quinta-feira, 15 de agosto de 2024

A dor da tua ausência

Não me contenho

Nem precisa empenho

A musa aparece

O mundo inteirinho a gente esquece 

A deusa pede prece

A gente reza

Venera

Cada detalhe dela a vida tempera 

Quem dera, existência,  quem dera

A vontade de dela na carne rasgando com uma volúpia sincera

Que se ajeita

Numa intensidade perfeita

Mas por hora a maravilha dela me deleita

Tanto sacia

Quanto atiça

Quem dera...

P.s - Pena que você me esquece...


terça-feira, 2 de julho de 2024

Pacto



Fizemos entre nós um pacto

Ela, maravilha, existia

Eu absorvia o impacto

Ela ardia plena

Eu fazia poesia no ato

Ela, sinfonia, traz melodia à existência

Sempre Ela no centro da cena

Fico não só a versificar a querência 

É tal a magnificência 

De cada ponto, linha e movimento da sua congruência 

Que seria (e é) impossível pra mim ter apenas consciência 

Da sua poética de bailar nos sentidos

E não ter consequências 

Daí o trato

Me pacto abnegado

Faminto

Com olhos brilhando

Um sorriso safado

Pelo teu umbigo sagrado

Pelo teu rebolado profano

Pela sua alma de loba serpente sereia fada deusa diaba

Que derramam-se versos

Eu, ao inverso

Te sorvo

Absorto

Amarrado

No nosso pacto...

quinta-feira, 20 de junho de 2024

Saudades de você

 É algo além da beleza

Dessa infinita maravilha

Tem um tanto de poder 

Mas tem um que de menina

Tem um alvorecer de sol incandescente 

A força de onça que pega a vida no dente

A graça de anja sagrada

Mesmo pela vida sangrada

A imponência de leoa indomada 

Fato é que depois dela

O tudo é nada

Sem ela a aquarela

É só uma mancha borrada

Como é possível festa 

Sem ela na enseada?

O Carnaval todo só tem folia

Se ela desfila a apoteose da perfeição desde a entrada

Ela é a deusa

A musa

A primeira

A única 

A dona de tudo

E mais pouco

Que sem ela 

A poesia nunca fica rimada

A cerveja não fica gelada

Nada sacia

É a sua majestade que faz a existência ganhar sentido 

Todo dia

Todo o resto é conversa fiada

domingo, 16 de junho de 2024

Sós

 


Acordar não espantou o cansaço 

Semana longa

Uma sexta sem dança

Tudo parecia parecia conspirar para o errado

Mas ao mebos havia ela ali ao lado

Nua

Contemplativa olhando o dia amanhecer na janela

Um carinho de leve subiu correndo pela linha das costas

Causou aquele arrepio de quando a energia encosta

Lá pela nuca o carinho enrosca

Não falha nunca

A deusa virou o flanco

Um seio livre, um sorriso franco

O olhar que sabia bem o que ele estava tramando

- Você sabe que seu umbigo está me convidando...

- Sei.. foi por isso que virei... para você se curvar a minha majestade!

- Imperiosa verdade, imperatriz das minhas necessidades, vim te trazer esse alarde que invade, entremeando gozo e algumas maldades, bem rimadas com as suas vaidades...

- Menos rima e mais língua, poeta que arde!

Calado

Ele também se pôs de lado

E recitou em um braile toque firma e pesado

De cada detalhe

Do corpo dela

Se ocupou dos pontos

Perseguiu as linhas

Sorveu o molhado 

Fez o mais profano e o mais sagrado

Até que ela já não tinha nenhum juízo

Está possuída por aquele estado entre o rito e o grito

Ela era a própria manifestação do agito

Não há nada mais bonito

Que ela cavalgando o falo

Até o talo

Te dando mais que um trato

Com aquele rebolado

Explicando o sentido da vida

Explosivanente tão colorida

Que tudo dela deriva

Deusa de fato

Esticando ao máximo o contato 

Arranhando como gata

Sendo mordida ali na divisa do quengo 

Com a as coxas tão frenéticas tão vermelhas

A sinfonia ritmada da raba

O incêndio caudaloso da buceta que senta

Enquanto sente

Acende, ascende

Domina o tempo e o espaço, levando e trazendo, deslizando, mas apertando, subindo e descendo, tanto quanto envolvendo, mas soltando como se saísse voando, mas afogando, no infinito mais íntimo de quem ama fundendo, fode amarrando e libertando nessa loucura sensata de quem não tem mais remendo

Ela está lendo

Agora estava rindo

E assim embolados e decididos

Convicto 

Eles se perderam e deliraram no mais gostoso argumento

E ainda

Da firma mais linda

Quando a vontade ainda infinda atiça

- Tem mais, ela disse...

