Rei
Legião
Elegerão
Reunirão
Réus
Entregarão
Ao léu
Seu fel
Seu mel
Seu mal
Por cal
Por quem
Está além
Ou seja, ninguém
Não vem
Não veem
Não vai
Tudo cai
Se de si sai
Entropia
Mas a gente pia
Pia
Cacareja
Enche a igreja
Onde quer que esteja
De gente vazia
Cantoria que Veja
Sinestesia
Para surdos
Absurdos
Absortos
Dos mortos
Dos portos
Dos caminhos tortos
Corto
Certo
In piedade
Aperto
No gesso
Dos olhos
Da divindade...
"O objetivo principal não é descobrir, mas refutar o que somos. (...) Não é libertar o indivíduo do Estado e de suas instituições, mas libertar-nos, nós, do Estado e do tipo de individualização que vai ligada a ele. É preciso promover novas formas de subjetividade..." Foucault
domingo, 21 de junho de 2015
quinta-feira, 14 de maio de 2015
Ana
Ana de que?
Só Ana
Mesmo que tanta Ana
Haja em você
Ana pé de cana
A mãe não gostou
Insana
Mundana
Interplanar Ana
Não encana
Minha filha
Que a altura do voo
Depende só da sua pilha
Você que faz a trilha
A gente só assiste
Enquanto você se dana
Torna a vida menos plana
Os parafusos espana
Ama beltranos e ciclanas
Viveres afana
Mas agora você só nana
Chora com gana
E seu pai bestamente se apaixona...
sexta-feira, 10 de abril de 2015
O peso
O peso
Que penso
Penso
No equilíbrio
Não é de libra
Não é do livro
Não tem quem leve
Nada haver com livre
É o peso
Que peço
Em que tropeço
Conforme me meço
No tanto que começo
E imerso
Não vivo
Não passo
Não me espaço
E o meu traço
Não trago
Perdido
Adormece...
Que penso
Penso
No equilíbrio
Não é de libra
Não é do livro
Não tem quem leve
Nada haver com livre
É o peso
Que peço
Em que tropeço
Conforme me meço
No tanto que começo
E imerso
Não vivo
Não passo
Não me espaço
E o meu traço
Não trago
Perdido
Adormece...
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
Discurso do mal
Havia um monge sentado em uma pedra... bem, ele não era verdadeiramente um monge... talvez seja melhor dizer que havia um mago sentado em uma pedra. Posso resumir dizendo que havia um homem sentado em uma pedra, mas também poderia dizer que estava a mosca em seu lugar e veio a aranha lhe fazer mal, de modo que ficarei com estava um mestre sentado em uma cadeira, que poderia ser uma pedra, mas é mais confortável.
Pois esse mestre tinha um mal, irremediável mal. Mas seria mesmo? Há quem diga que para todo problema há uma solução.. ou não é um problema. Mas este é um mal, não um problema. Outros dizem que Deus dá o frio conforme o cobertor, mas esse mestre não acha que Deus se ocupe de cobertores e deixe isso por conta das mestras e dos mestres mesmo. Embora o mestre tenha certeza que Deus entende de mal e de oscilações climáticas, entende que Deus não se ocupe de ninguém tão ocupado que está em ser tudo. Sendo assim, havia um mestre em uma cadeira com seu mal.
Não era certamente o pior dos males. Por alguns ângulos, havia até mesmo beleza nele. Aquela colorida pelo sangue dos mártires e dos honrados. Tipo um glamour. Mas isso só na luz certa, fora isso, era apenas um fardo difícil de carregar.
O mestre ainda se admirava com o voo das borboletas, com o canto dos pássaros, com o colorido da natureza, mas não conseguia deixar de ver seu mal tocar tudo isso. Com maestria, principalmente entre os pares, fazia-se ímpar em carregá-lo. É verdade que a maioria dos navegantes boiava em seus próprios males. Alguns deles, inclusive, prendiam-se a eles, mesmo que isso significasse naufragar. Outros, bêbados das belezas, achavam-no a melhor das coisas, inclusive ocupando-se de comparações adjetivadas dos males próprios e alheios. Alguns até com eloquência e ritmo.
