segunda-feira, 1 de junho de 2026

Carta para Hélio Lopes

 Oi pai. Hoje você faria 75 anos. Queria ter visto isso acontecer.

Esse fim de semana teve uma festinha de aniversário da Ana. Sua neta já tem 11 anos. Já quase não é mais criança. João tá com 8. Eu morro de saudade dos meus bebês. Todo dia. Só perde pra saudade de você.

Minha vida mudou tanto. Perdi até as certezas que não tinha. Não conheço mais a Débora. Somos cada vez mais estranhos. A vida não faz questão nenhuma de ter sentido e mesmo assim a gente segue dando sentidos pra ela. Queria ter tido conselhos que eu não iria seguir sobre isso.

Ano que vem vou voltar pro nosso apartamento do Cruzeiro. Vou morar lá em definitivo. No quarto que foi seu durante tantos anos e meu durante alguns. Voltar pra casa apenas para encontrar outro lugar que não é mais o mesmo. Pra você ver como estou velho do alto dos meus 45 anos.

Queria ter coisas boas pra te contar. Tio Hamilton esteve aqui e mostrou o filme dele sobre a Anistia no fim da ditadura. Achei muito bonito. Reunimos boa parte da família, mas mesmo assim nem todo mundo pode ir. Mas foi legal. Melhor jeito de matar a sauade de você. Tudo que tem um pouco de você me alegra. Até suas plantas que seguem aqui comigo. Os móveis que foram seus. Até o que vejo em mim de você.

Desculpa. Não tô bem pra histórias hoje. Mas eu amo você... mais do que tudo... sempre. Queria você aqui comigo.

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Carta para Hélio Lopes


Oi pai.

15 anos nego véio. Eu ainda escuto você falar "porra, negão" como se tivesse sido há 15 minutos.

Lembro dos barulhos que você fazia.. umas onomatopeias aleatórias, mas meio cantado, fingindo que não estava ouvindo o que eu tava falando, embora fosse óbvio que você estava. Hoje em dia eu sei porquê os pais fazem isso. Lembro da sua gargalhada. E da risada que escapava. Lembro do abraço.. de quando eu era menor que você e do que eu passei a te dar quando fiquei maior. Lembro até do seu jeito de cruzar as pernas no sofá vendo tv. Sua arte de comer laranjas na bacia. Queria dizer que eu lembro de tudo... queria mesmo... é impossível te esquecer, você vive em tudo que eu sou... em cada lágrima que eu tô derramando agora, pai. É uma saudade que dói tanto, que eu não aguento. Não tem nada parecido. EU amo você. Eu queria muito, mais que tudo, que você ainda estivesse aqui. 




domingo, 1 de junho de 2025

Carta para Hélio Lopes


Oi pai.

76 anos de Hélio Lopes. 7 anos de Gustavo. 1 ano de Aurora.

Tô em casa doente com as crianças. Segunda começa mais uma greve das professoras e professores. Hoje é domingo, pé de cachimbo... rs.. eu sei que o certo é pede cachimbo, mas na minha cabeça de criança sempre foi pé de cachimbo. Estamos gripados. Tá rolando uma onda de influenza pra todo lado. A semana toda assim. Tava numa correria louca com a Olimpíada de História. 27 equipes na 4a fase, acredita?

Dé tá em Manaus, foi para um congresso de medicina, passa a semana toda lá. Hoje tem festinha do Gugão e da Aurora, mas não vamos poder ir. Devo visitar o Guto essa semana quando melhorarmos. 

To vivendo o que acontece e planejando o que é possível. Uma preocupação me habita, outras me atravessam, mas eu só sei de viver o que me resta nessa festa.

Me falta um pai pra me dar conselhos. Não para segui-los, mas para tê-los. Não que eu seja um pai com bons conselhos.. rs. A vida é muito boa em sapatear sobre conselhos alheios né.

Mas escutar o seu "porra, negão".. ia ser muito bom. Ia me encher de alegria. Me alimentar as forças. Me lembrar que a solidão não é condição. Os pais tem esse poder de fazer a gente se sentir protegido, refugiado do mundo. Você tinha esse jeito. Tomava conta de todo mundo, não só de mim e do Guto. Filho de Dona Hilda né.