- É tudo que a gente precisa...

sábado, 1 de junho de 2024

Carta para Hélio Lopes



Oi pai. 75 anos atrás nascia Hélio Lopes dos Santos. O cara mais legal que eu já conheci. E hoje como super presente nasceu a Aurora, sua quarta neta. No mesmo dia que você e o Gustavo. Tenho essa tristeza dos seus netos não terem te conhecido. Eles iam saber que você era o avô mais incrível de todos. Era avô até das netas e netos dos outros, imagina dos seus.

A saudade é tanta. Já se vão 14 anos e eu sinto como se fosse ontem. Continuo sentindo sua falta todo dia. Não sei falar sobre você sem me emocionar e chorar. Faço questão para deixar jorrar a medida da importância. Eu conto muito sobre você pra Ana e pro João. Queria contar mais, ter mais histórias ainda... Eles estão maravilhosos. Não é fácil lidar com o autismo do João, mas ele é o rei do abraço. Ana é maravilhosa e divertida, embora os conflitos dos dois também sejam canseira. São meus parceiros em tudo. Sei que sou um pai que faria o melhor pai de todos ter muito orgulho.

Eu e a Débora estamos nos separando. Como amigos, pensando nas crianças, fazendo tudo com cuidado e compromisso. Mas não é fácil, Nunca achei que passaria por isso. Fico revendo o momento que você e mamãe se separaram. De quando me contaram. Lembro com uma super clareza. Lembro do turbilhão que eu senti. Eu só pensava o que eu tinha feito pra merecer aquilo. Desde que as crianças ficaram sabendo há um mês e pouco tiveram algumas coisas dolorosas. A sensação de que eu estou partindo me dói, não é o que eu queria. Nunca soube ser sozinho, mesmo sabendo que não vou ser, mas eu sempre fui um bobo romântico. Enfim, as coisas andam assim, ainda se aprumando, mas seguindo.

Na escola vai tudo bem. Estou muito feliz com a minha escola, cada dia potencializando mais meus projetos. Estou pleno lá, tem sido incrível. Queria muito poder te mostrar.

O Brasil tá se recuperando, embora a cobiça inescrupulosa dos malditos nunca cesse né. A extrema-direita taí espalhando fascismo pelo mundo sem qualquer escrúpulo. O mundo tá acabando sufocado em saco plástico, assado e afogado, tudo ao mesmo tempo. O governo tá atado pelos nós de sempre, sem perspectiva de respiro, agarrado no sistema e todas as mazelas que ele perpetua, mas qual a opção. Queria conseguir guardar algum otimismo, mas um realismo epicurista tem me ganhado cada vez mais. Mas ainda me resta o otimismo das pequenas coisas. A contra-mola que resiste...

Como sempre, eu queria um colo. Queria um ombro. Queria sua força. Queria esse pai que salva a gente de tudo. Que sonha junto com a gente. Que põe o pé no chão, mas ensina a pegar impulso. Queria meu pai aqui comigo, o Negão, o Hélio Bonitinho. O cara que eu mais admirei nessa vida e que quanto mais eu vivo, mais eu admiro. Amo você.



sábado, 16 de março de 2024

Quando a leitura te devora...


 

Folheou as últimas páginas.

- Gostou da leitura? - Ela disse com expectativas. 

- Muito. Achei muito excitante.

- Fico feliz que tenha gostado. Foi um grande desafio.

- E você o superou com talento e requintes de crueldade eu diria. Estou seu fôlego até agora.

- Então recupere logo o fôlego. Temos muito pra conversar.

- Não posso me demorar, a vida me aguarda para me foder sem dó, entre espinhos e chicotadas.. (ele parou de falar pois o metal da algema tinha estalado em seu pulso e ele ficou tão surpreso com aquele movimento tão ágil, que se perguntava se estava alucinando)... o que é..?