No fim, era apenas um mestre sentado em uma cadeira com seu mal irremediável. Um monge sentado em uma pedra. Uma mosca em seu lugar. O que não tem remédio, remediado está, se lembrou o mestre que pensou ser um mago mesmo sendo um monge. Mas o mal não era uma doença. Se existem doenças sem cura ou sem mitigadores de dores, não é uma prática discursiva que de conta dos males. O mal é um saber.
Pois esse mestre tinha um mal, irremediável mal. Mas seria mesmo? Há quem diga que para todo problema há uma solução.. ou não é um problema. Mas este é um mal, não um problema. Outros dizem que Deus dá o frio conforme o cobertor, mas esse mestre não acha que Deus se ocupe de cobertores e deixe isso por conta das mestras e dos mestres mesmo. Embora o mestre tenha certeza que Deus entende de mal e de oscilações climáticas, entende que Deus não se ocupe de ninguém tão ocupado que está em ser tudo. Sendo assim, havia um mestre em uma cadeira com seu mal.
Não era certamente o pior dos males. Por alguns ângulos, havia até mesmo beleza nele. Aquela colorida pelo sangue dos mártires e dos honrados. Tipo um glamour. Mas isso só na luz certa, fora isso, era apenas um fardo difícil de carregar.
O mestre ainda se admirava com o voo das borboletas, com o canto dos pássaros, com o colorido da natureza, mas não conseguia deixar de ver seu mal tocar tudo isso. Com maestria, principalmente entre os pares, fazia-se ímpar em carregá-lo. É verdade que a maioria dos navegantes boiava em seus próprios males. Alguns deles, inclusive, prendiam-se a eles, mesmo que isso significasse naufragar. Outros, bêbados das belezas, achavam-no a melhor das coisas, inclusive ocupando-se de comparações adjetivadas dos males próprios e alheios. Alguns até com eloquência e ritmo.
No fim, era apenas um mestre sentado em uma cadeira com seu mal irremediável. Um monge sentado em uma pedra. Uma mosca em seu lugar. O que não tem remédio, remediado está, se lembrou o mestre que pensou ser um mago mesmo sendo um monge. Mas o mal não era uma doença. Se existem doenças sem cura ou sem mitigadores de dores, não é uma prática discursiva que de conta dos males. O mal é um saber.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Por tudo que há...
Acredite em mim
Foi pra isso que vim
Sou desmesurado assim
Mas é por bem
E todo ano
Rumo ao infinito e além
Faça plano
Que planejamento igual não tem
De com um povo insano
Por uma noite me cercar
E eles hão de cantar
Cantar, dançar e endoidar
Por horas a fio festejar
Reúno meus melhores amigos
Minhas musas e camaradas
Pois tenho eles comigo
Em cada passo da estrada
Em cada pormenor que consigo
Nas cores que tinjo a alvorada
E digo para cada amig@ o quanto amo
Tudo parte do plano que tramo
Com luzes, doces e bebidas que derramo
Com o carinho com que os conclamo
Amo
E isso me abastece pra vida
Ela fica mais colorida
Mais fácil de ser vivida
Por todos esses seres fantásticos que conheço
Que não tem preço
E se tem uma praça
Fazem graça
Deixam tudo do avesso
Só assim me esqueço
Dos males não padeço
E faço
Volteio meu traço
Me engraço
Com a energia de cada abraço
Que levo assim em mim
Valeu galera...
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Carta para Hélio Lopes

Salve pai... como vão as coisas por aí? Por aqui tá difícil, negão... você não dimensiona a falta que faz.
Teve encontro da família Lopes dos Santos esse ano na casa da tia Vera. Foi o maior barato. Primos de todos as bordas, arestas deixadas de lado. Do jeito que você gostava e fazia acontecer. Falamos de você, da vovó, do vovô... de todos que seguem em nós. Tanta falta. Foto pra tudo quanto era lado.
O doutorado tá difícil, porque junto com o trabalho sobrecarrega mesmo. Mas é época de inferno astral, pois sua partida teria que ser num inferno astral, ainda que o Fred diga que isso não existe. Como existe.
Você ia gostar muito do apartamento novo e estaria orgulhoso como minha mãe. Afinal você era meio mãe e talvez por isso o melhor dos pais. Hoje eu entendo como nunca como ter pai trás paz. Até porquê sou um pseudo pai pra muito aluno na escola. Todo mundo precisa de um pai. Alguém que saiba te dizer que você tá fazendo merda e pode fazer tão melhor. Alguém pra te aplaudir quando você conseguir. Alguém pra achar que você não é melhor que ninguém, mas como você é especial. Eu sinto saudade de tudo e falta de cada instante desses quatro anos que não pode ter sido.
