Com dez anos de estrada
Posso dizer que toda essa caminhada
Só vale a pena pela sua companhia
Por poder me encostar em você todo dia
E não carecer de mais nada
Do anoitecer à alvorada
Por essa sua mania
De me completar
Pois a arte de bem cuidar
Está no âmago do seu jeito
No carinho do seu peito
Em tudo que por você é feito
E que lapida meu vivenciar
Colore o nosso par
Faz desse mundo ímpar
Mais interessante de singrar
És meu ar
Minha amiga predileta
Minha parceira completa
Minha teimosa alerta
Para quando a vida é incerta
Sempre tecendo o nosso acertar
É o Magaiver
É a médica
É a mãe de todo mundo
É meu querer mais profundo
Minha ética
Minha estética
Minha fonética
Minha semântica
Minha aventura romântica
Minha melhor história pra contar...
"O objetivo principal não é descobrir, mas refutar o que somos. (...) Não é libertar o indivíduo do Estado e de suas instituições, mas libertar-nos, nós, do Estado e do tipo de individualização que vai ligada a ele. É preciso promover novas formas de subjetividade..." Foucault
domingo, 19 de maio de 2013
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Camadas
Quando os dedos dela tocaram o baralho, ela sentiu um estranho calafrio. Por um instante, ela teve a sensação de experimentar o mundo em camadas. Em um instante ela era um bebê sozinho no berço cujo pranto clamava pelo alimento, para logo depois ser uma jovem menina correndo com sua prima na fazenda de seu tio. Em seguida, era uma jovem impetuosa desejosa de vida. Foi a vez de ver-se uma mulher de beleza madura ao lado de um belo homem. Viu-se velha assinando papéis de um inventário. Naquele momento, ainda aturdida moveu as cartas e fez dois montes.
Ao levar uma metade sobre a outra, viu-se delirante de prazer nos braços de um homem que jamais vira. Quando as cartas se encontraram, era uma mulher estafada com uma criança nos braços que não conhecia. Deixou as cartas com a agonia de ver-se jogada numa sarjeta como mais um zumbi do crack.
A velha senhora recolheu as cartas, enquanto a mulher ainda ponderava se teria sonhado acordada. Foram lembranças, mas os últimos.. um deles ela tinha certeza que era um sonho.. era um sonho antigo. A velha sorriu pra mulher, recuperando sua atenção, que foi guiada para a carta que ela virou.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Profecias
Mas tem também um terço
Que vem do ato
E outro tanto de desacato
Que veio da vida
Quando exposta a ferida
Tudo se torna destrambelhado
O ocaso da família
É tanta ilha
Mas a tal da criação é uma benção
E um fardo
Caminho árduo
Pois educação está em tudo que é dado
Em cada gesto
Cada momento
Por mais delicado
Ou menor
Ensina
A respeitar a menina
A jogar o lixo no lixo
A fugir dessa sina
De ser bicho
Só agir por instinto
De só pensar no seu nicho
Quando o infinito tá aqui do lado
Pra que faças do teu brado
Coro
Contra o sistema
Ou qualquer outro teorema
Que se inventar
E estaremos nós lá
A questionar
Instigar a pensar
Mesmo que a duras penas
Nós temos berços por embalar...
quinta-feira, 28 de março de 2013
Arte de ser e por contar
A arte de ser
Sendo
É como um remendo
Onde vossa excelência
O reverendo
Inventou de esquecer
Sem paciência
Não por clemência
Não querendo ver
O que estava a crescer
Apesar de você
Não mais à mercê
Nem preso à tv
Perdido no estar
Crente no par
Vivendo no ímpar
Precisando de ar
De dançar
Se jogar
Só arranhar
Uma vontade
Não pra chegar
Mas por seguir
Construir
Além de ir
Que indo
É lindo
Sereno indo
Mesmo que findo
É só um recorte
De belo porte
Que nos reservem a sorte
De artes para contar...