- Agora quer falar? - Ela prendeu o outro pulso dele, antes de arranhar as bochechas com nenhum pudor, mas com algum carinho.

- Veja bem, eu fico lisonjeado mas...

- Você deveria perguntar de onde tiro minha inspiração. Mas homens tem dificuldade de pensar com o desejo rondando. Falta sangue ao cérebro de você. (Um beijo e ele já estava entregue). Me inspiro em controlar essa descontrole (os dedos sentiram e correram e a boca foi murmurar ao pé do ouvido). As câmeras vão guardar tudo. Para o meu deleite futuro.

- Assim parece que é um caminho sem saída...

- Ó não. SÃO muitas as saídas. A mão que governa esse melado cajado bem te guia à meta que você deseja. Mas que não merece.. nunca mereceria. Minha carne de tormenta te vê e emoldura, mas você ainda caminha como a cera quente da vela a correr-te a espinha.

- Aaaahhhhh.

- De joelhos. Te deixo. Beba da rainha. O suco mais doce, verdadeiro mel e ambrosia do Olimpo. Fonte de toda a vida. Cavalgo seu ar, seu verbo e sua primazia. Homem de pouca fé. Sou Lilith, a primeira, sou Zulmira, a última. (Os olhos dela brilhavam).

- Delícia, perfeita. Me solta para eu te...

- Prender? Conduzir? Silenciar? Aqui eu te ponho sentado. Enforco seu pescoço, te permito um canto nesse contato. Te fodo. Te como. Te embuceteio. Te apresento o infinito, ser pequeno. Escorrego no íntimo do âmago do movimento mais lento, em que a grossa cabeça liberta da pele se esfrega tal qual cobra para a toca, sem limite de tanto mar que há lá dentro. E tudo segue. Tudo. Até o encontro preciso do limiar dos caminhos. E ali o universo nasce. Rebolativamente. O jeito mais tenso de relaxar, por mais que seus pulsos acorrentados estejam doendo. É me ter que está te acontecendo. Assim vou saindo.. voando.. te renomeando, enquanto meu perfume vai te envolvendo. A erva do meu poder te invadindo as entranhas. E a força é tamanha. Há. Sua pélvis quica, eu já sou furacão te percorrendo. Me morde, me lambe e sabe. Sou a dona eterna agora do seu pensamento. Tudo é pequeno, homem pequeno, ante o poder do meu inspirar te valendo. Por isso você segue. Sou teu horizonte. Sou a potência dessa trepa inigualável, imanente e inconsequente. Sou o precipício e a vertigem. O remédio e o vício. O ventre, a verdade e o abismo. Sou quente. Oceanos eu tenho em cada poente. Não pare, é só terremoto que te aguarda. 

- eu.. não.. 

- Tolo. São assim todos. Tortos. Ao final, mortos. E eu sigo faminta e com um bom livro pra publicar.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Planos de um novo ano



Já era um novo ano

Ela tinha tantos planos

A começar pelo vestido

Perfeitamente definindo

Aqueles contornos de infinito

Que só ela tem

Mas ele via além

E já vinha sorrindo

Ela disse "nem pense nisso"

E ele cantou

"Só penso nisso"

A cada dia

Em todo momento

Tudo nas minhas ideias

É o nosso movimento

Desde o mais lento

Ao mais frenético 

E já havia uma mão percorrendo o infinito sob aquele vestido

E além

"Eu vou me atrasar"

Pois eu soube que nesse ano você vai dançar 

Até se acabar

Como minha poesia a se aconchegar nesse cangote

"Eu.. volto.. pro trabalho hoje"

Mas já estava dado o bote

O enrosco

A definição de tempo foi a última coisa definida possível 

Onde ele começava e ela terminava havia 7 mares profundos 

As pernas fortes pelos corres da vida e da pista

Já tremiam no correr arranhado dos dedos

A vida lá fora seguia trabalhosa

Mas agora era ela que ia dar trabalho

O plano agora era que a vida toda lá fora que se fôda

Espalhados pelo chão

Numa entrega maior que a mega da virada

Ela esticou sua rebolada mais renovada e safada

"Agora, então, a gente acontece"

Mais e mais

Como a chuva que cai sem parar lá fora...

