estranho velho já não estava, como se pudesse desaparecer, escafeder, entre toda aquela multidão brava, que passava, sem dar-lhe nenhuma atenção..) Fé em mim há.. e um mar por alcançar...
Paralelo
Faço um elo
Para travar o duelo
Em um dançante castelo
Ladrilhos amarelos
Pro nosso valsar
Começa com um par
Depois é só multiplicar
Pois cada pessoa ressoa
E o tempo é coisa atoa
Tal a imensidão do mar
Mas o jogo é de pés na areia
Um mundo colorido
Digamos uma aldeia
Enquanto a noite alteia
Caímos na teia do indefinido
O cabelo serpenteia
Os sentidos são invertidos
E me dê o embalo
Se sabe do que falo
Do mundo onde tudo pode ter sido
A hecatombe de um abraço
A delícia da apoteóse para qual nasço
Um beijo
Um elogio'
Um delírio
Um mundo mentolado
Um transe
Avance
Não há como ficar parado
De ar vibrante e água gelada
Se faz o oásis dessa enseada
As energias para a jornada
Que a estrada tem buracos
Mas traçamos arcos
Nos rastros das nossas asas
- A vida é séria e a guerra é dura.
- Quem disse?
- O Sistema!
- Você é o Sistema?
- Não, mas cheguei aqui graças a ele.
- E agora você reproduz o que ele te ensinou?
- Eu reproduzo o que eu penso.
- Entendi. É boa essa vida?
- Vai ser perfeita quando você chegar lá...
- Lá onde?
- ... No final, oras...
- Mas no final não acaba?
- Sim, acaba.
- Então você não aproveita muito mesmo... me parece melhor aproveitar agora mesmo...
- Que pequenez de espírito.
- Meu espírito é amplo e leve... e o futuro é sempre uma ideia.
- Você tem que pensar na sua família, nos seus pais, nos seus colegas, nos seus amigos, nos seus conjugês, nos seus patrões, nos seus calvários. Como vamos ter um futuro melhor? O que será do Brasil? Cade o seu sacrifício? O Sistema vai te esmagar se você sair por aí achando que faz o que quiser...
- Eu devo temer o Sistema?
- Todos temem o Sistema.. até os que não sabem dele.. eles só dão outro nome...
- Entendi. Que cada um conserve seu medo... mas como eu disse, vou seguindo...
- Você não pode escapar do Sistema!
- E de você?
- Querendo ou não, você vai enfrentar o Sistema e se dobrar a ele. O seu ser só será através dele! Não há para onde correr!
- Você disse que chegou aqui graças ao Sistema.
- Sim!!!
- E se eu te disser que você chegou aqui apesar do Sistema?
- É quase o mesmo. Mas está errado. Pois sem o Sistema, eu seria como um homem das cavernas primitivo e subdesenvolvido, incapaz de expressar as pulsões do meu ser.
- Digamos, diferente. E seria... é que ser, vem de nós e não do sistema.. são nossas as táticas, as apropriações, os molejos, as resistências, os borogodós... mas o sistema só quer saber de perpetuar-se e não dos passageiros. Ele vende essas verdades e você compra e vende sem pensar.
- Você é um vagabundo.
- Você só é aquilo que aceita ser, por mais usos indevidos que isso tenha. O sistema não me convenceu até hoje e não é um arauto tão despreparado que vai me convencer...
- Eu falo o que o Sistema falaria. Meu pensamento está respaldado pela realidade, por Deus, pela família, pela pátria, pela necessidade, pelos meus filhos, pelo Homem, por amor, por desejo, por dinheiro, pela ética, pela estética, pela lógica, pela Razão. Você que é menor que todas essas coisas, só pode se dobrar ou se perder...
- Gosto de ser perdido.. todos os perdidos que o sabem gostam... eu diria que até os que não sabem gostam, mas seria puro achismo...
- Ninguém gosta de ser perdido!
- Quem disse?
- O Sistema! (Aquela palavras não encontraram ouvidos, pois o perdido havia partido sem deixar nem marcas.
Ele virou-se para o lado na estação, caminhou alguns passos e falou...) - A vida é séria e a guerra é dura!
(Ele correu os dedos pelo papel. A caneta havia caído pesada sobre a materialidade que servia de veículo àquelas palavras.. e isso facilitava sua leitura...)