João acabou me pedir ajuda com uma caneta e perguntou chorando. Eu disse pra ele que é saudade do meu pai, que eu choro porque cada lágrima é o tanto que você era maravilhoso. Obrigado por ter sido o melhor pai que eu conheci e por viver em mim desse jeito sempre. Dói. Faz falta. Nunca diminui. Que bom...

Saudades. Amo você.



sábado, 16 de novembro de 2024

Minha primeira poesia

 Hoje lembrei da minha primeira poesia

Você estava lá

Ainda indefinida

Mas já falando pra vida atrevida

Eu sou a Senhora desse inspirar

Eram rimas simples

Sentidos curtos

Mas já aparecia seu sorriso

Aquele que combina exatamente com o brilho do seu olhar

Eu nem sonhava ser poeta

Minha única meta

Era me encontrar

E pra isso fui te encontrando

Te recitando

Redefinindo

Não pra ser lindo

Mas pra que o mundo pudesse se encantar

Ser divino

Com esse lapso do absurdo

Você

A arte do seu existir

A cadência do seu viver

Se há lágrimas que você tem que verter

Tem esse indefinido infinito do seu sorriso

Tem o aconchego no peito que só você é capaz de instalar

A musa é eterna

Uma deusa

Entre os mortais

Eu acredito muito nisso

Te coloquei no centro da minha cosmogonia

De pés descalços

Cabelo ao vento

O mar ao fundo

Mil estrelas no firmamento

Até o momento

Em cada um que eu tento

Fazer das palavras unguento

Trazer flores que rachem o cimento

Nunca consegui

Mas aí

Você vem

E tudo fica eterno e bem

sábado, 26 de outubro de 2024

Saudade

 Se não foi pra matar a saudade 

Vou te dizer a mais nua verdade

É necessidade

Esse canto

Ainda me espanto

Com o tanto

Quão fundo bate

Me invade

Me lambe

Assanha

Bem lá no miolo da entranha

Maravilha tamanha

É esse canto

Tomo café, almoço e janto

Com cabe o fogo, o mar e mais um tanto

Eu piro

Imaginando como essa lábia delira

Quando os lábios desse sorriso tem a pira

Tanto imagino

Que pelo canto eu deslizo

E tudo vai se redefinindo

Peitos arfando

Mãos que vão fazendo do labirinto recanto

Conectando o canto do sorriso com suspiro com gemido com umbigo com arrepio com rio com força com unhas com dentes com tsunamis com tudo com tanto

Num sorriso de canto...

terça-feira, 24 de setembro de 2024

Segredo

 




- Perdão ter perdido o ponto exato da rima com a obsessão...

- Perdoo não. De cá essa mão. Aperte bem a situação. Quero a devida simetria na marcação. A MORDIDA tem que transbordar tesão!!
- Como não, paixão? Se és a rainha da minha devassidão. Governas o transbordar da minha criação. Perco o chão sonhando em percorrer o caminho entre essas coxas brancas e seu umbigo com minha anunciação.
- Só tem rima com ão?
- Pensa assim, posso correr sem fim a língua tesa no teu jardim enquanto tua carne carmim se arrepia tintim por tintim...
- Sim...
- Mas não preciso de rima. Nem de verso. Só do teu peito aberto. Da buceta molhada na ponta da vara. Seu sorriso atrevido e teu olhar de gata safada. Você sabe. Seu domínio é tanto Que em mim não cabe. Transborda. Minha fome te grita toda hora e eu venho. Deslizo pulsante como lava. Sonhando que você me arranhe. E eu te mordo o cangote, prendo seus pulsos com minha pegada mais forte. E lá no íntimo mais profundo,
Infinito, te ganho. Demoro. Faço questão em cada detalhe deixar claro que tem adoro. E devoro. Devoto. Vou margeando sinuoso cada centímetro do seu contorno.
- Que Deleite..
- Esse é só o rimar das marcas. Do fino e fulgurante imaginário. Aguarde a explosão do contato.
- Tem mais no trato...
- Não há limite, enquanto meu palavrear te excite... agradeço pelo seu ditar do meu gozo.
- Então, levanta poeta, vou te mostrar o meu segredo...

sábado, 14 de setembro de 2024

Seu nome

 Ela tem essa arte

De tornar um instante

Eternidade

Ela existe para ser contemplada

Não tem nada, simplesmente nada que faça um olhar brilhar tanto

Ela redefine aquela sensação que é um misto de paixão e espanto

Devia se chamar você tamanho querer

Porque basta que ela surja para você ver

Que o universo inteiro não passa de detalhe

Repare

Como ela tem esse seduzir dos olhares

Esse mar nas curvas

Esse horizonte nos lábios 

Esse te ponho de joelhos na pose

É arte e é mais

Ela é ver esse mundo perdido em guerra e saborear a paz

Ela é no aconchego de manhã de domingo roubar o cafuné mais dengoso que só o querer bem traz

Ela é o se assanhar com o fogo

Ela é matar a saudade do mar

Ela é viajar pela aventura mais delirante

E por uma instante

Ela é mais...