A eleição tá tranquila, mas o clima tá tenso. Muita gente reclamando, nem tantas fazendo, o mundo girando e se corroendo correndo. O Agnelo não ganha nem pra síndico do bloco, mas acho que a Erika Kokay vai ter uma boa votação. Vou votar na Maninha pra distrital, pois não estou satisfeito com a aliança PT/PP e não quero eleger o Paulo Roriz. Eu sei, negão... eu sei. Mas eu acho que faz parte do processo.
Em novembro tem show do Deep Purple aqui em Brasília. Vai ser bruto...
O Guto cada vez mais bombeiro e sempre gente boa. A Dé trabalhando cada vez mais. A gente perdeu o bebê, mas logo vem outro. Serias um tremendo avô babão... você meio que já era, mesmo que do neto dos outros.
A escola me cansa, mas as crianças me encantam. Algumas me cansam também, mas me dão esperança. Os adolescentes me dão preguiça. Alguns me encantam. Outro dia conversava com um aluno Matheus, na feira de ciências, sobre essa falta que se leva pro resto da vida. Ele perdeu a mãe com câncer recentemente... 45 anos. E eu repeti o que digo sempre e que digo desde quando descobri que isso ia acontecer: "eu sou feliz por tudo que houve". Eu sei que a grandeza dela é proporcional a isso tudo que você foi.
Tô feliz de dar aula na UnB, ainda que seja de uma maneira meio tortuosa. O Zé me passou um monte de documentos e papéis seus da época. Diz muito sobre você.
COmo disse, tô na correria.. 2 turmas de trabalhos dos mitos e 10 pacotes de prova me aguardam. Só queria te lembrar que eu sinto sua falta pelo grande pai que você foi, porque isso eu nunca esqueço.
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Convite pra festa
Salve salve pessoa
Minha voz até aqui ressoa
Para um convite lhe fazer
Só pra te dizer
Faça o favor de aparecer
Que sua excelência venha
A vida por um dia a gente empenha
Já sabes a senha
Do lugar que não há espaço que contenha
Que já chamamos de Passárgada
De nossa terra de zoeiras
Pois se a festa somos nozes
Basta somar nossas vozes
Tomarmos mais algumas doses
Pra começarmos a voar
Entre a dança e o sonhar
Com a multidão, grupo ou par
Todos começam a se deixar
Damos mais algumas bolas
E tudo embala
Ninguém nos cala
A euforia nos assola
Euforia e me dê
Os sentidos ficam ácidos
É olhar pra você
E ver o paraíso nos plácidos
As delícias de viver que o corpo fala
Venha dá-las
És dessa gente que deita e rola
Mesmo quando a vida nos esfola
És das que tem a contra-mola que resiste
E insiste
Em fazer festa
Em alargar a fresta
És dessa gente que desembesta
E uma vez por ano me empresta
O prazer de se acabar
Pra mais um ano começar
Com a apoteose de um aniversário
Que é só o berçário
Desse melhor que há em nós...
Minha voz até aqui ressoa
Para um convite lhe fazer
Só pra te dizer
Faça o favor de aparecer
Que sua excelência venha
A vida por um dia a gente empenha
Já sabes a senha
Do lugar que não há espaço que contenha
Que já chamamos de Passárgada
De nossa terra de zoeiras
Pois se a festa somos nozes
Basta somar nossas vozes
Tomarmos mais algumas doses
Pra começarmos a voar
Entre a dança e o sonhar
Com a multidão, grupo ou par
Todos começam a se deixar
Damos mais algumas bolas
E tudo embala
Ninguém nos cala
A euforia nos assola
Euforia e me dê
Os sentidos ficam ácidos
É olhar pra você
E ver o paraíso nos plácidos
As delícias de viver que o corpo fala
Venha dá-las
És dessa gente que deita e rola
Mesmo quando a vida nos esfola
És das que tem a contra-mola que resiste
E insiste
Em fazer festa
Em alargar a fresta
És dessa gente que desembesta
E uma vez por ano me empresta
O prazer de se acabar
Pra mais um ano começar
Com a apoteose de um aniversário
Que é só o berçário
Desse melhor que há em nós...
domingo, 17 de agosto de 2014
Para além da caixa...