Sendo
É como um remendo
Onde vossa excelência
O reverendo
Inventou de esquecer
Sem paciência
Não por clemência
Não querendo ver
O que estava a crescer
Apesar de você
Não mais à mercê
Nem preso à tv
Perdido no estar
Crente no par
Vivendo no ímpar
Precisando de ar
De dançar
Se jogar
Só arranhar
Uma vontade
Não pra chegar
Mas por seguir
Construir
Além de ir
Que indo
É lindo
Sereno indo
Mesmo que findo
É só um recorte
De belo porte
Que nos reservem a sorte
De artes para contar...
domingo, 3 de março de 2013
Teatro do por vir
"A vida é o interminável ensaio de uma peça que nunca
se realizará..." (Do filme O Fabuloso Destino de Amelie Poulain..)
Peça
Tropeça
Então pessa
Vamos nessa
Se tudo mais se engessa
Capaz que a cabeça
Arrefeça
Enquanto não começa
Desça
Do resto esqueça
E se arremessa
Nunca cessa
Mesmo que messa
Capaz que nunca aconteça
Que não haja a tal Vanessa
Nem Veneza
Nem posta mesa
Ou qualquer fineza
Porcelana chinesa
Ser alteza
Só firmeza
A escolha é essa
Por mais que você teça
E que tudo até pareça
Nunca é
Só está...
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Houve ou canto pro meu chapéu...
O bom é que houve
Saiba quem nos ouve
Houve
E tendo havido
Jaz aqui comigo
Jazz
Faz-me um pouco mais
Há quem louve
Há quem esqueça
Há quem apague
O momento dos olhos
O ócio da manhã
As folias da tarde
Os vagueares da noite
Os perdidos da madrugada
Houve coisa sagrada
De tão profana
Ainda emana
O pulso quente das sinapses
Os contornos de nossos ápices
No fundo
No mundo
No tudo
Até se nada
Não há experiência errada
Só há
E que bom que houve...
Saiba quem nos ouve
Houve
E tendo havido
Jaz aqui comigo
Jazz
Faz-me um pouco mais
Há quem louve
Há quem esqueça
Há quem apague
O momento dos olhos
O ócio da manhã
As folias da tarde
Os vagueares da noite
Os perdidos da madrugada
Houve coisa sagrada
De tão profana
Ainda emana
O pulso quente das sinapses
Os contornos de nossos ápices
No fundo
No mundo
No tudo
Até se nada
Não há experiência errada
Só há
E que bom que houve...
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Um encontro com Pessoa...

"Estou quase convencido de que nunca estou desperto. Não sei se não sonho quando vivo, se não vivo quando sonho, ou se o sonho e a vida não são em mim coisas mistas, interseccionadas, de que meu ser consciente se forme por interpenetração.
Às vezes, em plena vida activa, em que, evidentemente, estou tão claro de mim como todos os outros, vem até à minha suposição uma sensação estranha de dúvida; não sei se existo, sinto possível o ser um sonho de outrem, afigura-se-me, quase carnalmente, que poderei ser personagem de uma novela, movendo-me, nas ondas longas de um estilo, na verdade feita de uma grande narrativa.
Tenho reparado, muitas vezes, que certas personagens de romance tomam para nós um relevo que nunca poderiam alcançar os que são nossos conhecidos e amigos, os que falam connosco e nos ouvem na vida visível e real. E isto faz com que sonhe a pergunta se não será tudo neste total de mundo uma série entreinserta de sonhos e romances, como caixinhas dentro de caixinhas maiores - umas dentro de outras e estas em mais -, sendo tudo uma história com histórias, como as Mil e Uma Noites, decorrendo falsa na noite eterna.
Se penso, tudo me parece absurdo; se sinto, tudo me parece estranho; se quero, o que quer é qualquer coisa em mim. Sempre que em mim há acção, reconheço que não fui eu. Se sonho, parece que me escrevem. Se sinto, parece que me pintam. Se quero, parece que me põem num veículo, como a mercadoria que se envia, e que sigo com um movimento que julgo próprio para onde não quis que fosse senão depois de lá estar.