- Decidi escrever-te porque não mais aguentava pensar em você, precisava expulsar esses pensamentos de mim para o papel, para fora de mim, para algo alheio a nós dois...
(Ele parou. Levantou-se e deu três passos longos. Chegou até o som e ligou-o e apenas deixou tocar o cd que por lá já estava..)
- "The lunatic is on the grass.. the lunatic is on the grass.. remembering games and daisy chains and laughs.. got to keep the loonies on the path..."
(Tomou a taça na mão esquerda e tornou à leitura manual..)
- Muitas, tantas, inúmeras vezes as palavras me assaltam, me corroem, me impelem e dobram minha vontade com todo esse potencial limitante de percepções. Não me entenda mal, o problema não é você.. nunca foi.. nunca será. O problema sou eu.. sempre foi.. sempre será. É essa maldita besta insaciável que vive em meu íntimo, desejosa de banquetes apoteóticos a todo instante e desavergonhada de pedir, ainda assim, um 'teco' de qualquer lanche de outrém que lhe passe pela vista...
"The lunatic is in the hall.. the lunatics are in my hall.. the paper holds theirs folded faces to the floor.. and every day the paper boy brings more..."
(O papel ainda tinha o perfume dela. Era sempre inebriante e instigante aquele perfume, que para ele tinha um certo cheiro de kinder ovo.. ao mesmo tempo que conseguia invadir suas narinas, penetrar escorregadio pelo seu íntimo e atiçar suas partes. Bebeu vinho..)
- Por isso cheguei até você. Por isso preciso seguir o meu caminho. Sei que deve doer muito ler o que estou dizendo, mas tenho de ir para não me perder. Ficar seria dar algo de mim, que uma vez dado, me fará uma falta suprema. Não taxe-me de egoísta.. não que eu não seja.. sou sim, por escolha, inclusive.. mas não uma egoísta qualquer, sou egoísta pelo bem do equilíbrio universal. Posso jurar meu amor, mas não posso trair a mim mesma. Você que bebeu do melhor e do pior de mim, não irá querer ficar para ver o vinho tornar-se vinagre...
"And if the dam breaks open many years too soon.. and if there is no room upon the hill.. and if your head explodes with dark forebodings too.. I'll see you on the dark side of the moon..."
(O vinho já não desceu tão doce. Ele afastou a taça amarga, que agora mais parecia um réles copo de requeijão. Tateou o cinzeiro e retirou de lá uma ponta sobrevivente.. deixou a carta e acendeu-a. Deu uma longa tragada e a prendeu dentro de si, apenas para sentir a fumaça castigar seus pulmões. Não queria sentir nada de bom naquele momento..)
- Houveram tantos antes de você. Haverão muitos ainda.. eu espero.. pelo menos é como sempre tem funcionado. Mas nenhum como você. Como sei que nunca encontrará ninguém como eu. Não por sermos especiais. Simplesmente por sermos humanos. Demasiado humanos. Incomensuravelmente humanos.. mundanos.. fulanos e ciclanos...
"The lunatic is in my head.. the lunatic is in my head.. you raise the blade, you make the change.. you rearrange me untill I'm sane..."
(Soltou a fumaça, que já era quase ar. Seus sentidos inclinaram-se um pouco, mesmo que o mundo permanecesse na escuridão de sempre. Um mundo sem cores, sem curvas, ângulos e entalhes. Um relógio para ele era muito mais um tic-tac constante, do que um círculo numérico e cíclico. Uma carta era pra ele um ato quase sexual de desvendar um corpo com seu arguto tato.. e ela sabia muito bem disso...)
- Eu queria ter o direito de te dizer que sou sua. Mas seria mentira. E não que eu não minta.. minto o tempo todo.. mas seria leviano lhe retribuir dessa forma, seria como cuspir nos seus óculos. Um dia já acreditei que podíamos ter as pessoas.. hoje sei que podemos estar com elas e nada mais. E estar com você foi profanamente divino. Nunca ninguém me tocou como você. Muitos correram a mão pela minha carne, poucos pela minha alma.. nenhum antes, pelos meus medos. E sei que eu vi em você o que me ensinastes a ver de olhos fechados. Nosso retrato sempre ficará aqui guardado, num belo lugar do álbum, com menção honrosa.. entre o meu cão Gumercindo e um coleguinha de 2a série chamado Leonardo Matias da Silveira que me roubou o primeiro beijo que tenho lembranças...