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Erótica

 Sejamos francos

Ela de branco é a minha tara

Rainha safada

Rebola na vara

Com tudo dentro

Danada

A rola dura e melada no centro

Lambe a teta

Tenta

Enquanto senta

Me atenta

Vê se essa metida forte aguenta

Grita

Agita

Gira

Me beija

Devora

Se entrega toda agora

Te aperto com a mão pesada de quem te venera 

Antes, depois e agora

A rola grossa explodindo é sincera

Minha onça-pantera

Que geme poeta

Rebola, musa

Quica profusa 

Mexe essa raba

Me acaba com esses peito subindo e descendo na minha cara

Te mamo, te lambo,te sambo, te fodo, te amo, te tomo, te como

Te tudo

Te toda

De quatro

Cachorra

Gata

Goza

Deusa

GOZA

Derrama em mim tua glória 

Se entrega

Deixa vir o teu mar

Me afogar

E vem beber minha porra grossa

Com essa língua gostosa

Devassa 

Na ponta do pau com a sede que só você devassa

É capaz de fazer...

sábado, 31 de agosto de 2024

É sempre sobre ouvir o prazer gostoso da sua voz

Queria trazer uma poesia

Que soltasse seu sorriso

Que te libertasse do cansaço 

Que te carregasse pra praia

Que atendesse todas as suas mínimas vontades

Que tecesse um cafuné que levasse a uma soneca

Que delicadamente explicasse como de tudo você é justamente a mais bela

Que te animasse para todo o porvir subsequente

Que te aninhasse ainda mais no meu peito carente

Essa é realmente a poesia que eu quero deixar por aqui...

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Questão

Se ela faz carão

Ou vem com esse decotão

Eu perco o chão

Não tem solução 

Me perco na imaginação 

De alcançar essa imensidão 

Dela

Estendo a mão 

Solto a criação

Nem tem competição 

Com tamanha perfeição

Dela

Escapar é esforço vão

A aventureira fascina por condição 

E por opção 

Ela abala o coração 

Não é ilusão 

É tudão

Dela

Então nessa anunciação 

Espero que ela leia minha canção 

Perdoe qualquer limitação 

Ante a rainha sou um pobre peão

Em eterna preparação 

De alcançar a visão e audição 

Dela

Ali onde o cerrado é quase sertão 

Pelo sim pelo não 

Outros mais perto estão 

Mas nenhum, nenhum... nenhum com a minha devoção 

Ela não é só a inspiração 

Ela é simplesmente de todo o universo a razão 

O que mais faço questão 

É dela...

sábado, 24 de agosto de 2024

Balanços

 - Chamou, chefa?

- Precisamos fechar os balanços...

- Mas já é sexta.

- Não seja besta. Sejamos francos. Você só sai dessa sala depois que der conta de tudo!

- De tudo?

- Calma, eu te ajudo. Estou te achando um pouco mudo. Chegue mais perto, eu sei o que em você eu desperto...

- Eu confesso que me desconcerto com seu perfume. E esse vestido azul profundo me fez perder de vez o rumo... chefa...

- Não esqueça os balanços...

- Desculpe, achei que...

- ... dos nossos quadris dançando. Desde aquela vez nunca esqueci. Senti no encaixe que tinha umas ordens bem especiais pra te dar...