Que confusão é tudo! Como ver é melhor que pensar, e ler melhor que escrever! O que vejo, pode ser que me engane, porém, não o julgo meu. O que leio, pode ser que me pese, mas não me perturba o tê-lo escrito. Como tudo dói se o pensamos como conscientes de pensar, como seres espirituais em quem se deu aquele segundo desdobramento da consciência pelo qual sabemos que sabemos! Embora o dia esteja lindíssimo, não posso deixar de pensar assim... Pensar ou sentir, ou que coisa terceira entre os cenários postos de parte? Tédios do crepúsculo e do desalinho, leques fechados, cansaço de ter tido que viver..."
(Fernando Pessoa - Livro do Desassossego, p. 280)
Sonho que proponho
Risonho ou enfadonho
Cabe a todo personagem
Buscar a margem
Pular da página
Fazer faxina
Para além do que se imagina
E nessa auto-sina
Rebelar-se contra o autor...
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Fim de ano...
Me aperto
O futuro é incerto
Não sei ao certo
Mantenho o peito aberto
E sigo plantando a semente
Vendo o vivente
Vivendo
Vou vendo
Que tem remendo
Se não tem concerto
Tem tempo
Se não tem acerto
Somente sendo
Achamos o acento
A equação
Inexata
Diário e vida
Condição
Que o caminho é um só
Por mais que de nó
Desdá
Mesmo se tempo não há
A gente estica
Alguém vem e complica
E a gente se coça
Se roça e só se vicia
Ai jaz a magia
Jazz
Tanto faz
Eu quero é mais
Que menos eu não aguentaria...
O futuro é incerto
Não sei ao certo
Mantenho o peito aberto
E sigo plantando a semente
Vendo o vivente
Vivendo
Vou vendo
Que tem remendo
Se não tem concerto
Tem tempo
Se não tem acerto
Somente sendo
Achamos o acento
A equação
Inexata
Diário e vida
Condição
Que o caminho é um só
Por mais que de nó
Desdá
Mesmo se tempo não há
A gente estica
Alguém vem e complica
E a gente se coça
Se roça e só se vicia
Ai jaz a magia
Jazz
Tanto faz
Eu quero é mais
Que menos eu não aguentaria...
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Tirinta
Bom dia
Se você dormia
Eu entro no sonhar
Pela periferia
Muito gostaria da sua companhia
Não a que era
Nem a que seria
A que é
Quem dera
Haveremos de raiar o dia
E se o tempo rarear
Por ser raro
Tão caro será
Mais do mesmo é o que mais há
Mas venha dançar
Que está ficando claro
Me agrada o amparo
De quem sabe inspirar..
Se você dormia
Eu entro no sonhar
Pela periferia
Muito gostaria da sua companhia
Não a que era
Nem a que seria
A que é
Quem dera
Haveremos de raiar o dia
E se o tempo rarear
Por ser raro
Tão caro será
Mais do mesmo é o que mais há
Mas venha dançar
Que está ficando claro
Me agrada o amparo
De quem sabe inspirar..
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Além
Fui..
Não é que fui
Sem fim
Só fui
E como fui
Não só
Foi tudo planejado
Afinal o caminho tá apresentado
Só não segue quem não quer
Mesmo que siga
Tem gente que não liga
E quem empurra com a barriga
Enfim, segue o jogo
Acenda o fogo
Ou banque o bobo
Mas só siga se quiser
Que o tal do caminho dado
É bem melhor acompanhado
Fica mais festejado
Muito melhor trilhado
Em ventos de bonança
E tem que ser povo que não cansa
Que é longa nossa dança
As correntezas são profundas
As águas são imundas
E daí mesmo fecundas
Afinal de contas por que não viver esse mundo?
Se não há outro mundo
E se só esse mundo há
E você pode ver todos lá
O cara que tudo repete
As duas mulheres que assistem
O marajá que analisa
O clone do planeta bizarro
O nêmesis que flerta com o perigo
Os sultões da luxúria
As diabretes do pecado
O anjo da guarda
As quimeras
As camadas
Parece lissergia pura
Não caberia em contos de fada
É mais denso
E lento
O processo
O jogo é sempre o mesmo
Mesmo a esmo
Mesmo mesmo
Sempre mais do mesmo
Não era isso que você queria ouvir?
Tenho que ir
Pena você não vir
Mas foi a melhor de todas...
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