"You lock the door.. and throw away the key.. there's someone in my head but it's not me..."
(O baseado findou-se, já quase lhe queimando os dedos. Largou-o de volta no cinzeiro transbordante sobre a mesa de carvalho pintada de tinta acrílica branca.. o branco sempre tinha uma textura diferenciada das demais. Largou novamente a maldita carta da maldita dama com suas malditas palavras. Levantou-se e foi até a janela. Eram cinco passos médios. Parou esticou os braços e o batente estava lá como devia. Abriu-a. Sentiu a brisa da noite, desejoso de que ela trouxesse um perfume menos embriagante. Veio apenas o cheiro da fumaça suja da cidade.. da urina feita nas junções entre o prédio e a calçada.. o excremento de pombos que recobriam o telhado.. as damas da noite, que no parque, ao longe, ondulavam ao sabor do vento.. pensou por onde estaria o mar...)
- Sendo assim, meu oráculo.. meu profeta.. meu apóstata.. meu espelho.. tenho de ir e já tendo ido, deixo este pedaço de mim transcrito para que nunca digas que não lhe dei nada. Sei sim que tanto recebi e tão pouco dei.. mas assim é a nossa natureza.. você é de dar, eu sou de receber.. e sou sedenta de muitas fontes.. sou como o mar, que precisa de muitos rios e da chuva e de sabe-se lá mais o que, para seguir em seu movimento de ir e vir. Quando nos encontrarmos novamente, sorria com carinho...
"And if the cloud bursts, thunder in your ear.. you shout and no one seems to hear..."
(Retirou as mãos do batente velho e já cheio de fissuras do tempo e levou-as até o cabideiro, ao lado, sempre ao lado, onde estava seu chapéu. Colocou-o sobre os cabelos longos como faria um gângster em um daqueles filmes antigos que ele nunca vira. Pegou o sobretudo, vestiu-o sentindo desde já o peso do que havia nos inúmeros bolsos.. caminhou os oito passos que o separavam da porta.. passos pequenos...)
- Ainda assim, sei que tens todo o direito de me odiar. Não o recrimino.. talvez ninguém me odeie mais do que eu mesma. Minha mãe sempre me dizia que eu era minha pior inimiga e não que eu devia tomar cuidado. Nunca fui do tipo cuidadosa mesmo. Mas que seja um ódio amável, ódio de querer arrancar-me do mundo e prender-me numa gaiola dourada, com boa água e alpiste da melhor qualidade. Certamente seria a mais bela gaiola de minha vida. E, ainda assim, contigo lá.. com água.. alpiste.. conforto.. vinho, poesia e boa música.. ainda assim, não seria a liberdade. Perdoe minha vaidade e minha vã idade, mas tenho pés inquietos, asas sangradas e braços abertos para receber muitas flechadas...
"And if the band you're in starts playing different tunes.. I'll see you on the dark side of the moon..."
(Pegou a bengala que sempre ficava junto à porta. Girou a maçaneta. Olhou uma última vez para mesa, onde não mais jazia a carta, que chegara ao chão levada pelo vento que vinha da janela, como se pudesse vê-la. Suspirou uma longa desilusão. O corredor o esperava com a luz que se acendia sozinha. Pensou se deveria chorar. Acabou por sorrir o sorriso de quem já chorou demais. Fechou a porta atrás de si e foi-se adiante pela escuridão...)
- Por isso tenho de ir.. sozinha.. avante pela escuridão. Até qualquer dia, até um dia qualquer, onde talvez eu não parta, onde talvez você não fique, onde talvez eu suplique por estar farta de tanta tolice. Agora só sei que preciso ser tola e nada mais.. até outro dia.. meu amor tão fulgaz...
"I can't think of anything to say except... I think it's marvellous! HaHaHa!"
Eu vejo a deusa em você
Como quem vê
A resposta de tudo
Como o deus galhudo
Devotado e mudo
Ao teu mundo
Desejo profundo
Eu te inundo
Mesmo que sejas o mar
E eu a gota
Vim navegar tuas correntes
Tocar tuas notas
Esquecido das rotas
És o todo à minha frente
O princípio, o precipício e o ofício
Desde o início
A primeira loucura do vício
Que até por isso
Vira o parâmetro de todo o resto
Não presto
Mesmo se meu todo empresto
São réles desdobramentos vazios do além-você
Efêmeros e funestos
Além-mar
Melhor seria estar
No teu útero, na tua cama ou nas tuas lágrimas
Teu oceano sagrado
Que nado
Ao nascer, devorar e deixar
Deusa das três fases
Faces
A me dominar
Eu vejo a deusa em você
E me ponho a mercê
De como vamos dançar...