(Foi nesse ponto que eles simplesmente pararam de falar, porque as bocas já se devoravam. Ele a virou para a mesa e as mãos dela rapidamente se apoiaram. O olfato dele mergulhou no pescoço pra se intoxicar do perfume. A mãos pesada subia nas coxas dela erguendo o vestido. A bunda da empinada soltou o rebolar provocativo e atrevido. A buceta molhada sob a calcinha convidava a rola estufada na calça doida pra ser libertada. Ela conduzia tanto quanto era dominada. Lá fora o barulho do escritório seguia como se não houvesse nada. Telefones tocavam, gente batia papos furados, elevadores chegavam e seguiam. Assim como ele beijava a carne perfumada. Encaixava a fome na chefa safada. Ela, danada, serpenteava gostosa fazendo a metida ser o centro de todo um universo. A mesa balançava.  As coisas caíam, eles gemiam, do mundo esqueciam, ela se curvava para ser beijada. Tudo como ela queria. A vara grossa, ela arfava, o mar que escorria da buceta e ele quase gritava. Alguém bateu, eles não ligaram, a porta estava trancada, mas mesmo se não estivesse, nada os separaria. Serviu apenas para virá-la. Encaram-se. Ela na mesa sentada, as pernas escancaradas. Vieram mordidas a cada metida. As unhas nas costas dele cravadas. Com a roupa voara ninguém sabia. Mistérios pra outro dia. Ele a escalava. Pela mesa se espalhavam. Fodiam firmes e sabe-se lá como a mesa aguentava. Estavam perdidos.Achados. Perdido, achada, achado, perdida. Ela cruzou as pernas na cintura do subordinado. Ele coordenava, ela supervisionava. Que balanço que nada. Eram planos para ampliar toda e qualquer empreitada. A sala toda deles estava impregnada. Ela explodia e urrava. Quase caíam, quase voavam, entre planilhas, grampeadores e vidros embaçados. Mas até o fim, no calor da madeira, a mesa tremia, tremia e aguentava...

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

A dor da tua ausência

Não me contenho

Nem precisa empenho

A musa aparece

O mundo inteirinho a gente esquece 

A deusa pede prece

A gente reza

Venera

Cada detalhe dela a vida tempera 

Quem dera, existência,  quem dera

A vontade de dela na carne rasgando com uma volúpia sincera

Que se ajeita

Numa intensidade perfeita

Mas por hora a maravilha dela me deleita

Tanto sacia

Quanto atiça

Quem dera...

P.s - Pena que você me esquece...


terça-feira, 2 de julho de 2024

Pacto



Fizemos entre nós um pacto

Ela, maravilha, existia

Eu absorvia o impacto

Ela ardia plena

Eu fazia poesia no ato

Ela, sinfonia, traz melodia à existência

Sempre Ela no centro da cena

Fico não só a versificar a querência 

É tal a magnificência 

De cada ponto, linha e movimento da sua congruência 

Que seria (e é) impossível pra mim ter apenas consciência 

Da sua poética de bailar nos sentidos

E não ter consequências 

Daí o trato

Me pacto abnegado

Faminto

Com olhos brilhando

Um sorriso safado

Pelo teu umbigo sagrado

Pelo teu rebolado profano

Pela sua alma de loba serpente sereia fada deusa diaba

Que derramam-se versos

Eu, ao inverso

Te sorvo

Absorto

Amarrado

No nosso pacto...

quinta-feira, 20 de junho de 2024

Saudades de você

 É algo além da beleza

Dessa infinita maravilha

Tem um tanto de poder 

Mas tem um que de menina

Tem um alvorecer de sol incandescente 

A força de onça que pega a vida no dente

A graça de anja sagrada

Mesmo pela vida sangrada

A imponência de leoa indomada 

Fato é que depois dela

O tudo é nada

Sem ela a aquarela

É só uma mancha borrada

Como é possível festa 

Sem ela na enseada?

O Carnaval todo só tem folia

Se ela desfila a apoteose da perfeição desde a entrada

Ela é a deusa

A musa

A primeira

A única 

A dona de tudo

E mais pouco

Que sem ela 

A poesia nunca fica rimada

A cerveja não fica gelada

Nada sacia

É a sua majestade que faz a existência ganhar sentido 

Todo dia

Todo o resto é conversa fiada

domingo, 16 de junho de 2024

Sós

 


Acordar não espantou o cansaço 

Semana longa

Uma sexta sem dança

Tudo parecia parecia conspirar para o errado

Mas ao mebos havia ela ali ao lado

Nua

Contemplativa olhando o dia amanhecer na janela

Um carinho de leve subiu correndo pela linha das costas

Causou aquele arrepio de quando a energia encosta

Lá pela nuca o carinho enrosca

Não falha nunca

A deusa virou o flanco

Um seio livre, um sorriso franco

O olhar que sabia bem o que ele estava tramando

- Você sabe que seu umbigo está me convidando...