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Domingo


Me perdi no domingo

Bebi tudo até o último pingo

Trabalhar no dia seguinte parecia castigo

Mas ainda tava caçando perigo

Ou abrigo

Que o calor era infernal

Foi aí que ela chegou feito vendaval

Não era só o olhar sensual

Era a aura de deusa da porra toda

O sorriso de te acabo fácil fácil

Tudo nela parecia precipício 

E eu por vicio 

A convidei para uma rima

Uma música, alguma lírica 

Uns drinks em Paris

Ela riu como quem diz

Me convença 

Mas antes do que você pensa

Já havia contato

Olfato, paladar e todo o tato

Palpitar

Ninguém fazia ideia de onde as roupas foram parar

Ou quem apagou a luz enquanto a porta batia

Tudo era vontade vadia

Unhas rasgando as costas

Mordidas devorando pescoço

O gato pulou da cama enquanto podia se salvar

Nenhum dos dois estava ali para brincar

Cada gemido era uma saraivada de desejo

Cada delírio começava e terminava com beijo

Cada lábio recebia a invasão melada por inteiro

O mundo inteiro quicava

Não havia como parar de estapear aquela raba

Como não se afogar

Na força daquele olhar

Como não escalar do umbigo ao infinito

Enquanto vinha mais e mais e ainda mais o agito

Tudo voava

Ao mesmo tempo que toda estrela cadente despencava 

A Valquíria cantava

Gozava

Marcava

Dominada dominava aquela cavalgada 

Até o grudar envolver as realidades pulsantes tão díspares quanto entranhantes no âmago de tudo que houve, há e haveria

Mais um instante

Até serem de novo

Dois amantes 

Famintos

Num domingo

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Presentes




Acordei no limiar do fim do ano

Já era época de fazer planos

Para 2024

Mas estávamos ali pelo quarto

Semiacordados de fato

Ali no limite entre o real e o abstrato

E o correr dos dedos invocou o ato

Bastou um leve toque pra trazer o arrepio

Que subiu pelas costas tanto suave quanto atrevido

Para chegar na nuca como nunca

Chegar anunciando

Que a boca logo vinha

E para isso tinha um universo de peito e coração agitado colando nas costas

Como eu sei que tu gostas 

Façam suas apostas

Exato

Ela se derreteu

E ele ainda mais se atreveu

A completar o encaixe 

Da mão esquerda que abarca um seio

Dos dedos suaves no mamilo

A direita endireita o desejo no quadril

Solta a cintura

E a vontade toda dura

Possui o mar em ondas de necessidade

A verdade é que aqui é ela quem comanda a maldade

Ela cria um beijo faminto de pura voracidade

Sem deixar a rebolada perder em velocidade 

E eles deliram 

Se o ano acaba ou começa

Eles esticam ao infinito

Porque não há tempo ou espaço

Para além desse fogo nessa cama naquela trama 

Em cada gemido conjugado que o casal derrama

E então

A explosão

Só amplia a chama 

Faz tudo sanha

E é a senha

De que vem mais presente por aí

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Sabe...

 Cedo

Bem cedo mesmo 

Antes do dia apresentar seu enredo

Eu meio a esmo

Tateei você

Semi despida

Reflexiva 

Com a vida em carne viva

E minha vontade mais atrevida arranhou o teu ser

- Sabe...

E o que veio depois não cabe

Nas rimas que um poeta é capaz de fazer

Era tanto beijo

Tanto cheiro

Tanto aperto

Tanta pele grudada

Tanta loucura transbordada

Que o certo virou incerto

Que o bater dos peitos ficou tão perto

Tão lá dentro

Tão no íntimo

Que refez o centro

Dobrou o tempo

No correr dos dedos

Carinho e cafunés desfazendo nós e medos

E nós... ah, nós... só há nós... mais e mais nós... 

- Já é tarde...

Ainda arde

Em cada parte

Nossa arte

Enroscamos as pernas

Certas rimas são eternas 

Mas outras são fulgazes

Pro fogo que trago

És mar

A ir e voltar

Me banhar

Correntezas profundas a me tragar

Sem fim

E seguimos assim

Eu só querendo saber de você

Você deusa eterna de mim