Você pensa na terra
Desunida
Na gente
Varrida
Na carne
Flagelada
Na marca
Banida
Mas não esquecida
Por quem lida
Todo dia
Com a vida
Você não sabe de nada
Do alto da montanha
Você vê a enseada
O cabo
Esperança
Não cansa
De se alastrar
Tanto mar
Dois oceanos
Tanto no ar
Balões
Carros
Fumaça
Manadas
Desertos sertões
Um tigre
Um australopithecus sediba
Esquilos
Queijo e vinhos
Amigos e o amor
Caminhos...
Com dez anos de estrada Posso dizer que toda essa caminhada Só vale a pena pela sua companhia Por poder me encostar em você todo dia E não carecer de mais nada Do anoitecer à alvorada Por essa sua mania De me completar Pois a arte de bem cuidar Está no âmago do seu jeito No carinho do seu peito Em tudo que por você é feito E que lapida meu vivenciar Colore o nosso par Faz desse mundo ímpar Mais interessante de singrar És meu ar Minha amiga predileta Minha parceira completa Minha teimosa alerta Para quando a vida é incerta Sempre tecendo o nosso acertar É o Magaiver É a médica É a mãe de todo mundo É meu querer mais profundo Minha ética Minha estética Minha fonética Minha semântica Minha aventura romântica Minha melhor história pra contar...
Quando os dedos dela tocaram o baralho, ela sentiu um estranho calafrio. Por um instante, ela teve a sensação de experimentar o mundo em camadas. Em um instante ela era um bebê sozinho no berço cujo pranto clamava pelo alimento, para logo depois ser uma jovem menina correndo com sua prima na fazenda de seu tio. Em seguida, era uma jovem impetuosa desejosa de vida. Foi a vez de ver-se uma mulher de beleza madura ao lado de um belo homem. Viu-se velha assinando papéis de um inventário. Naquele momento, ainda aturdida moveu as cartas e fez dois montes.
Ao levar uma metade sobre a outra, viu-se delirante de prazer nos braços de um homem que jamais vira. Quando as cartas se encontraram, era uma mulher estafada com uma criança nos braços que não conhecia. Deixou as cartas com a agonia de ver-se jogada numa sarjeta como mais um zumbi do crack.
A velha senhora recolheu as cartas, enquanto a mulher ainda ponderava se teria sonhado acordada. Foram lembranças, mas os últimos.. um deles ela tinha certeza que era um sonho.. era um sonho antigo. A velha sorriu pra mulher, recuperando sua atenção, que foi guiada para a carta que ela virou.
Do berço Mas tem também um terço Que vem do ato E outro tanto de desacato Que veio da vida Quando exposta a ferida Tudo se torna destrambelhado O ocaso da família É tanta ilha Mas a tal da criação é uma benção E um fardo Caminho árduo Pois educação está em tudo que é dado Em cada gesto Cada momento Por mais delicado Ou menor Ensina A respeitar a menina A jogar o lixo no lixo A fugir dessa sina De ser bicho Só agir por instinto De só pensar no seu nicho Quando o infinito tá aqui do lado Pra que faças do teu brado Coro Contra o sistema Ou qualquer outro teorema Que se inventar E estaremos nós lá A questionar Instigar a pensar Mesmo que a duras penas Nós temos berços por embalar...
A arte de ser
Sendo
É como um remendo
Onde vossa excelência
O reverendo
Inventou de esquecer
Sem paciência
Não por clemência
Não querendo ver
O que estava a crescer
Apesar de você
Não mais à mercê
Nem preso à tv
Perdido no estar
Crente no par
Vivendo no ímpar
Precisando de ar
De dançar
Se jogar
Só arranhar
Uma vontade
Não pra chegar
Mas por seguir
Construir
Além de ir
Que indo
É lindo
Sereno indo
Mesmo que findo
É só um recorte
De belo porte
Que nos reservem a sorte
De artes para contar...