- Sei.. foi por isso que virei... para você se curvar a minha majestade!

- Imperiosa verdade, imperatriz das minhas necessidades, vim te trazer esse alarde que invade, entremeando gozo e algumas maldades, bem rimadas com as suas vaidades...

- Menos rima e mais língua, poeta que arde!

Calado

Ele também se pôs de lado

E recitou em um braile toque firma e pesado

De cada detalhe

Do corpo dela

Se ocupou dos pontos

Perseguiu as linhas

Sorveu o molhado 

Fez o mais profano e o mais sagrado

Até que ela já não tinha nenhum juízo

Está possuída por aquele estado entre o rito e o grito

Ela era a própria manifestação do agito

Não há nada mais bonito

Que ela cavalgando o falo

Até o talo

Te dando mais que um trato

Com aquele rebolado

Explicando o sentido da vida

Explosivanente tão colorida

Que tudo dela deriva

Deusa de fato

Esticando ao máximo o contato 

Arranhando como gata

Sendo mordida ali na divisa do quengo 

Com a as coxas tão frenéticas tão vermelhas

A sinfonia ritmada da raba

O incêndio caudaloso da buceta que senta

Enquanto sente

Acende, ascende

Domina o tempo e o espaço, levando e trazendo, deslizando, mas apertando, subindo e descendo, tanto quanto envolvendo, mas soltando como se saísse voando, mas afogando, no infinito mais íntimo de quem ama fundendo, fode amarrando e libertando nessa loucura sensata de quem não tem mais remendo

Ela está lendo

Agora estava rindo

E assim embolados e decididos

Convicto 

Eles se perderam e deliraram no mais gostoso argumento

E ainda

Da firma mais linda

Quando a vontade ainda infinda atiça

- Tem mais, ela disse...

- É tudo que a gente precisa...

sábado, 1 de junho de 2024

Carta para Hélio Lopes



Oi pai. 75 anos atrás nascia Hélio Lopes dos Santos. O cara mais legal que eu já conheci. E hoje como super presente nasceu a Aurora, sua quarta neta. No mesmo dia que você e o Gustavo. Tenho essa tristeza dos seus netos não terem te conhecido. Eles iam saber que você era o avô mais incrível de todos. Era avô até das netas e netos dos outros, imagina dos seus.

A saudade é tanta. Já se vão 14 anos e eu sinto como se fosse ontem. Continuo sentindo sua falta todo dia. Não sei falar sobre você sem me emocionar e chorar. Faço questão para deixar jorrar a medida da importância. Eu conto muito sobre você pra Ana e pro João. Queria contar mais, ter mais histórias ainda... Eles estão maravilhosos. Não é fácil lidar com o autismo do João, mas ele é o rei do abraço. Ana é maravilhosa e divertida, embora os conflitos dos dois também sejam canseira. São meus parceiros em tudo. Sei que sou um pai que faria o melhor pai de todos ter muito orgulho.

Eu e a Débora estamos nos separando. Como amigos, pensando nas crianças, fazendo tudo com cuidado e compromisso. Mas não é fácil, Nunca achei que passaria por isso. Fico revendo o momento que você e mamãe se separaram. De quando me contaram. Lembro com uma super clareza. Lembro do turbilhão que eu senti. Eu só pensava o que eu tinha feito pra merecer aquilo. Desde que as crianças ficaram sabendo há um mês e pouco tiveram algumas coisas dolorosas. A sensação de que eu estou partindo me dói, não é o que eu queria. Nunca soube ser sozinho, mesmo sabendo que não vou ser, mas eu sempre fui um bobo romântico. Enfim, as coisas andam assim, ainda se aprumando, mas seguindo.

Na escola vai tudo bem. Estou muito feliz com a minha escola, cada dia potencializando mais meus projetos. Estou pleno lá, tem sido incrível. Queria muito poder te mostrar.