Me afastei de Pandora
Por sua longa demora
Não em fechar a caixa
Mas em perceber a cilada de Zeus
Mas feliz foi Prometeu
Que não via crime
No ato pensado
Fogo para o homem
Para a mulher
Para o par
Hermafroditas cortados no mito
E no dito
Vivem as tais memórias num infinito
Tantas sensibilidades que não cabem em palavras
Sei que te cito
Pra poder me perder
Que nesse padecer
De relato
Navego o tato, o paladar e o olfato
Mas não serei ingrato
De não arrancar um suspiro e um delírio
De quem vendo além do martírio
Desse mundo fechado
Abre incomensuráveis caminhos
Desalinhos
Ímpares de tão pares...
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Sobre o choro...
Os homens e o choro
Se não me falha o pensamento
São como um desaforo
Desde que por gente me entendo
Se acontece
Logo vem remendo
É por dor?
Então pode ser
Mas de sofrer?
De padecer?
Coisas de sentimentos
Que coisa
Um momento
Chorar é um problema
É o lema
Dessa adultância toda por aí
Bom é infância
Que tem choro e afago
Mais um trago
Pois sou de choro
Esse falar dos olhos
Que cai sobre as letras
Como os pingos dos is
Em tudo que já fiz
Apaixonado
Engendrando o amor
Muito choro foi chorado
E sempre que possível com sorrisos
E quando não
Não menos experienciado
Um fado
Mas não um fardo
Assim como ardo
Derramo...
quarta-feira, 14 de maio de 2014
À minha filha que não vai nascer
Hoje, dois irmãos, uma menina de 13 e um menino de 9 morreram queimados na Ceilândia por conta de um sujeito que alega uma dívida do irmão mais velho delas.
Uma mãe e a filha pequena morreram por conta de um bêbado no trânsito. Tá na capa do Correio embaixo da Monstra no banheiro dos fundos.
Aquele médico que esquartejou a amante em 2003 vai ser julgado de novo. Ele tava em liberdade.
Mataram uma mulher por um pacote de biscoito.
Linxaram uma mãe por ser uma "bruxa" que sacrifica crianças.
Bárbaros, meu filho?
Não... humanos.. como você seria, minha filha. Damasiadamente humanos.
A vida é violenta. Um pega pra capar sem fim.
Um aluno morto.
Um pai de alunas assassinado.
A antiga vizinha que definha.
O Leitão.
O Jair Rodrigues, que era só alegria.
O amigo da mãe subitamente em um festival.
A vida tem o compasso da morte, Joana.
Desde o início.
A morte é minha personagem predileta.
Não por ser doce, nem por ser bala.
Por ser inevitável...
Mas a vida não é bem durável
É um sopro
Um suspiro
Um assobio
Um delírio.
Que vale a pena
Mesmo se não plena
Helena
A passagem terrena
Compensa
Por mais curta que seja
Obrigado, querida
Pois a vida se dá enfrentando a morte.
Uma mãe e a filha pequena morreram por conta de um bêbado no trânsito. Tá na capa do Correio embaixo da Monstra no banheiro dos fundos.
Aquele médico que esquartejou a amante em 2003 vai ser julgado de novo. Ele tava em liberdade.
Mataram uma mulher por um pacote de biscoito.
Linxaram uma mãe por ser uma "bruxa" que sacrifica crianças.
Bárbaros, meu filho?
Não... humanos.. como você seria, minha filha. Damasiadamente humanos.
A vida é violenta. Um pega pra capar sem fim.
Um aluno morto.
Um pai de alunas assassinado.
A antiga vizinha que definha.
O Leitão.
O Jair Rodrigues, que era só alegria.
O amigo da mãe subitamente em um festival.
A vida tem o compasso da morte, Joana.
Desde o início.
A morte é minha personagem predileta.
Não por ser doce, nem por ser bala.
Por ser inevitável...
Mas a vida não é bem durável
É um sopro
Um suspiro
Um assobio
Um delírio.
Que vale a pena
Mesmo se não plena
Helena
A passagem terrena
Compensa
Por mais curta que seja
Obrigado, querida
Pois a vida se dá enfrentando a morte.
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