O Brasil tá se recuperando, embora a cobiça inescrupulosa dos malditos nunca cesse né. A extrema-direita taí espalhando fascismo pelo mundo sem qualquer escrúpulo. O mundo tá acabando sufocado em saco plástico, assado e afogado, tudo ao mesmo tempo. O governo tá atado pelos nós de sempre, sem perspectiva de respiro, agarrado no sistema e todas as mazelas que ele perpetua, mas qual a opção. Queria conseguir guardar algum otimismo, mas um realismo epicurista tem me ganhado cada vez mais. Mas ainda me resta o otimismo das pequenas coisas. A contra-mola que resiste...

Como sempre, eu queria um colo. Queria um ombro. Queria sua força. Queria esse pai que salva a gente de tudo. Que sonha junto com a gente. Que põe o pé no chão, mas ensina a pegar impulso. Queria meu pai aqui comigo, o Negão, o Hélio Bonitinho. O cara que eu mais admirei nessa vida e que quanto mais eu vivo, mais eu admiro. Amo você.



sábado, 16 de março de 2024

Quando a leitura te devora...


 

Folheou as últimas páginas.

- Gostou da leitura? - Ela disse com expectativas. 

- Muito. Achei muito excitante.

- Fico feliz que tenha gostado. Foi um grande desafio.

- E você o superou com talento e requintes de crueldade eu diria. Estou seu fôlego até agora.

- Então recupere logo o fôlego. Temos muito pra conversar.

- Não posso me demorar, a vida me aguarda para me foder sem dó, entre espinhos e chicotadas.. (ele parou de falar pois o metal da algema tinha estalado em seu pulso e ele ficou tão surpreso com aquele movimento tão ágil, que se perguntava se estava alucinando)... o que é..?

- Agora quer falar? - Ela prendeu o outro pulso dele, antes de arranhar as bochechas com nenhum pudor, mas com algum carinho.

- Veja bem, eu fico lisonjeado mas...

- Você deveria perguntar de onde tiro minha inspiração. Mas homens tem dificuldade de pensar com o desejo rondando. Falta sangue ao cérebro de você. (Um beijo e ele já estava entregue). Me inspiro em controlar essa descontrole (os dedos sentiram e correram e a boca foi murmurar ao pé do ouvido). As câmeras vão guardar tudo. Para o meu deleite futuro.

- Assim parece que é um caminho sem saída...

- Ó não. SÃO muitas as saídas. A mão que governa esse melado cajado bem te guia à meta que você deseja. Mas que não merece.. nunca mereceria. Minha carne de tormenta te vê e emoldura, mas você ainda caminha como a cera quente da vela a correr-te a espinha.

- Aaaahhhhh.

- De joelhos. Te deixo. Beba da rainha. O suco mais doce, verdadeiro mel e ambrosia do Olimpo. Fonte de toda a vida. Cavalgo seu ar, seu verbo e sua primazia. Homem de pouca fé. Sou Lilith, a primeira, sou Zulmira, a última. (Os olhos dela brilhavam).

- Delícia, perfeita. Me solta para eu te...

- Prender? Conduzir? Silenciar? Aqui eu te ponho sentado. Enforco seu pescoço, te permito um canto nesse contato. Te fodo. Te como. Te embuceteio. Te apresento o infinito, ser pequeno. Escorrego no íntimo do âmago do movimento mais lento, em que a grossa cabeça liberta da pele se esfrega tal qual cobra para a toca, sem limite de tanto mar que há lá dentro. E tudo segue. Tudo. Até o encontro preciso do limiar dos caminhos. E ali o universo nasce. Rebolativamente. O jeito mais tenso de relaxar, por mais que seus pulsos acorrentados estejam doendo. É me ter que está te acontecendo. Assim vou saindo.. voando.. te renomeando, enquanto meu perfume vai te envolvendo. A erva do meu poder te invadindo as entranhas. E a força é tamanha. Há. Sua pélvis quica, eu já sou furacão te percorrendo. Me morde, me lambe e sabe. Sou a dona eterna agora do seu pensamento. Tudo é pequeno, homem pequeno, ante o poder do meu inspirar te valendo. Por isso você segue. Sou teu horizonte. Sou a potência dessa trepa inigualável, imanente e inconsequente. Sou o precipício e a vertigem. O remédio e o vício. O ventre, a verdade e o abismo. Sou quente. Oceanos eu tenho em cada poente. Não pare, é só terremoto que te aguarda. 

- eu.. não.. 

- Tolo. São assim todos. Tortos. Ao final, mortos. E eu sigo faminta e com um bom livro pra publicar.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Planos de um novo ano



Já era um novo ano

Ela tinha tantos planos

A começar pelo vestido

Perfeitamente definindo

Aqueles contornos de infinito

Que só ela tem

Mas ele via além

E já vinha sorrindo

Ela disse "nem pense nisso"

E ele cantou

"Só penso nisso"

A cada dia

Em todo momento

Tudo nas minhas ideias

É o nosso movimento

Desde o mais lento

Ao mais frenético 

E já havia uma mão percorrendo o infinito sob aquele vestido

E além

"Eu vou me atrasar"

Pois eu soube que nesse ano você vai dançar 

Até se acabar

Como minha poesia a se aconchegar nesse cangote

"Eu.. volto.. pro trabalho hoje"

Mas já estava dado o bote

O enrosco

A definição de tempo foi a última coisa definida possível 

Onde ele começava e ela terminava havia 7 mares profundos 

As pernas fortes pelos corres da vida e da pista

Já tremiam no correr arranhado dos dedos

A vida lá fora seguia trabalhosa

Mas agora era ela que ia dar trabalho

O plano agora era que a vida toda lá fora que se fôda

Espalhados pelo chão

Numa entrega maior que a mega da virada

Ela esticou sua rebolada mais renovada e safada

"Agora, então, a gente acontece"

Mais e mais

Como a chuva que cai sem parar lá fora...

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Domingo


Me perdi no domingo

Bebi tudo até o último pingo

Trabalhar no dia seguinte parecia castigo

Mas ainda tava caçando perigo

Ou abrigo

Que o calor era infernal

Foi aí que ela chegou feito vendaval

Não era só o olhar sensual

Era a aura de deusa da porra toda

O sorriso de te acabo fácil fácil

Tudo nela parecia precipício 

E eu por vicio 

A convidei para uma rima

Uma música, alguma lírica 

Uns drinks em Paris

Ela riu como quem diz

Me convença 

Mas antes do que você pensa

Já havia contato

Olfato, paladar e todo o tato

Palpitar

Ninguém fazia ideia de onde as roupas foram parar

Ou quem apagou a luz enquanto a porta batia

Tudo era vontade vadia

Unhas rasgando as costas

Mordidas devorando pescoço

O gato pulou da cama enquanto podia se salvar

Nenhum dos dois estava ali para brincar

Cada gemido era uma saraivada de desejo

Cada delírio começava e terminava com beijo

Cada lábio recebia a invasão melada por inteiro

O mundo inteiro quicava

Não havia como parar de estapear aquela raba

Como não se afogar

Na força daquele olhar

Como não escalar do umbigo ao infinito

Enquanto vinha mais e mais e ainda mais o agito

Tudo voava

Ao mesmo tempo que toda estrela cadente despencava 

A Valquíria cantava

Gozava

Marcava

Dominada dominava aquela cavalgada 

Até o grudar envolver as realidades pulsantes tão díspares quanto entranhantes no âmago de tudo que houve, há e haveria

Mais um instante

Até serem de novo

Dois amantes 

Famintos

Num domingo

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Presentes




Acordei no limiar do fim do ano

Já era época de fazer planos

Para 2024

Mas estávamos ali pelo quarto

Semiacordados de fato

Ali no limite entre o real e o abstrato

E o correr dos dedos invocou o ato

Bastou um leve toque pra trazer o arrepio

Que subiu pelas costas tanto suave quanto atrevido

Para chegar na nuca como nunca

Chegar anunciando

Que a boca logo vinha

E para isso tinha um universo de peito e coração agitado colando nas costas

Como eu sei que tu gostas 

Façam suas apostas

Exato

Ela se derreteu

E ele ainda mais se atreveu

A completar o encaixe 

Da mão esquerda que abarca um seio

Dos dedos suaves no mamilo

A direita endireita o desejo no quadril

Solta a cintura

E a vontade toda dura

Possui o mar em ondas de necessidade

A verdade é que aqui é ela quem comanda a maldade

Ela cria um beijo faminto de pura voracidade

Sem deixar a rebolada perder em velocidade 

E eles deliram 

Se o ano acaba ou começa

Eles esticam ao infinito

Porque não há tempo ou espaço

Para além desse fogo nessa cama naquela trama 

Em cada gemido conjugado que o casal derrama

E então

A explosão

Só amplia a chama 

Faz tudo sanha

E é a senha

De que vem mais presente por aí